A ORDEM FINAL

Prólogo da Ordem Final

Pela

Dra. Kim Knott, Conferencista Sénior em Estudos Religiosos, Universidade de Leeds, Reino Unido.

Equanto pesquisava para um artigo recente sobre “Percepções internas e externas de Srila Prabhupada”, euencontrei a mim mesma tentando fazer justiça às diferentes visões mantidas pelos devotos com o que diz respeito à sucessão discipular eo papel dos gurus depois do desaparecimento de Prabhupada em 1977. Naturalmente, antes disso eu estava ciente desse período de crises envolvendo a queda dos gurus e das ondas de choque e tristeza experimentadas pelos irmãos e irmãs espirituais bem como pelos discípulos iniciados por eles . Eu tive a esperança, como muitos, de que a reforma dos gurus no final dos anos 80 iria solucionar a liderança da ISKCON e as dificuldades com asiniciações. Olhando novamente o assunto enquanto preparava o artigo, eu li alguns argumentos a favor e contra o sistema atual, bem como o trabalho de outros estudiosos em questões sobre o guru e sucessão. Claramente este ainda era um assunto atual. No último estudo sobre “A Instituição Parampara”, no volume 5 do Journal of Vaisnava Studies, Jan Brzezinski discute sérios aspectos sobre isso, dando grande importância à liderança carismática e qualificada para o futuro da ISKCON. É apenas um ponto de vista dele, mas é indicativo do poder deste assunto em motivar interesses dentro e fora do Movimento.

No final de 1996, eu fui convidada para ler A Ordem Final para dar a minha opinião e discutir sobre as questões apresentadas nela. Lendo o texto eu não tive dúvidas de que era uma matéria de grande significado para a ISKCON, sobre a qual muitos devotos sentiriam profundamente. Pareceu-me que ele levantava importantes questões teológicas concernentes à autoridade espiritual e sua transmissão; o relacionamento do discípulo e o representante de Krishna; o guru e os objetos adequados de adoração devocional. Sendo alguém do lado de fora, eu sou totalmente incapaz de julgar a matéria e incapaz de medir a evidência apresentada aqui contra a evidência do atual sistema de acaryas. Contudo, sou capaz de recomendaro que é apresentado aqui como uma séria tentativa de discutir o caso, uma vez que Srila Prabhupada estabeleceu um sistema de gurus Ritviks, que ele pretendia que iniciassem os discípulos em seu nome. Eu espero que este texto seja lido cuidadosamente e discutido amplamente, não porque eu apóie ou condene esta posição, mas porque a profundidade do assunto abordado demanda considerações em todos os níveis. Cada devoto tem um verdadeiro desafio nesta matéria.

Não há dúvidas que não é aconselhável que um estranho envolva-se pessoalmente escrevendo tal prólogo, mas meus motivos permanecem sendo o meu interesse no Movimento e benquerer para com todos seus devotos.  

Kim Knott, fevereiro de 1997  

 

Prefácio da Quarta Edição (inglês)

 

Faz agora uma década que a primeira edição de A Ordem Final foi publicada em 1996. Originalmente, eu descrevi A Ordem Final como um “texto de discussão sobre as instruções de Srila Prabhupada para iniciação dentro da ISKCON”. Ninguém que conhece o Movimento pode negar que o texto provocou muita “discussão”, e assim foi bem sucedido na sua meta trazendo este assunto à luz.          

Seria difícil para a liderança da ISKCON agora validamente ignorar os documentos legais pessoalmente assinados por Srila Prabhupadaque claramente estabelecem sua intenção de permanecer como o diksa-guru para o movimento espiritual por ele fundado. São estes documentos legais que constituem a essência de A Ordem Final, que agora está sendo distribuído ao redor de todo o mundo e que também está disponível na web. Em váriospaíses A Ordem Final já foi ou está sendo traduzida (emfevereiro de 2006 as seguintes traduções já estavam disponíveis: Francês, Espanhol, Alemão, Russo, Chinês, Hindi, Bengali, Kannada; com traduções em Checo, Holandês, Tamil e italiano a caminho). Além disso, os líderes da ISKCON abertamente proibiram a sua distribuição em todos os centros da ISKCON. Por esta razão, há um grande número demembros da ISKCONem geral que ainda não leram o texto, apesar de toda a cobertura da mídia e controvérsia. Mas pelo menos para os líderes executivos da ISKCON e gurus,falta de conhecimento sobre a ordem que Srila Prabhupada deu para iniciação espiritual não é mais uma desculpa. Na introdução de A Ordem Final nós declaramos que:  

“Nós consideramos muito improvável que alguém esteja deliberadamente desobedecendo ou fazendo com que outros desobedeçam uma ordem direta de nosso Fundador-acarya.

Devido à evasão do GBC, obfuscação, violenta supressão e clara desonestidade sobre A Ordem Final, o que dissemos acima precisa ser revisado.

Agora existe uma organização mundial chamada ISKCON Revival Movement’ (IRM) [Movimento de renascimento da ISKCON] que toma A Ordem Final como seu fundamento, e que foi estabelecida especificamentepara difundir suas conclusões. O Movimento possui um website (www.iskconirm.com) com mais de 100 artigos publicados pelo mesmo autor, e também publica uma revista colorida trimestral chamada Back to Prabhupada (De Volta a Prabhupada), a qual édistribuída gratuitamente para milhares de assinantes pelo mundo. Há cobertura mundial das atividades do IRM pela mídia , incluindo numerosos artigos e ítens na BBC. O IRM tem também feito apresentações em grandes conferências acadêmicas incluindo a Associação de Estudos sobre Cultos (CESUR) e a Academia Americana de Religião. Além disso, o autor de A Ordem Final tem artigos publicados por vários publicantes acadêmicos e educacionais, incluindo: Columbia University Press, Firma KLM, Continuum International Publishing e Facts on File. Através desta mídia, o IRM tem ganhado vasta aceitação entre a comunidade culta como uma força para a reforma dentro da ISKCON. Desde a formação do IRM um crescente número de devotos da ISKCON e centros ao redor do mundo têm agora aceitado as conclusões de A Ordem Final.  

Perguntas freqüentes sobre Movimento de Renascimento da ISKCON (IRM)

1. O que é o IRM?

O IRM é um corpo composto de devotos da ISKCON ao redor de todo o mundo que querem ver a Sociedade colocada no caminho certo, de acordo com as diretrizes do seu fundador, Srila Prabhupada.

2. Por que existe o IRM?
A pureza original e o prestigio geral da ISKCON experimentou uma maciça deterioração desde a partida física do seu fundado no dia 14 de novembro de 1977. Srila Prabhupada sozinho estabeleceu a ISKCON em 1966 como um grande presente para o mundo, e ao partir ele deixou-a comouma força dinâmica,um farol de luz para a humanidade. Tristemente, hoje ela está se desintegrando- um fatoadmitido numa nota enviada em maio de 2000 pelo então presidente do GBC, Ravindra Svarupa Das:

“Portanto a questão permanece: o que, então, iremos fazer? Como iremos lidar com nossa Sociedade  polarizada e desintegrante?”  

Este declínio pode ser remontado aos vários desvios das instruções e padrões dados por Srila Prabhupada,dentre os quais o principal é tê-lo destituído do posto de único diksa-guru da ISKCON. O Movimento de Renascimento da ISKCON procura restaurar a ISKCON à sua glória,pureza e castidade filosófica anterior através da reinstituição de todas as instruções e padrões que Srila Prabhupada deu, iniciando com o seu papel de única autoridade e diksa-guruna ISKCON. A posição do IRM está estabelecida nos textos ‘The Final Order’ (A Ordem Final) e ‘No Change in ISKCON Paradigm’ (Não há modificações no paradigma da ISKCON). Ambos os textos estão disponíveis também no website: www.iskconirm.com  

3. O IRM é separado da ISKCON?

Ele é um Movimento dentro do Movimento, composto por membros da ISKCON que querem reformar e reviver a Sociedade.  

4. A meta do IRM é formar um novo movimento?

Não. É de restabelecer a ISKCON original que Srila Prabhupada nos deixou. Portanto, tão logo isto seja alcançado, o IRM será dissolvido.  

5. Que diferença faria a restauração de Srila Prabhupada como o único diksa-guru?

Primeiramente, é o mais básico axioma da vida espiritual, que nós podemos avançar somente quando seguimos de forma apropriada às ordens do guru. Se o guru pede leite e nós trazemos água, como Ele poderá ser agradado? E se o guru não é agradado, como então poderemos nos aproximar de Krishna?  

Por cerca de três décadas a ISKCON não está fazendo o que Srila Prabhupada ordenou. Uma vez que Srila Prabhupada abandonou o planeta fisicamente, nós nãopermitimos que ele iniciasse mesmo uma pessoa via Ritvik , ou sistema de representantes. Este é o único sistema de iniciação que Ele autorizou para dar continuidade dentro da Sociedade. Se os membros da ISKCON começarem mais uma vez a seguir as suas ordens, então naturalmente eles irão agradar o Senhor Krishna, e todo o progresso espiritualseguirá naturalmente. E também, se todos tiverem a mesma relação direta como discípulos de Srila Prabhupada, o faccionalismo será eliminado. Pela primeira vez em quase trinta anos haverá união em espírito de equipe, com todos trabalhando pela mesma meta – o serviço e glorificação de Srila Prabhupada e Sri Krishna. Muitos "gurus"da ISKCON têm sido vítimas de grosseiras atividades pecaminosas; e quando eles deixam a Sociedade, levam consigo centenas de milhares de dólares e muito dos seus seguidores. Esta contínua perda de propriedades, fé e pessoal será eliminada uma vez que a fé seja colocada apenas em Srila Prabhupada , e não em substitutos falíveis. O dinheiro sugado de seus discípulos pelos 80 "gurus" na forma de daksina (doação em dinheiro) irá para os templos,fazendo-os saudáveis e fortes.  

6. Como pode o IRM estar certo de que a sua posição é correta e que a do GBC não?

O IRM considera a sua posição correta uma vez que está baseada em documentos legais assinados que foram dirigidos a todo o Movimento. Por outro lado, o GBC jáapresentou pelo menos três posições oficiais contraditórias (nenhuma das quais têm o suporte de documentos legais), e assim não possue tecnicamente uma posição, o que dizer de uma posição correta. Devemos assinalar que não apenas estes vários fatores se contradizem uns aos outros, mas eventualmente também contradizem a si mesmos. Por exemplo, se nós tomarmos a simples pergunta sobre quando Srila Prabhupadaautorizou a sua substituição como diksa-guru para a ISKCON, nós encontramos as seguintes respostas oficiais do GBC:

a) ‘On My Order Understood’ ( ‘Sob Minha Ordem’ compreendido, GBC, 1995): Srila Prabhupada deu a ordem para os gurus ao mesmo tempo que a ordem que os devotos deveriam atuar em seu nome, e isso ocorreu no dia 7 de julho de 1977 (pg. 28, em ‘Gurus and Initiation in ISKCON’ (Gurus e Iniciação na ISKCON, GBC, 1995);

b) ‘Disciple of My Disciple’ (Discípulo de Meu Discípulo), (S. S. Umapati Swami, 1997): onze diksa-gurus foram indicados e preparados no dia 28 de maio de 1977, uma vez que “ Ritvik ” quer dizer “oficiante acarya”, que significa “diksa-guru”.

c) ‘Prabhupada’s Order’ (A Ordem de Prabhupada, Badrinarayan das, 1998): no dia 9 de julho de 1977, os onze estavam plenamente atuando como gurus, mas simplesmente observando a etiqueta na presença de Srila Prabhupada.

Como vimos acima, o GBC forneceu três diferentes datas para quando Srila Prabhupada aparentemente sancionou sua substituição: a) referindo-se a uma conversa no jardim; b) referindo-se a uma reunião entre Srila Prabhupada e alguns discípulos seniores, enquanto que c) refere-se a uma diretriz assinada sobre iniciação, pela qual este livreto é chamado (A Ordem Final). Deste modo, cada texto do GBC nos conta uma estória muito diferente. Mas para piorar:  

Em março de 2004, na reunião anual em Mayapur, o GBC oficialmente retirou o texto “Under My Order Understood”, e de maneira velada admitiram que continha “mentiras” e “exagerava os fatos”. A Ordem Final  havia sido originalmente escrita em desafio àquele mesmo texto (ver a introdução), e o fato de que ele agora foi retirado de forma desonrosa apenas confirma a posição do IRM.  

De forma muito clara, o GBC está confuso sobre quando os diksa-gurus sucessores foram autorizados. O IRM argumenta que isso é inevitável, uma vez que Srila Prabhupada jamais criou quaisquer diksa-gurus substitutos, apenas Ritviks; este sistema Ritvik  foi o que ele deixou em andamento, com nenhuma ordem para pará-lo. Baseados nisso, nós argumentamos que o GBC deve primeiramente decidir-se por uma posição, e apenas então seremos capazes de julgar sua eficácia.  

É uma lástima que mesmo hoje em dia qualquer um que questione sobre este miasma de testemunhos discordantes do GBC é rudemente perseguido na Sociedade.  

Krishnakant

fevereiro de 2006  

Se você deseja mais informações sobre o IRM, incluindo assinatura gratuita da nossa revista, ou deseja perguntar a respeito de A Ordem Final, então, por favor, envie um e-mail para o autor: irm@iskconirm.com ou visite nosso website e: www.iskconirm.com  

 

Introdução

 

Este livreto é uma humilde tentativa para apresentar as instruções que Srila Prabhupada deixou para a Comissão do Corpo Governamental (GBC) sobre como ele pretendia que as iniciações continuassem dentro da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna (ISKCON). Apesar de referirmos a muitos textos e artigos que foram publicados por devotos seniores da ISKCON sobre esta matéria, os pontos principais referem-se ao mais recente livreto do GBC sobre iniciação intitulado “Guru's and Initiation in ISKCON” (Gurus e Iniciação na ISKCON)-que será referido daqui para a frente como GII- e o texto “On my order understood”, o qual é mencionado sob a seção 1.1 das “Leis da ISKCON”:

“O GBC aprova o texto intitulado ‘Under My Order Understood’, o qual estabelece como a lei da ISKCON o Siddhanta finalsobre o desejo de Srila Prabhupada para continuar com a sucessão discipular após a partida de Sua Divina Graça” [ver parte II: Textos da posição do GBC neste volume]. (GII, p.1).

No texto GII o GBC claramente afirmou a intenção de remover a incoerência e a contradição nos códigos e leis da ISKCON no que envolve gurus, discípulos e guru-tattva em geral, assim estabelecendo um Siddhanta final (conclusão filosófica). Nós sinceramente oramos para que este texto seja de acordo com esses mesmos objetivo.  

Com um propósito de alcançar maior consistência e castidade filosófica, nós sentimos que permanecem uma ou duas discrepâncias que não foram plenamenteabordadas no texto GII, as quaispoderiam ser clarificadas com investigações e discussões mais profundas. Apesar de alguns dos tópicos levantados ao confrontar estas discrepâncias talvez pareçam radicais, ou mesmo difíceis de lidar , nós sentimos que confrontar com eles agora irá minimizar grandementefuturas confusões e possíveis desvios. Não é sem precedentes que o sistema de gurus da ISKCON tem sofrido uma revisão bastante radical. No passado, símbolos foram removidos, cerimônias cortadas e paradigmas substituídos – tudo isso sem prolongada ruptura.  

Em todo o seu esquema, ISKCON é indubitavelmente a mais importante Sociedade no Planeta. Portanto, é imperativo que uma constante vigilância seja mantida para assegurar que não se desvie nem sequer uma milionésima parte da espessura de um fio cabelo dos seus parâmetros filosóficos e administrativos estabelecidos pelo nosso Fundador-acarya. Srila Prabhupada constantemente enfatizava que nós não devemos mudar, inventar ou especular, mas simplesmente continuar expandindo o que ele cuidadosa e laboriosamente estabeleceu. Que momento seria melhor do que este, o ano de seu centenário (1996), para examinar de perto a maneira como estamos continuando a missão de Srila Prabhupada?  

É nossa forte convicção que o presente sistema de gurus dentro da ISKCON deverá alinhar-se completamente com a última diretriz assinada por Srila Prabhupada sobre este assunto- sua ordem final sobre iniciação, datada de 9 de julho de 1977 (por favor veja o apêndice). Algumas vezes as pessoas questionam a importância colocada nesta carta acima de outros textos, cartas e ensinamentos. Em nossa defesa, nós iremos simplesmente repetir um axioma que o próprio GBC usa no seu livreto GII:  

“Em lógica, enunciados posteriores sobrepõem os anteriores em importância” (GII, p.25).  

Uma vez que a carta do dia 9 de julho é na realidade a instrução final sobre as iniciações dentro da ISKCON, endereçada como foi a todo o Movimento, ela deve ser vista como uma categoria própria. Será mostrado que a plena aceitação e implementação daquela ordem de modo algum colide com os ensinamentos de Srila Prabhupada.  

Nós não temos interesses em teorias conspiradoras, nem pretendemos entrar em detalhes sobre infortúnios e dificuldades espirituais pessoais. O que está feito está feito. Com certeza, nós podemos aprender com os erros anteriores, e nóspreferimos ajudar a pavimentar o caminho para um futuro positivo de reunificação e perdão do que nos reter por muito tempo em escândalos passados. Com respeito aos autores, a grande maioria dos devotos da ISKCON está sinceramente se esforçando para agradar Srila Prabhupada; desta forma, nós consideramos muito improvável que alguém esteja deliberadamente desobedecendo oufazendo com que outros desobedeçam uma ordem direta de nosso Fundador acarya. Não obstante, de alguma forma ou outra, parece que certas aberrações de epistemologia e detalhes administrativos se infiltraram dentro do sistema geral da ISKCON nos últimos dezenove anos. Identificando estas áreas manchadas, nós oramos para que possamos dar alguma ajuda na tarefa de desraigar obstruções desnecessárias no nosso serviço devocional a Srila Prabhupada e Sri Krishna.

Neste livreto iremos apresentar como evidênciadocumentos pessoalmente assinados e emitidos por Srila Prabhupada, bem como transcrições de conversas- tudo aceito como autêntico pelo GBC. Nós então analisaremos de forma cuidadosa tanto o contexto quanto o conteúdo destes materiais, e ver se devem ser levados literalmente ou se existem outras instruções quepossam alterar de forma razoável o seu significado ou aplicação. Também debateremos todos os tópicos filosóficos relevantes levantados em conexão com esta evidência, e iremos responder a todas as objeções mais comuns levantadas contra a aceitação literal do documento do dia 9 de julho no que se refere as iniciações no futuro. E, finalmente, nós analisaremos como o sistema de acarya oficiante, conforme delineado na ordem do dia 9 de julho, pode ser implementado sem muita perturbação.

Todos os nossos argumentos estão fundamentados exclusivamente na filosofia e instruções dadas por Srila Prabhupada em seus livros, cartas, aulas e conversas. Humildemente pedimos a misericórdia de todos os Vaisnavas para que não sejemos ofensivos a ninguém ou de forma alguma causemos ruptura na missão de Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami Srila Prabhupada.

 

A EVIDÊNCIA

 

Qualquer um que tenha conhecido Srila Prabhupada geralmente notava a sua natureza meticulosa. Sua meticulosa atenção em cada detalhe no seu serviço devocionalera uma das mais distintas características de Srila Prabhupada; e para aqueles que o serviram pessoalmente, era grande evidência de seu profundo amor pelo Senhor Sri Krishna. Toda a sua vida foi dedicada a executar a ordem do seu mestre espiritual, Srila Bhaktisiddhanta, e neste dever ele foi fantasticamente vigilante. Ele não deixava nada ao acaso, sempre corrigindo, guiando e castigando os seus discípulos nos seu esforço para estabelecer a ISKCON. Sua missão era sua vida, e ele até mesmo disse que ISKCON era o seu corpo.  

Certamente, seria incompatível com caráter de Srila Prabhupadanegligenciar um tópico tão importante como este, o futuro das iniciações em sua Sociedade tão querida,deixando-o no ar, ambíguo ou aberto paradebate ou especulação. Isto é particularmente verdade com base nos fatos sucedidos na missão de seu próprio mestre espiritual, a qual, como muitas vezes ele assinalou, foi amplamente destruída pela operação de um sistema de gurus não autorizados. Tendo isso em mente, comecemos com os fatos que ninguém pode negar:  

No dia 9 de julho de 1977, quatro meses antes de sua partida física, Srila Prabhupada estabeleceu um sistema de iniciação empregando o uso de “Ritviks”, ou “representantes do acarya”. Srila Prabhupada instruiu que este sistema de acaryas oficiantes deveria ser instituído imediatamente e iria continuar desde aquele momento ou dali para frente (henceforward)- por favor veja os apêndices. Esta diretriz administrativa, a qual fora enviada para toda a Comissão do Corpo Governamentale Presidentes de Templo da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna, instruía que desde aquele momento os novos discípulos deveriam receber os nomes espirituais, rosários e o mantra Gayatri destes 11 Ritviks nomeados. Estes Ritviks atuariam em nome de Srila Prabhupada e os novos devotos iniciados seriam discípulos de Srila Prabhupada.Assim Srila Prabhupada concedeu aos rtviks pleno poder para atuarem como procuradores para os que receberiam a iniciação, e deixou claro que daquele momento em diante não seria mais necessário consultá-lo (para os detalhes sobre as obrigações de um Ritvik, por favor veja a seção intitulada ‘O que é um Ritvik?’).  

Imediatamente após a partida física de Srila Prabhupada, no dia 14 de novembro de 1977, o GBC suspendeu o sistema Ritvik. No Gaura Purnima de 1978, os 11 Ritviks assumiram papel de diksa-guru e acarya regional, iniciando discípulos em seu próprio nome. O mandato para que eles fizessem isso foi uma alegada ordem de Srila Prabhupada de que apenas eles seriam os sucessores como acaryas iniciadores. Alguns anos mais tarde, este sistema de acarya regional foi modificado e substituído, não pela restauração do sistemaRitvik, mas pela adição de dúzias de mais gurus, junto com um elaborado sistema de medidas e restrições para lidar com aqueles que se desviaram; o raciocínio para essa mudança sendo que a ordem de se tornar guru não era, como se disse anteriormente, somente aplicável àqueles 11, senão que era uma instrução geral para qualquer um que seguisse estritamente e recebesse uma maioria de votos de dois terços dos membros do GBC.  

A nota acima não se trata de uma opinião política, é um fato histórico, aceito por todos, incluindo o GBC.

Como mencionamos acima, a carta do dia 9 de julho foi enviada a todos os membros do GBC e presidentes de templo, e permanece até hoje como a única instrução assinada sobre o futuro das iniciações que Srila Prabhupada emitiu para toda a Sociedade. Comentando sobre a ordem do dia 9 de julho, Jayadvaita Swami, recentemente escreveu:

“Sua autoridade está além de questionamentos (...) claramente esta carta estabelece um sistema de guru Ritvik”
(Jayadvaita Swami, Where the Ritvik People are Wrong, 1996).  

A origem da controvérsia surgiu de duas modificações, as quais foram subseqüentemente impostas sobre esta diretriz, que de outra forma é muito clara e autorizada:  

Modificação a): que o apontamento dos representantes ou Ritviks foi apenas temporário, especificamente para ser encerrado na partida de Srila Prabhupada.

Modificação b): tendo cessada a função de meros representantes, os Ritviks tornar-se-iam automaticamente diksa-gurus, iniciando pessoas como seus próprios discípulos, e não de Srila Prabhupada.  

As reformas para o sistema de acarya regional que aconteceram em 1987 mantiveram intactas aquelas duas suposições. De fato, as mesmas suposições formavam a base do próprio sistema substituído.Nós nos referimos a: a) e b), acima como modificações, uma vez que nenhuma destas afirmações aparece na carta do dia 9 de julho, nem em qualquer documentado legal emitido por Srila Prabhupada subseqüente a àquela ordem.  

O texto GII do GBC claramente suporta as já mencionadas modificações:  

“Quando perguntaram a Srila Prabhupadaquem iniciaria depois de sua partida física, ele afirmou que ‘recomendaria’ e daria‘ordem’ a alguns de seus discípulos para que iniciassem em seu nome enquanto estivesse vivo, e que depois disso atuariam como gurus regulares, cujos discípulos seriamdiscípulos dos discípulos de Srila Prabhupada” (GII, p.14).

Com o passar dos anos, aumentou o número de devotos questionando a legitimidade destas suposições fundamentais. Para muitos, isso jamais fora comprovado apropriadamente, e, por conseguinte, um desagradável sentido de dúvida e desconfiança cresceu tanto dentro como fora da Sociedade. Atualmente, livros, artigos, e-mails e sites da web oferecem informações quase diárias sobre a ISKCON e seu suposto desviado sistemade gurus. Qualquer coisa que possa trazer algum tipo de resolução para esta controvérsia deve parecer positiva para aqueles que verdadeiramente se importam com o Movimento de Srila Prabhupada.

Um ponto sobre o qual todos concordam é que Srila Prabhupada é a autoridade última para todos os membros da ISKCON; então, qualquer que tenha sido a intenção de sua ordem, é nossa obrigação executá-la. Outro ponto de concordância é que o único documento assinado sobre futuras iniciações, o qual fora enviado para todos os líderes da Sociedade, foi a ordem do dia 9 de julho.

É importante notar que no texto GII a existência da carta do dia 9 de julho não é sequer mencionada, embora este seja o único local onde  os onze acarya originais são de fato mencionados . Esta omissão causa perplexidade, uma vez que GII supostamente apresenta um “siddhanta final” para  o assunto todo.

Vejamos mais de perto a ordem do dia 9 de julho, para então vermos se de fato alguma coisa apóia as suposições a) e b) mencionadas acima:  

 

A Ordem Em Si

Como mencionamos anteriormente, a ordem do dia 9 de julho afirma que o sistema Ritvik deve ser seguido dali para frente (henceforward). A palavra especificamente usada foi “henceforward”, tendo apenas um sentido, a saber: “de agora em diante”. Isso está tanto de acordo com o uso prévio da palavra por Srila Prabhupada, quanto com o seu significado lexical na língua inglesa. Ao contrário de outras palavras, a palavra “henceforward” não éambígua, uma vez que possui apenas uma definição no dicionário. Em outras 86 ocasiões em que nós encontramos a palavra “henceforward” sendoempregada por Srila Prabhupada, ninguém levantou a possibilidade de que a palavra poderia significar outra coisa além de “daqui para a frente”. “Daqui para frente” não significa “daqui para frente até que eu parta”. Simplesmente significa “daqui para frente”. Não está mencionada na carta que o sistema deveria parar com a partida de Srila Prabhupada, nem que o sistema deveria operar apenas durante a presença dele. Além disso, o argumento de que todo o sistema Ritvik depende de uma palavra- “henceforward”- é inadmissível, pois ainda que tirássemos a palavra da carta, nada mudaria. Ainda restaria um sistema estabelecido por Srila Prabhupada quatro meses antes de sua partida, e não houve uma instrução subseqüente para terminar com ele. Sem tal instrução que se contraponha, esta carta permaneceria intacta como a instrução final de Srila Prabhupada sobre iniciação, e deve portanto ser seguida.

Instruções De Apoio  

Houve outras declarações feitas por Srila Prabhupada e pelo seu secretário nos dias seguintes à carta do dia 9 de julho que indicam que o sistema Ritvik foi destinado para continuar sem cessar:  

. “... o processo de iniciação para ser seguido no futuro (11 de julho).

. “... continue sendo Ritvik e atue em nome” (19 de julho).

. “... continue sendo Ritvik e atue em nome” (31 de julho) (por favor veja os apêndices).  

Nestes documentos nós encontramos palavras tais como: “continue” e “futuro”, as quais junto com a palavra “henceforward” (daqui para frente) apontam para a permanência do sistema Ritvik . Não há nenhuma declaração de Srila Prabhupada que dê sequer uma sugestão de que o sistema terminaria com a sua partida.  

Instruções Subseqüentes  

Uma vez que o sistema  Ritvik foi estabelecido e estava em andamento, Srila Prabhupada jamais emitiu uma ordem subseqüente para parar com o sistema, tampouco jamais afirmou que ele devesse ser dispensado depois de sua partida. Talvezconsciente de que tal coisa pudesse erroneamente ou de alguma forma ocorrer, ele colocou no começo do seu testamento que o sistema de administração corrente na ISKCON deve continuar, e que não deveria ser modificado – uma instrução deixada intacta por um apêndice adicional, apenas nove dias antes de sua partida. Seguramente, essa teria sido a oportunidade perfeita para dispensar o sistema Ritvik , se fosse sua intenção (por favor veja os apêndices). O fato de que o uso de Ritviks para dar nomes aos iniciados era um sistema de administração pode ser ilustrado pelo seguinte:  

Em 1975 uma resolução preliminar do GBC sancionou que: “a única responsabilidade do GBC seria com assuntos administrativos”. Abaixo estão alguns dos assuntos administrativos com que o GBC lidou naquele ano:  

“Para receber a primeira iniciação, o candidato deve ter sido membro por tempo integral por seis meses. Para a segunda iniciação, pelo menos um ano deverá ter transcorrido após a primeira iniciação” (Resolução nº 9, 25 de março de 1975).  

“Método de iniciação de Sannyasis (Resolução nº 2, 27 de março de 1975).  

Estas resoluções foram pessoalmente aprovadas por Srila Prabhupada. Elas demonstram conclusivamente que a metodologia para conduzir as iniciações era considerada um sistema de administração. Se toda a metodologia para conduzir as iniciações é considerada um sistema de administração por Srila Prabhupada, então um elemento da iniciação, a saber, o uso de Ritviks para dar nomes espirituais, tem que ser incluído sob os mesmos termos de referência.

Assim, modificar o sistema Ritvik de iniciações foi uma violação direta do testamento de Srila Prabhupada.

Outra instrução no testamento de Srila Prabhupada, a qual indica a intenção da longevidade do sistema de Ritvik ,é onde está declarado que os diretores executivos das propriedades permanentes na Índia deveriam ser selecionados entre os discípulos iniciados de Srila Prabhupada:  

“... um diretor sucessor, ou diretores, deve ser apontado pelos diretores remanescentes, contanto que o diretor seja meu discípulo iniciado...”
(Srila Prabhupada, Declaration of Will, 4 de junho de 1977).

Isso é algo que somente poderia ocorrer se o sistema Ritvik de iniciaçãopermanecessedepois da partida de Srila Prabhupada, pois de outra forma o número de diretores em potencial eventualmente se esgotaria.  

Além disso, cada vez que Srila Prabhupada falou de iniciações depois do dia 9 de julho, ele simplesmente reconfirmou o sistema Ritvik. Ele nunca deu qualquer indício de que o sistema deveria parar depois da sua partida ou que existiam gurus aguardando na fila, prontos para assumir o papel de diksa. Portanto, pelo menos no que diz respeito à evidência direta, parece não haver nada que apóie as suposições a) e b) referidas anteriormente. Como declarado, aquelas suposições – que o sistema Ritvik deveria ter parado na partida de Srila Prabhupada e que os Ritviks deveriam tornar-se diksa-gurus – formam a verdadeira base do atual sistema de gurus da ISKCON. Se eles forem provados como inválidos, então certamente o GBC necessitará repensar sobre tudo radicalmente. 

O que foi dito estabelece o cenário. A própria instrução, instruções de apoio e instruções subseqüentes apenas suportam a continuação do sistema Ritvik odo. Ts os envolvidos neste assunto admitem que Srila Prabhupada nunca deu qualquer ordem para terminar com o sistema Ritvik depois de sua partida física. Também é aceito por todos que Srila Prabhupada estabeleceu o sistema Ritvik para ser posto em funcionamento a partir do dia 9 de julho em diante. Assim, nós temos a situação segundo a qual o acarya:

1) deu uma clara instrução para seguirmos o sistema Ritvik;

2) não deu instrução alguma para que se parasse o sistema Ritvik após a sua partida física.  

Consequentemente, para que um discípulo pare de seguir esta ordem, com qualquer grau de legitimidade, é necessário que ele supra alguma base sólida para fazer isso. A única coisa que Srila Prabhupada de fato nos disse foi que seguíssemos o sistema Ritvik . O ônus da prova cairá naturalmente sobre aqueles que desejem terminarqualquer sistema estabelecido por nosso acarya, e que devesse continuar dali para frente. Este é um ponto óbvio; ninguém pode simplesmente parar de seguir as ordens do guru caprichosamente:

“... o processo é que você não pode mudar a ordem do mestre espiritual”
(Srila Prabhupada, palestra sobre o C.C., 21/12/73, Los Angeles).

Um discípulo não precisa se justificar para continuar a seguir uma ordem direta do guru, especialmente quando lhe fora ditoque deveria continuar a segui-la. Isso é axiomático – é isso o que a palavra “discípulo” significa:

“Quando alguém se torna discípulo, ele não pode desobedecer a ordem do mestre espiritual”.
(Srila Prabhupada, palestra sobre o B.G., dia 11/02;75, México).

Uma vez que não háevidência direta afirmando que o sistema Ritvik deveria ser abandonado na partida física de Srila Prabhupada, o caso para abandoná-lo teve ter sido portanto apenas baseado em evidência indireta. Evidência indireta pode surgir emcircunstâncias especiais envolvendo uma instrução direta e literal. Essas circunstâncias atenuantes, se é que elasexistem, poderiam ser usadas como base para interpretar uma instrução literal. Nós iremos agora examinar as circunstâncias envolvendo a ordem do dia 9 de julho para vermos se tais circunstâncias modificadoras poderiam de fato estar presentes, e se há por inferência qualquer coisa que possa apoiar as suposições a) e b).

 

OBJEÇÕES DIRETAMENTE RELACIONADAS COM A FORMA E AS CIRCUNSTÂNCIAS DA ORDEM FINAL

 

1) “A carta claramente insinua que somente se aplicava enquanto Srila Prabhupada estivesse presente”.

 

Não há nada na carta que diga que a instrução fora feita apenas para enquanto Srila Prabhupada estivesse fisicamente presente. De fato, a única informação dada suporta a continuação do sistema Ritvik após a partida de Srila Prabhupada. É importante notar que dentro da carta do dia 9 de julho está dito três vezes que os que forem iniciados serão discípulos de Srila Prabhupada.Ao apresentar evidências para seu sistema degurus atual, o GBC argumentou vigorosamente que Srila Prabhupada tinha deixado claro com respeito a si mesmo que era uma lei inviolável o fato que ninguém poderia iniciar na sua presença. Assim, a necessidade de declarar que os futuros discípulos pertenceriam a Srila Prabhupada deve indicar que a instrução fora destinada para atuar durante o período de tempo quando sua posse poderia até mesmo ser questionada, ou seja, depois da sua partida.

Por alguns anos, Srila Prabhupada tinha utilizado representantes para cantar nas contas, executar cerimônia de fogo yajña, dar o mantra Gayatri, etc. Ninguém jamais questionou a quem os novos iniciados pertenciam. Bem no começo da carta do dia 9 de julho está enfaticamente dito de que os apontados são “representantes” de Srila Prabhupada. A única inovação naquela carta é que incluía então a formalização da regra dos representantes; dificilmente é algo que pudesse ser confundido com uma ordem direta para que eles se tornassem plenamentediksa-gurus. A ênfase de Srila Prabhupada sobre a posse dos discípulos seria portanto completamente redundante casoo sistema fosse feito para operar apenas na sua presença, uma vez que estando presente ele poderia pessoalmente assegurar que ninguém declarasse falsa posse dos discípulos. Como já mencionamos, este ponto foi enfatizado três vezes em uma carta queé bastante curta e direta:  

“Tão logo alguma coisa seja enfatizada três vezes, isso significa que é conclusiva”
(aula de Srila Prabhupada sobre o B.G., 27/11/68, Los Angeles).

A carta do dia 9 de julho declara que os nomes dos novos discípulos iniciados devem ser enviados para Srila Prabhupada – poderia isso indicar que o sistema deveria funcionar somente enquanto Srila Prabhupada estivesse presente fisicamente? Alguns devotosargumentam que uma vez que não mais podemos enviar esses nomes para Srila Prabhupada, o sistema Ritvik tornou-se inválido.

O primeiro ponto a notar é o propósito dito por detrás do ato de enviar nomes para Srila Prabhupada, ou seja, que eles pudessem ser incluídos no seu livro de discípulos iniciados. Nós sabemos pela conversa do dia 7 de julho (por favor veja os apêndices) que Srila Prabhupada não tinha nada haver com o registro de novos nomes dentro daquele livro; isso era feito pelo seu secretário. Mais evidência de que os nomes deveriam ser enviados para inclusão no livro, e NÃO especificamente para Srila Prabhupada , foi dada numa carta escrita para Hamsaduta, no dia seguinte, onde Tamala Krishna Goswami explica para ele sua nova obrigação como Ritvik:

“... você deverá enviar os nomes deles para serem incluídos no livro de discípulos iniciados de Srila Prabhupada”.
(Carta de Tamala Krishna Goswami para Hamsaduta, 10/07/77).

Aqui não há menção feita de que os nomes deveriam ser enviados para Srila Prabhupada. Este procedimento poderia facilmente ter continuado depois da partida física de Srila Prabhupada. Em nenhum lugar da ordem final de Srila Prabhupada diz que o se o livro dos discípulos iniciados se separar fisicamente de Srila Prabhupada, todas as iniciações deveriam ser suspensas.

O ponto seguinte é queo procedimento de enviar os nomes dos novos iniciados para Srila Prabhupada de forma alguma se relaciona com a atividade de pós-iniciação. Os nomes poderiamser enviados somente após os discípulos terem sido iniciados. Portanto, uma instrução concernente ao que deve ser feito após a iniciação não pode ser usada para emendar ou de modo algum interromper o que precede a iniciação, ou, deveras, o processo de iniciação (já que o papel do Ritvik seria executado muito antes da cerimônia acontecer). O fato de que os nomes fossem enviados ou não a Srila Prabhupada não tem nada a ver com o sistema de iniciação, pois uma vez queos novos nomes estivessem prontos para serem enviados, a iniciação já teria acontecido.

O último ponto é que se enviar os nomes para Srila Prabhupada fosse uma parte vital da cerimônia, então mesmo antes da partida de Srila Prabhupada o sistema seriainvalido, ou ao menos correria um risco constante de assim ser. Era do conhecimento geralque Srila Prabhupada estava prestes a nos deixar a qualquer momento, portanto o perigo de não haver para onde mandar os nomes estava presente deste o primeiro dia em que a ordem fora emitida. Em outras palavras, considerando o possível cenário em que Srila Prabhupada tivesse abandonado o planeta no dia seguinte em que um discípulo tivesse sido iniciado através do sistema Ritvik , de acordo com a proposição mencionada, o discípulo não teria sido de fato iniciado simplesmente por causa da demora do correio. Não encontramos nenhuma menção nos livros de Srila Prabhupada de que o processo transcendental de diksa, o qual pode levar várias vidas para se completar, pode ser obstruído pelas vicissitudes do serviço de correios. Certamente não haveria nada que prevenisse que os nomes dos novos iniciados entrassem no livro de discípulos iniciados de Sua Divina Graça mesmo agora. Este livro poderia então ser oferecido a Srila Prabhupada no momento apropriado.

 

2. “A carta não diz especificamente que ‘este sistema deverá continuar após a partida de Srila Prabhupada’; portanto, foi correto parar o sistema   Ritvik quando Srila Prabhupada partiu”.

 

Por favor, considerem os seguintes pontos:

1. A carta do dia 9 de julho também não especifica: “o sistema Ritvik deverá terminar com a partida de Srila Prabhupada”. Ainda assim, foi terminado imediatamente após a sua partida .

2. A carta também não diz: “o sistema Ritvik deverá continuar apenas enquanto Srila Prabhupada estiver presente”. Ainda assim, estava em andamento enquanto ele estava presente.

3. A carta também não diz: “o sistema Ritvik deverá seguir apenas até a partida de Srila Prabhupada”. Mas apesar disso, ele foipermitido a continuar somente até a sua partida.

4. A carta também não diz: “osistema Ritvik deve parar”. Ainda assim, ele foi parado.

Em resumo, o GBC insiste que:

Nenhumas das estipulações acima aparecem na carta do dia 9 de julho, nem em outra ordem assinada; mas mesmo assim elas foram a fundação tanto do sistema de acarya regiona, quanto do corrente “sistema de múltiplos sucessores acaryas” ou M.A.S.S. (sigla em inglês) como iremos chamar ao referir a ele (neste contexto, nós usamos a palavra “acarya” no seu sentido mais forte,demestre espiritual iniciador, ou diksa-guru).

O argumento de que uma vez que a carta não especifica sobre o período de tempo que iria transcorrer, e que deveria, portanto, terminar na partidade Srila Prabhupada, é completamente ilógico. A carta tampoucoespecifica que o sistema Ritvik deveria ser seguidono dia 9 de julho, então de acordo com esta lógica ele jamais deveria ter sido seguido de nenhum modo. Mesmo aceitando que “henceforward” – daqui para frente – possa pelo menos estender-se até o final do primeiro dia em que a ordem fora assinada,não está dito que deveria ser seguida no dia 10 de julho, então talvez ela deveria ter sido parada no mesmo dia.

A exigência que o sistema Ritvik operasse apenas por um período de tempo pré-especificado é contradito ao aceitarmos sua operação por 126 períodos separados de 24 horas (ou seja,quatro meses), uma vez que nenhum destes 126 períodosseparados está especificado na carta, e ainda assim todos parecem estar muito satisfeitos com a idéia de que o sistema somente seria efetivo durante este período de tempo. A menos que tomemos a palavra “henceforward” – daqui para frente – literalmentesignificando “indefinidamente”, poderíamos parar o sistema Ritvik a qualquer momento depois do dia 9 de julho, então por que escolher o momento de sua partida?

Não existe nenhum exemplo, seja nas 86 vezes gravadas em que Srila Prabhupada usa esta palavra, ou em toda a históriada língua inglesa, no qual a palavra “henceforward” signifique:

“O período de tempo até a partida da pessoa que emitiu uma ordem”.  

E ainda assim, de acordo com a opinião geral, isto é o que a palavra deve ter significado quando foi utilizada na carta do dia 9 de julho. Tudo o que a carta afirma é que o sistema Ritvik deverá ser seguido “henceforward” - “daqui para frente”. Então por que foi parado?

 

3. Certas instruções obviamente não podem continuar depois da partida de Srila Prabhupada, e assim está entendido que a intenção de Srila Prabhupada era que fossem seguidas somente durante a sua presença; por exemplo, alguém podia ter sido apontado para dar a Srila Prabhupada  sua massagem cotidiana “daqui para frente”. Pode ser que a ordem Ritvik seja do mesmo tipo?


 

Se uma instrução é impossível de se executar, por exemplo, dar a Srila Prabhupadasua massagem diária após a sua partida física, então obviamente está fora de questão. O dever do discípulo é simplesmente seguir uma ordem até que esta seja impossível de ser seguida por mais tempo, ou até que o mestre espiritual mude a ordem. A questão é se é possível ou não seguir o sistema Ritvik sem a presença da pessoa que o estabeleceu.

De fato, o sistema Ritvik foi estabelecido especificamente para que operasse sem nenhum envolvimento físico de Srila Prabhupada absolutamente. Se o sistema Ritvik tivesse continuado depois de sua partida, teria sido idêntico em todos os aspectos ao modo como era praticado enquanto Srila Prabhupada estava presente. Depois da carta do dia 9 de julho, o envolvimento de Srila Prabhupada se tornou nulo, e então mesmo naquela época o sistema estava operando como se ele já tivesse partido. Sendo este o caso, não podemos classificar o sistema Ritvik como desfuncional ou inoperável com base na partida de Srila Prabhupada, uma vez que sua partida não afeta de nenhum modo o funcionamento do sistema. Em outras palavras, já que o sistema foi especificamente estabelecido para operar como se Srila Prabhupada não estivesse no planeta, sua partida do planeta não pode em si mesma tornar o sistema inválido.

 

4. “O fato de que a ordem fora ‘apenas’ emitida numa carta, e não num livro, nos dá a licença para interpretá-la indiretamente”.

 

Este argumento de “carta versus livro” não se aplica ao caso, uma vez que não se trata de uma carta comum. Geralmente, Srila Prabhupada escrevia uma carta em resposta a alguma questão específica de algum discípulo individualmente, ou para oferecer uma orientação oupunição individual. Naturalmente, nestes casos, a pergunta individual do devoto, a situação ou desvio pode dar motivo para uma interpretação. Nem tudo nas cartas de Srila Prabhupada pode ser aplicado universalmente (por exemplo, numa carta ele aconselha a um devoto que não se dava bem com temperos queapenas cozinhasse com um pouco de sal e tumerique; claramente esse conselho não se aplica ao Movimento inteiro). Todavia, a ordem final sobre iniciações não está aberta a qualquer interpretação, uma vez que ela não foi escrita em resposta a uma questão específica de uma pessoa em particular, ou dirigida a uma situação ou comportamento pessoal de algum discípulo. A carta do dia 9 de julho foi uma instrução formal ou um documento sobre medidas administrativas que foi enviado para todos os líderes no Movimento.

A carta segue o formato de qualquer outra instrução importante que Srila Prabhupada emitiu e queria que fosse seguida sem interpretações – ele a tinha colocado por escrito; eleaprovou-a, e então enviou-a para seus líderes. Por exemplo, ele tinha enviado uma ordem no dia 22 de abril de 1972, endereçada a TODOS OS PRESIDENTES DE TEMPLO:

“A obrigação do secretário regional é ver se os princípios espirituais sendo muito bem mantidos em todos os templos de sua zona. De qualquer forma, cada templo deverá ser independente e auto-sustentado”. (Srila Prabhupada, carta para todos os presidentes de templo, 22-4-72).

Srila Prabhupada não publicava um livro novo cada vez que ele emitia uma instrução importante, independente do fato de que tal instrução devesse continuar depois de sua partida ou não. Portanto, a forma na qual a instrução fora emitida não a torna suscetível à interpretações indiretas, e tampouco diminuem a sua validade de nenhum modo.

 

5. “Talvezhouvesse alguma condição especial envolvendo a emissão da ordem que prevenha sua aplicação depois da partida de Srila Prabhupada?”

 

Se tais circunstâncias tivessem existido, Srila Prabhupada as teria mencionado na carta ou em algum documento anexado. Srila Prabhupada sempre deu informação suficiente para capacitar a correta aplicação de suas instruções. Certamente, ele não agia com a suposição de que seus presidentes de templo eram todos místicos capazes de ler mentes, e que portanto ele apenas necessitavaenviar-lhes diretrizes fragmentadas e incompletas que mais tarde seriam compreendidas telepaticamente. Por exemplo, se Srila Prabhupada tivesse tido a intençãoque o sistema Ritvik parasse depois de sua partida, ele poderia ter anexado as seguintes palavras na carta do dia 9 de julho: “este sistema terminará depois de minha partida”. Uma olhada rápida a esta carta nos diz que ele queria que continuasse “henceforward” – daqui para frente (por favor veja os apêndices).

Algumas vezes se argumenta que o sistema Ritvik foi estabelecido apenas porque Srila Prabhupada estava doente.

Os devotos poderiam saber ou não qual era a extensão da enfermidade de Srila Prabhupada, mas como se poderia esperar que eles deduzissem de uma carta que ele não diz nada sobre sua saúde que essa foi a única razão para ela ter sido emitida? Quando foi que Srila Prabhupada disse que qualquer instrução que ele emitisse deveria sempre ser interpretada em conjunto com o seu último relatório médico? Por que deveriam os destinatários da ordem final sobre iniciações não assumir a carta como uma instrução geral para ser seguida sem interpretação alguma?

Srila Prabhupada já havia anunciado que ele tinha ido à Vrindavana para deixar seu corpo. Sendo tri-kala-jña, é muito provável que ele estivesse consciente de que iria partir dali a quatro meses. Ele havia estabelecido as instruções finais para a continuação do seu Movimento. Ele já havia escrito o seu testamento e outros documentos que se relacionavam com a BBT (Bhaktivedanta Book Trust) e o GBC, especialmente para prover uma orientação para depois de sua iminente partida. O único assunto que não havia sido estabelecido era do procedimento como seriam levadas a cabo as iniciações quando ele não estivesse mais conosco. Até então, ninguém tinha a menor idéia de como as coisas iriam funcionar. A ordem do dia 9 de julho esclarecia para todos precisamente como as iniciações deveriam ser efetuadas durante a sua ausência.

Em resumo, não se pode modificar uma instrução com uma informação à qual aqueles que a receberam não tivessem acesso. Por que Srila Prabhupada colocaria propositalmente em circulação uma instrução que ele sabia de antemão que ninguém poderia seguir corretamente, já que ele não havia dado a informação relevante junto com a instrução? Se o sistema Ritvik tivesse sido estabelecido simplesmente porque Srila Prabhupada estava enfermo, ele teria dito em alguma carta ou em algum documento anexado. Não existe nenhum registro de que Srila Prabhupada tenha propositalmente agido de um modo tão ambíguo pouco informativo, especialmente quandoinstruindo a todo o Movimento. Srila Prabhupada nunca assinou nada precipitadamente, e quando se considera a magnitude da instrução em questão, é inconcebível que ele tivesse deixado de fora qualquer informação vital.

 

6. “A ‘fita da nomeação’ contém informação relevante que claramente estabelece que a ordem do dia 9 de julho seria aplicada somente enquanto Srila Prabhupada estivesse fisicamente no planeta, não?  

 

No livreto GII do GBC a única evidência oferecida que apóia as modificações a) e b) é extraída de uma conversa que aconteceu em 28 de maio de 1977. O texto parece concordar que não há qualquer outra evidência entre as instruções que trate diretamente da função dos Ritviks depois da partida de Srila Prabhupada:

“Embora Srila Prabhupada não tenha repetido suas afirmações anteriores, estava entendido que ele esperava que seus discípulos iniciassem no futuro” (GII, pg. 14, ênfase adicionada).

Uma vez que essa é a única evidência, há uma seçãodedicada exclusivamente à essa conversa que ocorreu no dia 28 de maio. Basta dizer que ela não foi mencionada na carta do dia 9 de julho, tampouco Srila Prabhupada pediu que uma copia da fita da conversa fosse enviada com a ordem final. Disto nós podemos deduzir com absoluta segurançaque ela não contém sequer um fragmento de informação vital que modifique o entendimento da ordem final. Outro ponto importante é o fato de que a conversa do dia 28 de maiofoi lançada somentevários anos depois da partida de Srila Prabhupada. Portanto, mais uma vezse espera que modifiquemos uma instrução escrita e clara com uma informação que não estava acessível ao público a quem a instrução fora enviada. Como veremos mais adiante, não há nada na conversa de maio que contradiga a ordem final.

Como ponto geral, vemos que as últimas instruções dadas pelo gurusempre sobrepõem-se às instruções anteriores- a ordem final é a ordem final e deve ser seguida:  

“Eu posso dizer muitas coisas para você, porém quando digo algo diretamente para você, faça-o. Seu primeiro dever é fazer isso. Você não podeargumentarque ‘o senhor primeiro me disse que fizesse isso antes’. Não, este não é seu dever; o quedigo agora é o que deve fazer, isso é obediência e você não pode argumentar”.
(Aula de Srila Prabhupada sobre o S.B.,dia 14/04/75, Hyderabad).

Assim comono Bhagavad-gita o Senhor Krsna deu muitas instruções para Arjuna, falou todos os tipos de Yoga, do Dhyana ao Jñana, mas tudo isso foi sobreposto pela ordem final:

“Sempre pense em MIM e torne-se Meu devoto” – deve ser tomado como a ordem final do Senhor e deverá ser seguida”.
(Ensinamentos do Senhor Caitanya, cap. 11).

A ordem final dada por Sankaracarya “Bhaja Govinda”, também se destinava a sobrepor-se a muitosde seus enunciados anteriores – todos eles, de fato. Como mencionado na introdução, o próprio GBC reconhece isso como um princípio lógico axiomático:

“Em lógica, enunciados posteriores sobrepõem os anteriores em importância” (GII, pg.25).

 

7. “Srila Prabhupada declarou muitas vezes que todos os seus discípulos deveriam se tornar gurus. Certamente isso prova que Srila Prabhupada não tinha a intenção  que o sistema Ritvik fosse permanente”.

 

Não é possível que haja um enunciado posterior ao último. Portanto, devemos seguir o sistema Ritvik segundo a lógica do próprio GBC.

Srila Prabhupada jamais apontou ou instruiu ninguém para ser diksa-guru depois de sua partida. Nunca foi apresentada nenhuma evidência que confirme isso; de fato, muitos líderes antigos dentro da ISKCON aceitaram este ponto:  

“E é um fato que Srila Prabhupada jamais disse: ‘certo, aqui está o próximo acarya, ou aqui estão os próximos onze acaryas, e eles estão autorizados como gurus do Movimento para o mundo’. Ele nunca fez isso”. (Ravindra Svarupa das, San Diego, debate, 1990).

Srila Prabhupada inequivocadamente disse que o diksa-guru deve ser um maha-bhagavata (no mais avançado estágio da realização em Deus), eser especificamente autorizado pelo seu próprio mestre espiritual. Ele sempre condenou veementementeque aqueles quenão estivessem adequadamente qualificados ou autorizados aceitassem o papel de guru. Nós citamos abaixo a única passagemnos livros de Srila Prabhupada estão onde o termo diksa está vinculado a uma qualificação específica:

maha-bhagavata-srestho brahmano vai gurur nrnam
sarvesam eva lokanam asau pujyo yatha harih
maha-kula-prasuto' pi sarva-yajnesu diksitah
sahasra-sakhadhyayi ca na guruh syad avaisnavah
 

“O guru deve estar situado na plataforma mais elevada do serviço devocional. Há três classes de devotos, e o guru deve ser aceito vindo da mais elevada classe”
(CC, Madhya, 24.330, comentário).  

“Quando alguém alcançou a mais elevada posição de maha-bhagavata, ele deve ser aceito como guru e adorado exatamente como Hari, a Personalidade de Deus. Somente tal pessoa é elegível para ocupar a posição de guru”.
(C.C, Madhya, 24.330, comentário).

Além de qualificação, Srila Prabhupada também ensinou que a autorização específica do acarya predecessortambém é essencial antes de alguém poder agir como diksa guru:

“No todo, você talvez saiba que ele não é uma pessoa liberada, e portanto ele não pode iniciar qualquer pessoa para a Consciência de Krsna. Isso requer uma bênção espiritual especial de autoridades superiores”. (Srila Prabhupada, carta para Janardana, 26/4/68).  

“ Deve-se receber iniciação de um mestre espiritual fidedigno vindo na sucessão discipular e que é autorizado por seu mestre espiritual predecessor. Isto é chamado diksa-vidhana
(SB, 4.8.54, comentário).

Indiano:

Quando o senhor se tornou líder espiritual da Consciência de Krsna?

Srila Prabhupada:

O quê?

Brahmananda:

Ele está perguntando quando o senhor se tornou o líder espiritual da Consciência de Krsna?

Srila Prabhupada:

Quando meu Guru-maharaja me ordenou. Isso é guru parampara.

Indiano:

Foi isso...

Srila Prabhupada:

Tente entender. Não se apresse. Um guru pode se tornar guru quando ele é ordenado pelo seu guru. Isso é tudo. De outra forma, ninguém pode se tornar guru. (SP, palestra, 28/10/75).

Assim, de acordo com Srila Prabhupada, alguém pode se tornar diksa guru quando tanto a qualificação e a autorização existem. Srila Prabhupada não autorizou tais gurus, nem declarou que qualquer um dos seus discípulos era qualificado para iniciar. Ao contrário, pouco antes do dia 9 de julho, ele concordara que eles ainda eram “almas condicionadas” e quevigilância era essencial a fim de que ninguém se apresentasse como guru (por favor veja os apêndices, 22 de abril de 1977).

Evidências usadas para apoiar uma alternativa para o sistema Ritvik se dividem em três categorias básicas:

1. Srila Prabhupada pedia freqüentemente para todos se tornarem guru, muitas vezes juntamente com um verso do Caitanya-Caritamrta: “amara ajñaya guru hana”.

2. Há cerca de meia dúzia de cartas pessoais onde Srila Prabhupada menciona seus discípulos agindo como diksa-gurus após a sua partida.

3. Outras afirmações nos livros de Srila Prabhupada e palestras mencionam o princípio de que os discípulos seriam diksa-guru

Observando a categoria 1):

A instrução para todos se tornarem gurus é encontrada no seguinte verso do Caitanya-Caritamrta, o qual era frequentemente citado por Srila Prabhupada:

“Instrua todos para que sigam as ordens de Sri Krishna como foram dadas no Bhagavad-gita e no Srimad-Bhagavatam. Desta maneira torne-se mestre espiritual e tente liberar a todos nesta terra”.
(C.C., Madhya, 7.128, significado).

Contudo, o tipo de guru que o Senhor Caitanya está encorajandotodos a se tornarem está claramente estabelecido no comentário detalhado do verso seguinte :

“Isso é, devesse permanecer em casa, cantar o Mantra Hare Krsna e pregar as instruções de Krsna como são dadas no Bhagavad-gita e no Srimad Bhagavatam (C.C. Madhya, 7.128).  

“Pode-se permanecer como chefe de família, médico, engenheiro ou o que seja. Isso não importa. Devesse apenas seguir as instruções de Sri Caitanya Mahaprabhu: cante o maha-mantra Hare Krsnae instrua seus parentes e amigos sobre os ensinamentos do Bhagavad-gita e do Srimad-Bhagavatam (...) é me lhor não aceitar nenhum discípulo”.
(C.C. Madhya, 7.130, comentário).

Nós podemos ver que estas instruções não implicam que os gurus em questão devem primeiro alcançar algum nível de realização antes de agirem. O pedido é imediato. Disto, está claro que todos são simplesmente encorajados apregar o que eles sabem, e assim se tornar siksa-guru, ou instrutor. Isso é ainda mais claro pela estipulação de que o siksa-guru permaneça nessa posição, e nãoque se torne um diksa-guru mais tarde:                        

“É melhor não aceitar nenhum discípulo.” (C.C. Madhya, 7.130, comentário).

Aceitar discípulos é a principal atividade de um diksa-guru, enquanto que um siksa-guru simplesmente necessita executar seus deveres e pregar a Consciência de Krsna o melhor que possa. Está claro nos comentários de Srila Prabhupada que no verso acimao Senhor Caitanya está de fato autorizando siksa-gurus, não diksa-gurus.

Também está muito claro em muitas outras referências onde Srila Prabhupada encoraja a todos a se tornarem gurus:

yare dekha, tare kaha, krsna-upadesa. Não precisa inventar nada. O que Krsna já disse, você repete. Fim. Não faça adições e adulterações. Então você se tornaráguru (...) talvez eu seja um tolo ou patife (...) porém temos que seguir este caminho:torne-se guru e libere seus vizinhos, seus associados, mas fale as palavras oficiais de Krsna. Então funcionará (...) qualquer um pode fazer. Uma criança pode fazer”.
(Srila Prabhupada, darsana ao anoitecer, 11/05/77, Hrsikesh).

“Porque as pessoas estão na escuridão, nós precisamos de muitos milhões de gurus para iluminá-las. Portanto, a missão de Caitanya Mahaprabhu é, (...) Ele disse que ‘todos vocês se tornem gurus”.
(Srila Prabhupada, palestra, 21/05/76, Honolulu).
 

“Simplesmente diga (...) ‘apenas pense em MIM’, disse Krsna, e ‘apenas torne-se Meu devoto. Apenas adore-ME e ofereça reverências’. Por favor faça estas coisas. Se você pode induzir uma pessoa a fazer estas coisas, você se torna guru. Onde está a dificuldade?”
(Srila Prabhupada, conversação, 1/08/76, Paris).  

“O verdadeiro guru é aquele que instrui o que Krsna disse.. você tem simplesmente que dizer “é isto é isto”, isso é tudo. Isso é uma tarefa muito difícil.”
(Srila Prabhupada, palestra do dia 21/05/76, Honolulu).
 

“... ‘mas eu não tenho qualificação. Como eu posso me tornar guru?’ Não é necessário ter qualificação... quem quer que você encontre,simplesmente ensine o que Krsna disse. Isso é tudo. Você se torna guru ” (Srila Prabhupada, palestra do dia 21/05/76, Honolulu).

(Surpreendentemente, alguns devotos têm usado tais citações acima como uma justificativa para “um diksa-guru com uma mínima qualificação”, [1] algo nuncamencionado em nenhum livro de Srila Prabhupada, nem em suas cartas, nem em suas aulas ou conversações.)

Um exemplo de um guru que não tem qualificações exceto repetir o que ele escutou poderia ser encontrado em qualquer curso de introdução para bhaktas na ISKCON. Portanto, está perfeitamente claro que estes convites são simplesmente para que alguém se torne um mestre espiritual instrutor, ou siksa-guru. Sabemos isso porque Srila Prabhupada já explicou em seus livros que existemrequisitos muito mais estritos para que alguém se torne um diksa-guru:

“Quando alguém alcançou a mais elevada posição de maha-bhagavata, ele é aceito como guru e adorado exatamente como Hari, a Personalidade de Deus. Somente tal pessoa é elegível para ocupar a posição de guru”.
(C.C. Madhya,
24.330, significado).
 

“Deve-se tomar iniciação de um mestre espiritual fidedigno vindo na sucessão discipular e que é autorizado pelo seu mestre espiritual predecessor. Isto é chamado diksa-vidhana
(Srila Prabhupada,
4.8.54, comentário).

Como mostramos, Srila Prabhupada expressou que a instrução para se tornar um mestre espiritual tem que ser recebida especificamente do próprio guru. A instrução geral do Senhor Caitanya tem estado presente por 500 anos . É óbvio que Srila Prabhupada não considera “amara ajñaya guru hana” como se referindo especificamente a diksa, de outra forma por que nós precisaríamos de uma outra ordem especifica do guru para nos tornarmos acarya? Esta instrução geral do Senhor Caitanya deve se referir a siksa e não a diksa-guru. Diksa-guru é uma exceção, não a regra. Srila Prabhupada desejava milhões de siksa-gurus, incluindo homens, mulheres e crianças.               

Observando agora a categoria 2):  

Havia um punhado de devotos com excessiva confiança em si mesmos, ansiosos para iniciar a seus próprios discípulos na presença de Srila Prabhupada, aos quais Srila Prabhupada escreveucartas. Estas cartas às vezes são usadas para apoiar o sistema M.A.S.S.  Srila Prabhupada tinha uma abordagem bastante peculiar quando lidava com tais indivíduos ambiciosos. Geralmente, ele lhes dizia para que se mantivessem rigidamente em treinamento, e no futuro, após a sua partida física, eles poderiam aceitar discípulos:

“A primeira coisa que eu previno, Acyutananda, não tente iniciar. Você não tem uma posição apropriada agora para iniciar ninguém. (...) Não seja tentado por Maya. Eu estou treinando vocês todos para se tornarem futuros mestres espirituais, mas não sejamapressados”.
(Carta de Srila Prabhupada para Acyutananda e Jaya Govinda, 21/08/68).  

“Algum tempo atrás, você pediu minha permissão para aceitar alguns discípulos. Agora a época se aproxima muito rápido quando você terámuitos discípulos pelo seu forte trabalho de pregação”.
(Srila Prabhupada, carta para Acyutananda, 16/05/72).
 

“Eu tenho escutadoque alguns devotos estão adorandovocê. Por suposto, é apropriado oferecer reverênciasa um vaisnava, porém não na presença do mestre espiritual. Depois da partida do mestre espiritual, o momento virá, porém agora espere. Senão isso irá criar facções”.
(Carta de Srila Prabhupada a Hamsadutta, 1/10/74).
 

“Mantenha-se treinando muito rigidamente, e assim você se tornará um guru fidedigno e então poderá aceitar discípulos baseado no mesmo princípio. Porém, como uma questão de etiqueta, é o costume que durante a vida do mestre espiritual você lhe traga os candidatos a discípulos, e na sua ausência ou desaparecimento você pode aceitar discípulos sem nenhuma limitação. Esta é a lei da sucessão discipular. Quero ver meus discípulos tornarem-se mestres espirituais fidedignos e expandirem a consciência de Krsna muito amplamente, isso fará a mim e a Krsna muito felizes”.
(Carta de Srila Prabhupada para Tusta Krsna, 2/12/75).

(É interessante notarque enquanto GII cita esta lei para apoiar a doutrina do M.A.S..S., no mesmo documento se afirma que na realidade esta não é uma lei em absoluto):

“Há muitos de tais exemplos nas Escrituras, que falam de discípulos que dão iniciação na presença do seu guru, (...) nas Escrituras não há instruções específicas acerca de que o discípulo não deva dar iniciação quando o guru está presente”
(GII, pg. 23).

A ansiedade de aceitar adoração e seguidores é na verdade uma desqualificação para um mestre espiritual. Nós podemos apenas pasmar ao ver o poder do falso ego, pois mesmo na presença do acarya mais poderoso que o planeta jamais vira, algumas personalidades ainda assim se sentiam muito qualificadas para iniciar a seus próprios discípulos “debaixo do nariz” de Srila Prabhupada. [2]

Está aparente que, ao escrever para aqueles devotos dizendo para que eles poderiam aceitar discípulos se eles apenas esperassem um pouco, Srila Prabhupada estava simplesmente tentando mantê-los em serviço devocional. Assim fazendo pelo menos haveria a possibilidade de que com o tempo suas mentalidades ambiciosas pudessem se purificar:

Devotos humildes que diligentemente executavam seu serviço em sacrifício abnegado para seu mestre espiritual jamais receberam uma carta descrevendo seu brilhante futuro como diksa-gurus. Por que Srila Prabhupadaprometeu o posto de diksa seriamente apenas para aqueles que eram os mais ambiciosos, e portanto menos qualificados?

No que concerne às afirmações para o efeito de que eles seriam livres para iniciar após a sua partida, isso é verdade. Assim comona Inglaterra alguém é livre de dirigir um carrouma vez que tenha 17 anos. Porém, não devemos esquecer aqueles dois pequenos requisitos. Primeiro, que ele deve ser devidamente qualificado para dirigir, e segundo, que ele deve ser autorizado para dirigir obtendo uma licença. O leitor pode fazer seus próprios paralelos.

Outra carta que é citada apoiando o M.A.S.S. diz:

“Pelo ano de 1975, todos aquelesque passaram nos exames mencionados serão especificamente autorizados para iniciar e aumentar o número da população da Consciência de Krsna”
(Carta de Srila Prabhupada a Kirtanananda, 12/01/69).  

Seráque esta afirmação justifica o término da ordem final sobre iniciação?

Uma vez que essa é uma tentativa de terminar com o sistema Ritvik através do uso de cartas pessoais, nós evocaremos a ‘lei da sucessão discipular’ ensinada por Srila Prabhupada. A primeira parte da “lei” diz que o discípulo não deve agir como acarya iniciador enquanto seu próprio guru estiver presente fisicamente. Uma vez que esta é a “lei”, claramente esta carta não poderia se referir a que os discípulos de Srila Prabhupada iniciariam em seu próprio nome, uma vez que Srila Prabhupada ainda estava no planeta no ano de 1975. Portanto, nós podemos somente concluir que desde 1969 Srila Prabhupada estava contemplando estabeleceralgum tipo de sistema como o de iniciação por representantes. Pelo ano de 1975, Srila Prabhupada já haviaautorizado devotos como Kirtanananda para cantar nas contas e conduzir as iniciações em seu nome. A carta acima mencionada parece então predizero futuro uso de representantes para executar as iniciações. Posteriormente, ele chamou estes representantes “Ritviks” e formalizou as suas funções na ordem do dia 9 de julho. Novamente, seria tolice sugerir que Srila Prabhupada tenha de fato autorizado Kirtanananda a agir como acarya iniciador na sampradaya tão logo passasse em alguns exames.  

“Quem quer que siga a ordem do Senhor Caitanya sob a guia do Seurepresentante fidedigno pode tornar-se mestre espiritual, e desejo que em minha ausência todos os meus discípulos se tornem mestres espirituais fidedignos para espalhar a consciência de Krsna através do mundo todo”.
(Srila Prabhupada, carta para Madhusudana, 2/11/67).
 

Usando a citação acima, tem sido argumentado que uma vez que Srila Prabhupada já mencionara que seus discípulos devem se tornar mestres espirituais em sua ausência deve estar se referindo à diksa, pois eles já eram siksa-gurus. Contudo, Srila Prabhupada pode ter simplesmente reiterado seu encorajamento geral para que todos os seus discípulos se tornassem bons mestres espirituais siksa, e que eles deveriam continuar a se tornar bons mestres espirituais siksa também na sua ausência. Definitivamente não há mençãona citação acimaque seus discípulos iniciariam ou aceitariamseus próprios discípulos. A sentença “mestres espirituais fidedignos para espalhar a Consciência de Krsna através do mundo todo” é igualmente aplicável a siksa-gurus.

Mesmo se tais cartas fizessem alusão a algum outro tipo de sistema de gurus, ainda assim elas não poderiam serusadas para modificar as instruções da Ordem Final do dia 9 de julho, já que as instruções não foram repetidas para o resto do Movimento. As cartas em questão não foram sequer publicadas até 1986. Ocasionalmente, se alega que algumas destas cartas pessoais foram passadas adiante para outros membros da Sociedade. Isto pode ter sido ou não o caso, porém o ponto importante a observar é que os mecanismos de tais distribuições parecem nunca terem sido estabelecidos ou aprovados por Srila Prabhupada. Não temos nenhuma evidência de que Srila Prabhupada ordenou que sua correspondência privada fosse distribuída para todo mundo. Ele somente uma vez sugeriu casualmente que suas cartas poderiam ser publicadas “se houvesse tempo”, porém nunca indicou que sem estes documentos ninguém saberia como operar de forma apropriada o M.A.S.S. depois de sua partida.

Para formar um caso concernente ao que se deveria de ter sido feito em 1977, pode-se usar somente a evidênciaque estava prontamente disponível de uma forma autorizada naquele tempo. Se em tais cartas de fato estivesse a chave de como ele planejou as iniciações para serem conduzidas pelos próximos dez mil anos, seguramente Srila Prabhupada as teria publicado edistribuído em massa,sendo um assunto de extrema urgência . Pois haveria uma considerável possibilidadede que nem todos os líderes tivessem lido sua correspondência privada, e como resultado,obtido um entendimento claro sobre como as iniciações precisamente seriam conduzidas depois de sua partida. Nós sabemos que e isso é mais do que uma possibilidade, já que todo o GBC ainda não tinha idéia do que Srila Prabhupada estava planejando até o dia 28 de maio de 1977 (por favor veja os apêndices).

Considerando o que foi dito acima, qualquer tentativa de modificar a carta do dia 9 de julho com base nestas poucas cartas somente pode ser considerada inapropriada. Se tais cartas tivessem sido apêndices vitais à ordem final de Srila Prabhupada, ele certamente teria deixado isso claro na própria ordem ou em algum documento anexado.

Enfim, a única posição que foi outorgada a cada um deles no que concerne às iniciações, foi aposição de representantes do acarya, ou seja, Ritviks.              

Finalmente, nós iremos observar a categoria 3):

Há várias citações extraídas dos livros e palestras de Srila Prabhupada que são utilizadas para justificar o abandono do sistema Ritvik . Nós agora iremos examinar estas evidências.

Nos livros de Srila Prabhupada tudo o que iremos encontrar são as qualificações de um diksa-guru, declaradas em termos gerais. Não há menção especifica de que seus próprios discípulosse tornariam diksa-gurus. Ao contrário, as citações meramente reiteram o ponto de quedeve-se estar altamente qualificado e autorizado mesmo antes de tentarse tornar um diksa-guru:

“Aquele que agora é discípulo será o próximo mestre espiritual. E alguém não poderá ser um mestre espiritual fidedigno e autorizado a não ser que seja estritamente obediente ao seu mestre espiritual”.
(S.B.,
2.9.43, comentário).

A citação mencionada acima dificilmentedá carta branca para alguém iniciar apenas porque seu guru  abandonou o planeta. O conceito do guru deixando o planeta nem mesmo émencionado aqui. Somente a idéia de que eles devem ser autorizados e estritamente obedientes. Nós também sabemos que primeiro eles devem ter alcançado a plataforma de maha-bhagavata.

Alguns devotos apontam a seção em Fácil Viagem a Outros Planetas (p.32) que tratade “gurus” monitores como sendo uma evidência para apoiar o M.A.S.S. e oresultante desmantelamento do sistema Ritvik. Contudo, esta inteligente analogiaestá claramente definindo a posição de siksa, não de diksa-gurus. Nesta passagem o monitor atua em nome do seu mestre. Ele mesmo não é o mestre. Ele pode se tornar tão qualificado quanto o mestre, mas isso é um processo, e não é descrito como sendo automático na partida do mestre (quem obviamente corresponde ao diksa-guru). Um guru monitor pode apenas ter, por definição, discípulos siksa e em número limitado. Uma vez que tal monitor se torne qualificado, ou seja, alcance a plataforma de maha-bhagavata, e então seje autorizado pelo seu acarya predecessor, não faz mais sentido chamá-lo de monitor, pois ele será um mestre por seu próprio direito. Uma vez que ele é um mestre por seu próprio direito, ele poderá aceitar inúmeros discípulos. Portanto, o monitor é o siksa-guru e o mestre é o diksa-guru, e por seguir estritamente o diksa-guru, o siksa-guru poderá gradualmente elevar-se à plataforma na qual ele poderá pelo menos tornar-se qualificado para ser um diksa-guru. Além do mais, um monitor é meramente um assistente do mestre enquanto o mestre estiver presente. Novamente, isso é uma variância na “lei” da sucessão discipular que é utilizada para apoiar o M.A.S.S.  Um monitor não é uma entidade que vem a substituir ou suceder o seu mestre, e sim para atuar paralelamente com o mestre.

Certamente o sistema de monitores de forma alguma apóia as suposições a) e b) do GBC: que o sistema Ritvik deveria pararcom a partida de Srila Prabhupada, e que os Ritviks então poderiam automaticamente se tornar diksa-gurus.

Há outras circunstâncias fora das cartas pessoais de Srila Prabhupada que são citadas como sendo uma autorizaçãoque seus discípulos se tornassem diksa-gurus:

“Agora, dez, onze, doze. Meu guru Maharaja é o décimo depois de Caitanya Mahaprabhu, eu sou o décimo primeiro, vocês são os décimo-segundos. Assim, distribuam este conhecimento.”
(Srila Prabhupada, palestra de chegada, 18/05/72, Los Angeles).
 

“Ao mesmo tempo, eu lhes pedirei a todos que se tornem mestres espirituais. Cada um de vocês deve ser o mestre espiritual seguinte”
(aula no Vyasa-puja, 5/09/69, Hamburgo).

A primeira citação menciona claramente que os discípulos de Srila Prabhupada são os décimo-segundos – “... vocês são os décimos-segundos”. Portanto, isso não é nenhum tipo de autorização para que se tornem diksa-gurus no futuro, senão uma afirmação de que simplesmente estão levando a mensagem do parampara. A segunda citaçãoé de caráter semelhante. Indubitavelmente menciona que seus discípulos são os seguintes na ordem de sucessão. Porém, como a primeira citação afirma, a sucessão já existia por força da pregação vigorosa de seus discípulos. De qualquer maneira, não há uma ordem explícita para que aceitem discípulos, mas simplesmente que preguem. Apenas pelo fato de que ele estava pedindo a seus discípulos que se tornassem mestres espirituais mais tarde, isso não significa que ele queria que se tornassem os próximos mestres espirituais iniciadores. Insistir nisso é pura especulação. De fato, nós sabemos que isso é errado, uma vez que a ordem final deixa claro de que os seus discípulos deveriam apenasagir como representantes do acarya, e não para dar qualquer tipo de iniciação ou diksa.

O argumento que tais afirmações sobrepõem-se à ordem final éinfundado efacilmente derrotado por outras afirmaçõesfeitas por Srila Prabhupada, especialmente em relação ao que deveria acontecer após a sua partida, o que contradiz completamente a proposição dita:

Repórter

O que irá acontecer com o Movimento nos Estados Unido, quando o senhor morrer?

Srila Prabhupada:

Eu nunca morrerei.

Devotos:

Jay! Haribol! (risos)

Srila Prabhupada:

Eu viverei para sempre em meus livros e vocês os utilizarão.

(Srila Prabhupada, conferência com a imprensa, 16/07/75, São Francisco).

Aqui estaria uma clara oportunidade para que Srila Prabhupada delineasse seus planos para introduzir o M.A.S.S. se essa fosse a sua intenção. Porém, em vez disso,ele disse que ninguém iria sucedê-lo, poisjamais morreria. Disso nós podemos entender que Srila Prabhupada é um mestre espiritual vivo que continua distribuindo conhecimento transcendental (o constituinte mais importante de diksa), através de seus livros; e que isso continuará por tanto tempo enquanto exista a ISKCON. O papel de seus discípulos será o de facilitar o processo.

“Não se torne um acarya prematuro. Primeiramente, siga todas as ordens do acarya, e então amadureça. É melhor que ele se torne acarya naquele momento. Porque estamos interessados em preparar acaryas, mas a etiqueta é que pelo menos pelo período de tempo no qual o guru esteja presente, alguém não deverá se tornar acarya. Mesmo se ele completou seu treinamento, porque a etiqueta é que se alguém vem para ser iniciado, é dever de tal pessoa trazer ocandidato ao seu acarya
(Aula de Srila Prabhupada sobre o C.C., 6/04/75, Mayapur).

A citação acima menciona o princípio de que seus discípulosse tornem acaryas. No entanto, toda a ênfase é que eles nãodevem se tornar agora. De fato, Srila Prabhupada parece apenas mencionar o princípio de que seus discípulos se tornem acarya como que para adverti-los para que não o fizessem em sua presença. Esta éuma linha similar àquela nas cartas pessoais mencionadas acima. Claramente, esta não é uma ordem especifica para qualquer indivíduo em particular aceitar seus próprios discípulos, mas ao contrário, a afirmação genérica de um princípio. Como veremos mais adiante na seção sobre a “fita da nomeação,”queé usada no GII como a principal evidência para oM.A.S.S., até maio de 1977 Srila Prabhupada não havia dado nenhuma a ordem para diksa-guru (“Sob minha ordem, (...) mas pela minha ordem, (...) quando eu ordenar”). E esta situação permaneceu inalterada até a sua partida. Além disso, mais tarde na mesma aula ele encoraja a seus discípulos a canalizarem essa ambição de ser acarya da seguinte maneira:

“Ese tornar acarya não é muito difícil (...) amara ajñaya guru hana tara ei desa, yare dekha tare kaha krsna-upadesa: ‘ao seguir Minha ordem, você se torna guru’. (...) então, no futuro... suponhamos que agora vocês tenham agora dez mil. Nós iremos expandir para cem mil. Isso é necessário. Então de cem mil para um milhão, e de um milhão para dez milhões’”.
(Srila Prabhupada, palestra sobre o C.C., 6/04/75, Mayapur)
.  

Já foi demonstrado que a instrução do Senhor Caitanya foi para que todos pregassem vigorosamente fazendo muitos seguidores conscientes de Krsna, mas não para aceitar discípulos. Este ponto é reforçado quando Srila Prabhupada encoraja os seus discípulos a fazerem mais e mais devotos. É significativo que Srila Prabhupada tenha dito : “suponhamos que agora vocês tenham dez mil...” (ou seja, na presença de Srila Prabhupada). Disto está claro que ele está falando sobre os seguidores da Consciência de Krsna, não de “discípulos de seus discípulos”, uma vez que o ponto principal da palestra foique eles não deveriam iniciar na sua presença. A implicação é que assim como naquela épocapoderia haver em torno de dez mil seguidores da Consciência de Krsna , no futuro muitos milhões seriam adicionados. O sistema Ritvik era para assegurar que quando aqueles seguidores se tornassem adequadamente qualificados para obter a iniciação, eles poderiam receber diksa de Srila Prabhupada, assim como eles podiam quando ele deu a aula acima.                

 

Conclusão  

Não há evidência de que Srila Prabhupada emitiu ordens específicas para que seus discípulos se tornassem diksa-gurus, assim estabelecendo uma alternativa ao sistema Ritvik.

O que temos são umas poucas cartas pessoais não publicadas (naquela época), enviadas apenas para indivíduos que estavam desejosos de se tornarem diksa-gurus mesmo na presença de Srila Prabhupada, alguns dos quais recém tinham acabado de unir-se ao Movimento. Em tais casos, se lhes foi dito que esperassem pelo menos até que Srila Prabhupada se fosse do planeta antes de satisfazerem suas ambições. O próprio fato de que estas cartas não estavam publicadas na épocada carta de 9 de julho significa que não existia nenhuma intenção de que estas tivessem uma influência direta no futuro das iniciações dentro da ISKCON.

Além do mais, os livros e conversações de Srila Prabhupada apenas contém instruções para que seus discípulos se tornem siksa-gurus. Embora o princípio geral de que um discípulo se torne diksa-guru seja mencionado, Srila Prabhupada não ordena especificamente a seus discípulosque iniciem e aceitem seus próprios discípulos.

As citações acima mencionadas não representam base para suplantar a instrução explícita do dia 9 de julho; uma ordem que foi distribuída para todo o Movimento como um específico documento regulamentar. Claramente não existe um documento equivalente que confirme oM.A.S.S.

Deste modo, a idéia de que Srila Prabhupada havia ensinado constantemente que todos seus discípulos deveriam se tornar diksa-gurus imediatamente após a sua partida, pouco tempo depois da sua partida ou em outro momento no futuro não é mais do que um mito.

É dito comumente que Srila Prabhupada não precisava especificar na carta do dia 9 de julho o que deveria ser feito nas iniciações futuras, já que ele tinha precisamente explicado muitas vezes em seus livros, cartas, palestras e conversações o que ele queria que acontecesse. Lamentavelmente, esta declaração, além de ser totalmente falsa, faz surgir outros absurdos:

Ainda que tenhamos sido um tanto críticos ao texto GII do GBC, há uma passagem nele que se relaciona com este tema, na qual nós sentimos que capta totalmente a humorque irá reunir a família de Srila Prabhupada:

“O único dever de um discípulo é adorar e servir seu mestre espiritual. Sua mente não deverá agitar-se pensando como ele deverá se tornar guru. Um devoto que sinceramente quer avançar espiritualmente deverá tentar tornar-se um discípulo,não um mestre espiritual
(GII,
pg.25, GBC, 1995).

Nós não poderíamos senão concordar.

 

8. “Não haverá algum princípio sástrico, nos livros de Srila Prabhupada que proíba a concessão de diksa quando o guru não está no mesmo planeta do discípulo?”

 

Não existe tal afirmação nos livros de Srila Prabhupada, e uma vez que os livros de Srila Prabhupada contêm todos os princípios sástricos essenciais, tal restrição não poderá existir em nossa filosofia.  

O uso do sistema Ritvik depois da partida de Srila Prabhupada de fato estaria de acordo com muitas das instruções em que Srila Prabhupada enfatiza a inconsistência da associação física na relação guru/discípulo (ver apêndices). Depois de ler estas citações, poderemos ver como alguns membros do GBC apresentaram diferentes versões ao longo dosanos:

“Srila Prabhupada ensinou-nosque a sucessão discipular é algo vivo (...) a lei da sucessão discipular é quedevemos nos aproximar de um mestre espiritual vivo – vivo no sentido de estar presente fisicamente”.
(Sivarama Swami, ISKCON Journal, pg.31, Gaura Purnima, 1990).

Isso é difícil de conciliaresta asserção com as seguintes afirmações:

“A presença física não é importante”
(Srila Prabhupada, conversa, 6/10/77, Vrindavana).
 

Ou  

“A presença física é imaterial”
(Srila Prabhupada, carta, 19/1/67).

Certamente nós deveremos ter um guru que é externo, uma vez que no estado condicionado pura rendição à Superalma não é possível, mas em nenhum lugar Srila Prabhupada ensina que este guru físico tem que estar também fisicamente presente:

“Portanto,devemos nos aproveitar de vani, não da presença física” (C.C., Antya, palavras conclusivas).  

Srila Prabhupada demonstrou este princípio praticamente iniciando um grande número de discípulos sem nem mesmo encontrar-se com eles fisicamente. Este fato por si mesmo prova que diksa pode ser obtida sem nenhum envolvimento físico do guru. Não há nada no sastra, ou de Srila Prabhupada, relacionando diksa com presença física. Portanto, a continuação do sistema Ritvik é perfeitamente consistente tanto com o exemplo do sastra como com o exemplo que nosso acarya estabeleceu enquanto estava fisicamente presente.

Em uma das principais seções sobre diksa nos livros de Srila Prabhupada, se afirma que o único requisito para recebê-la é o que o guru esteja de acordo. Este consentimento foi totalmente delegado aos Ritviks.

“Então, sem esperar por mim, quandoquer que vocês considerem correto. Isso dependerá de discrição.”
(conversa com Srila Prabhupada em seu quarto, 7/7/77, Vrindavana)

Srila Prabhupada nos instrui que:

“Sobre o tempo para diksa (iniciação), tudo depende da posição do guru (...) Se o sad-guru, o mestre espiritual fidedigno concordar, alguém poderá ser iniciado imediatamente, sem esperar por um tempo ou local adequados”.
(C.C. Madhya, 24.331, comentário).

É significativo observar que não há uma estipulaçãoque o diksa-guru e o discípulo futuro devam ter contato físico ouque o diksa-guru tenha que estar fisicamente presente para dar sua aprovação (também é interessante que Srila Prabhupada use o termo sad-guru comoequivalente ao termo diksa-guru). Srila Prabhupada afirmou muitas vezes que o requisito para ser iniciado era simplesmente obedecer às regras e regulações que ele tinha ensinado tantas vezes:  

“Este é o processo de iniciação. O discípulo deve admitir que ele não irá maiscometer atividades pecaminosas (...) Ele promete seguir as ordens do mestre espiritual. Então, o mestre espiritual toma cuidado dele e o eleva para a emancipação espiritual”
(C.C., Madhya, 24.256).  

Devoto:

Qual a importância da iniciação formal?

Srila Prabhupada:

Iniciação formal significa aceitar oficialmente e obedecer às ordens de Krsna e Seu representante. Isto é iniciação formal.

(Srila Prabhupada, palestra, 22/2/73, Auckland)  

Srila Prabhupada:

Quem é meu discípulo? Primeiro de tudo, que ele siga estritamente as regras de disciplina.

Discípulo:

Então, enquanto ele estiver seguindo, ele é...

Srila Prabhupada:

Então tudo está bem.

(Srila Prabhupada, caminhada matinal, 13/06/76, Detroit)  

“... ao menos que haja disciplina, não há questão de ser discípulo. Discípulo significa aquele que segue a disciplina”
(caminhada matinal, Srila Prabhupada, 8/03/76, Mayapur).  

A definição da palavra diksa implica em uma conexão com o guru estando fisicamente presente no planeta?  

diksa é o processo pelo qual alguém pode despertar seu conhecimento transcendental e aniquilar todas as reações causadas por atividades pecaminosas. Uma pessoa perita no estudo das escrituras reveladas conhece este processo como diksa”.
(C.C., Madhya, 15.108, significado)  

Não há nada nesta definição de diksa que de algum modo implique que o guru precisa estar no mesmo planeta do discípulo para que o processo funcione apropriadamente. Por outro lado, as instruções de Srila Prabhupada e o seu exemplo pessoal provam categoricamente que os elementos que constituem diksa podem ser utilizados sem a necessidade do envolvimentofísico do guru.  

“A recepção de conhecimento espiritual jamais é obstruída por nenhuma condição material”
(S.B., 7.7.1, comentário).
 

“A potência do som transcendental nunca é minimizada porque aquele que o vibrou aparentemente esteja ausente”.
(S.B., 2.9.8, significado).
 

Assim, todos os elementos de diksa – conhecimento transcendental, receber o mantra, etc. - podem ser efetivamente entregues sem a presença física do guru.  

Em suma, pode ser mostrado conclusivamente que não existe princípio sástrico mencionado em nenhum dos livros de Srila Prabhupada que prevenha a concessão de diksa uma vez que o guru tenha abandonado o planeta. Emboraprecedente histórico às vezes seja citado como objeção, um precedente histórico não é um princípio sástrico. Ainda que o precedente histórico possa servir como evidência ao aplicar um princípio sástrico, a falta de precedente histórico não prova necessariamente que um princípio sástrico tenha sido violado. Portanto, nossa filosofia está baseada em seguir os mandamentos sastricos, não a tradição histórica. Esta é a mesma coisa que diferencia a ISKCON de qualquer outro grupo Gaudiya Vaisnava. Na Índia existem muitos smarta brahmanas influentes que criticam fortemente a falta de adesão à tradição demonstrada por Srila Prabhupada.  

Afirmações sástricas, junto com os exemplos práticos de Srila Prabhupada mesmo, apóiam plenamente o princípio de que diksa não depende de modo algum da presença física do guru.    

 

9. “Uma vez que esta instrução levaria a um sistema que não tem precedente nem base histórica, ela deve ser rejeitada”.

 

Esta não pode ser a razão para rejeitar a carta do dia 9 de julho, uma vez que Srila Prabhupada estabeleceu muitos precedentes (como por exemplo, reduzindo o número de voltas de japa para dezesseis; fazendo casamentos, permitindo mulheres viverem no templo, dando o mantra Gayatri por fita, etc.). De fato, existe uma diferenciação que retrata os acaryas de nossa linhagem pois, praticamente sem exceção, eles possuem seus próprios precedentes históricos. Como acaryas, eles possuem prerrogativas para fazerem isso, ainda que de acordo com os princípios sástricos. Como já foi mencionado, o uso de Ritviks sem a presença física do guru no planeta não viola qualquer princípio sástrico. Os livros de Srila Prabhupada contêm todos os princípios sástricos essenciais, e uma vez que não há menção em seus livros de que o guru necessita estar no planeta no momento da iniciação, isso não pode ser um princípio. Assim, o precedente histórico de continuar a usar Ritviks depois da sua partida pode apenas ser uma mudança em detalhe, não em princípio.  

Srila Prabhupada fez muitas coisas, particularmente conectadas com iniciação, que foram sem precedentes e nós não as rejeitamos. Poderia se argumentarque ele explicou algumas destas mudanças em seus livros. Isso é verdade, mas há muitas mudanças que ele não explicou em seus livros. Além do mais, não há necessidade de dar explicações detalhadas sobre o sistema Ritvik em seus livros, uma vez que ele tinha demonstrado praticamente seu protótipo por muitos anos, com o toque final de como o sistema deveria continuar plenamente elucidado na ordem da carta do dia 9 de julho. Srila Prabhupada jamais nos ensinou a apenas seguir cegamente a tradição:  

“Nossa única tradição é como satisfazer a Visnu”
(Srila Prabhupada, palestra do B.Gita, 30;07;73, Londres).
 

“Não. Tradição, religião, elas são materiais. Elas todas são designações também”.
(Srila Prabhupada, conversa no quarto, 13-03-75), Teheran
 

Se precisamente a mesma ordem que nós recebemos de Srila Prabhupada fora alguma vez emitida por um acarya anterior ou não, é completamente irrelevante. Nossa única obrigação é seguir as ordens dadas por nosso próprio acarya.  

Se um sistema de iniciação pode ser rejeitado unicamente com base na não existência de um exato precedente histórico, então necessariamente estaríamos forçados a rejeitar o atual sistema de gurus dentro da ISKCON pelo mesmo princípio.  

Nunca antes esteve um grupo de diksa-gurus subordinados a um comitê, o qual tem o poder de suspender ou de anular suas atividades de iniciadores. Nenhum acarya anterior em nossa linhagem fora jamais eleito para atuar como tal com 2/3 dos votos, nem subseqüentemente caíra presa de grosseiras atividades pecaminosas, e como conseqüência, fora repentinamente retirado da “sucessão discipular”. Nós rejeitamos tais práticas irregulares, não com base em precedentes históricos, mas porque elas chocam violentamente com os princípios básicos da filosofia Vaisnava encontrados nos livros de Srila Prabhupada, e são uma descarada violação da ordem final de Srila Prabhupada.  

O fato de que um sistema como o Ritvik não ser mencionado diretamente nos sastras ou em antigos textos védicos também não é pertinente. De acordo com algumas regras védicas, sudras e mulheres nem mesmo podem receber iniciação brahmínica de forma alguma:  

diksa não pode ser oferecida a um sudra (...) esta iniciação é oferecida não de acordo com as regras védicas, porque é muito difícil encontrar um brahmana qualificado”.
(Srila Prabhupada, palestra sobre o B.G., 29/03/71, Mombay).
 

Assim, estritamente falando, Srila Prabhupada não deveria ter iniciado nenhum dos seus discípulos ocidentais, uma vez que eles todos tiveram um nascimento inferior à mais baixa casta védica. Srila Prabhupada foi capaz de sobrepor-se a tais leis védicas através da invocação deinjunções sástricas de uma ordem mais elevada. Ele algumas vezes exercitou essas injunções de um modo nunca antes aplicado.  

“ Assim como Hari não está sujeito à crítica de regras e regulamentos mundanos, o mestre espiritual empoderado por Ele também não está sujeito .” (C.C., Madhya, 10.136, texto e significado).  

“Portanto, a misericórdia da Suprema Personalidade de Deus e Isvara Puri não está sujeita a qualquer regrae regulamento védico.”
(C.C., Madhya, 10.137).  

O ponto importante é que, embora o sistema Ritvik possa ser totalmente único-pelo menos ao que sabemos- ele não violaprincípios sástricos mais elevados. Issotestifica o gênio de Srila Prabhupada, que era capaz de aplicar tais princípios sástricos de forma nova de acordo com o tempo, lugar e circunstâncias.  

Talvez ainda teremos que realizar quão único Srila Prabhupada é . Nunca houve um acarya mundial antes. Nenhum acarya anterior afirmou que seus livros seriam os livros da lei para a humanidade durante os próximos dez mil anos. Nunca houve nada como a ISKCON antes. Por que, então, deveríamos nos surpreender que tal personalidade sem precedentes tenha decididoestabelecer um sistema de iniciação aparentemente incomum?

 

10. “Uma vez que não há menção especifica do sistema Ritvik antes do dia 9 de julho de 1977, não é possível ter sido a intenção de Srila Prabhupada que tal sistema continuasse depois do desaparecimento de seu desaparecimento”.

 

Esta objeção se apóia na premissa que Srila Prabhupada nunca iria ‘lançar’ nada de novo no Movimento. Tomada de forma literal, esta objeção é absurda, pois significa que qualquer ordem do guru pode ser rejeitada se for nova ou mesmo se for um pouco diferente das outras que foram emitidas anteriormente. Se infere que em seus últimos meses Srila Prabhupada não teriaemitido instruções extremistas sobre a sua Sociedade a menos que todos já estivessem familiares com elas.  

Como nós já explicamos, o sistema Ritvik não é “novo” de forma alguma. Antes da carta do dia 9 de julho, a experiência de iniciação, diksa, no Movimento tinha sido predominantemente através de representantes. Srila Prabhupada era o diksa-guru da ISKCON, e a maioria das cerimônias de iniciação, particularmente nos anos finais, foram executadas pelos presidentes de templo ou por algum outro representante ou sacerdote.  

A mais notável diferença após 9 de julho de 1977 foi que a aceitação de novos discípulos agora seriafeita pelos representantes sem recorrer a Srila Prabhupada. A cartaque era enviada para os novos iniciados não seria mais assinada por Srila Prabhupada, como havia sido no passado, e a seleção dos nomes dos iniciados seria feita pelos Ritviks. Também o procedimento agora estava ligado com a palavra relativamente desconhecida –Ritvik.  

Conectar-se com um acarya fidedigno através do uso de um representante fora a experiência de iniciação familiar para milhares de discípulos. A carta do dia 9 de julho define a palavra “Ritvik ” com o significado: “representante do acarya”. Claramente, o sistema de ser iniciado por Srila Prabhupada através do uso de representantes não era nada novo de forma alguma. Isso foi meramente uma continuação do que Srila Prabhupada tinha ensinado e colocado em prática tão logo o seu Movimento alcançou um estado de rápido crescimento.  

Por que teriasido um choque tão grande o fato de que este sistema continuaria depois do dia 14 de novembro de 1977?  

Apesar de ser uma palavra não familiar para muitos, a palavra “ Ritvik ” não era nova. Estae suas derivações já haviam sido definidas 32 vezes por Srila Prabhupada em seus livros. O que era novo era o sistema o qual já estava existindo por muitos anos agora fora colocado por escrito, com o necessário ajustamento para o futuro. Dificilmente isso seria surpreendente, uma vez que Srila Prabhupada estava nessa época emitindo muitos documentos por escrito a respeito do futuro do seu Movimento. Este arranjo foi de fato mais um endorsamento do sistema que todos já consideravam prática padrão.  

Ironicamente, de fato o que foi “novo” era a curiosa metamorfose dos Ritviks em “puros sucessores do acarya, material e espiritualmente”. Esta inovação particular veio a chocar muitas centenas de discípulos que deixaram o Movimento imediatamente após a sua implementação, e milhares os seguiriam.

              

Resumo  

Nós demonstramos que não háevidência direta apoiando o término do sistema Ritvik com a partida de Srila Prabhupada, nem a subseqüente transformação dos Ritviks em diksa gurus – suposições a) e b). Mesmo que houvesse uma evidência indireta muito forte apoiando as suposições a) e b), ainda assim seria discutível se essa evidência poderia de fato suplantar a evidência direta, uma vez que esta geralmente prevalece. Contudo, como acabamos de demonstrar, não existe sequer um fragmento de evidência indireta que apóie o desmantelamento do sistema Ritvik depois da partida de Srila Prabhupada. Assim:  

1. Uma instrução que foi emitida para todo o Movimento para ser seguida – evidência direta;

2. Um exame da própria instrução , bem como de outras instruções subseqüentes, apenas apóiam a continuação do sistema Ritvikevidência direta.

3. Não háevidência direta de que Srila Prabhupada especificamente ordenou que terminassem com o sistema Ritvik depois de sua partida.

4. Não há também nenhuma evidência direta com base na instrução, sastra, outras instruções, circunstâncias especiais, antecedentes, a natureza e o contexto da instrução, nem qualquer outra que possamos conceber, que seja um fundamento para parar com o sistema Ritvik na ocasião da partida de Srila Prabhupada. É interessante que aoexaminar estes outros fatores nós encontramos apenas mais evidências indiretas apoiando a continuação da ordem.  

Em vista da análise acima, nós humildemente propomos que revogar a instrução de Srila Prabhupada do dia 14 de novembro de 1977 com respeito às iniciações foi no mínimo um ato arbitrário e desautorizado. Não podemos encontrar evidências que apóiem as suposições a) e b), as quais, como dissemos, formam a própria base do sistema atual de gurus na ISKCON. Voltar a cumprir a ordem original de Srila Prabhupada é nossa única opção como discípulos, seguidores e servos de Srila Prabhupada.    

                                          

 

A FITA DA NOMEAÇÃO

 

 

Modificação a):que a nomeação de Ritviks ou representantes foi somente temporária, especificamente para terminar com a partida de Srila Prabhupada.

Modificação b):tendo cessado sua função como representantes, os Ritviks deveriam automaticamente se tornar diksa-gurus, iniciando pessoas como seus próprios discípulos, e não de Srila Prabhupada.

O GBC proclama no texto GII que a única justificação para as modificações a) e b) na instrução final do dia 9 de julho vem de uma conversa gravada no quarto de Srila Prabhupada, a qual aconteceu em Vrindavana no dia 28 de maio de 1977. Estas modificações são dadas a seguir como referências:  

Portanto, esta será dedicada a um exame mais detalhado da conversa do dia 28 de maio para ver se ela pode ser legitimamente usada para modificar a Ordem Final nos termos de a) e b) acima citados.  

Uma vez que a posição de todo o GBC se apóia apenas nesta única peça de evidência, é bastante preocupante que eles já tenhampublicado pelo menos quatro diferentes versões ou transcrições desta mesma evidência. Estas diferentes transcrições apareceram nas seguintes publicações:

  1983: Srila Prabhupada - Lilamrita, Vol 6 (Satsvarupa das Goswami, BBT)

  1985: Under my Order [Sob Minha Ordem] (Ravindra Svarupa Das)

  1990: Jornal da ISKCON (GBC)

 1995: Gurus and Initiation in ISKCON (GII) (GBC)  

Apresentar quatro diferentes versões da mesma conversa gravada, em si mesmo faz surgir um número de perguntas sérias. Por exemplo, não seria razoável perguntar qual é a versão correta? Primeiro de tudo, por que há diferentes versões? Será a transcrição uma montagem de mais de uma conversa? Teria sido a fita editada com mais de uma conversa? Houve mais de uma versão desta fita? Se assim foi, como poderemos estar seguros de que uma versão apresentada é a verdadeira e de acordo com a conversa original? Assim, mesmo antes da evidência ser examinada, somos postos em uma posição na qual esperam que aceitemos a modificação de uma carta assinada mediante a análise da transcrição de uma fita cuja própria autenticidade é questionável.  

No entanto, uma vez que grande parte da transcrição é comum em todas as versões, nós tomaremos uma composição das quatro diferentes transcrições consideradas como evidência. Aqui está a conversa, com as variações em parênteses:  

1

Satsvarupa :

Então, nossa próxima pergunta diz respeito às iniciações no futuro,

2

 

particularmente quando o senhor não estiver mais conosco. Nós queremos saber

3

 

como a primeira e segunda iniciações deverão ser conduzidas.

4

Srila Prabhupada:

Sim. Eu irei recomendar alguns de vocês. Depois que isso estejaestabelecido

5

 

eu irei recomendar alguns de vocês para agir como acaryas representantes.

6

Tamal Krsna :

Isso é chamado   Ritvik acarya?

7

Srila Prabhupada:

Ritvik. Sim.

8

Satvarupa :

(Então) qual é a relação daquela pessoa que dá iniciação e...

9

Srila Prabhupada:

Ele é guru. Ele é guru.

10

Satsvarupa :

Mas ele age em seu nome.

11

Srila Prabhupada:

Sim. Isso é formalidade. Porque na minha presença ninguém deve se tornar guru,

12

 

Então, em meu nome; sob minha ordem, amara ajñaya guru hana (ele é) (seja) realmente guru.

13

 

Mas sob minha ordem.

14

Satsvarupa :

Assim (então) (eles) (eles irão) (podem) também ser considerados seus discípulos?

15

Srila Prabhupada:

Sim, eles são discípulos, (mas) (por que), considere quem...

16

Tamal Krsna :

Não. Ele está perguntando se estes Ritvik-acaryas, eles estão atuando, dando diksa,

17

 

(seus)... as pessoas para quem eles dão diksa são discípulos de quem?

18

Srila Prabhupada:

Eles são seus discípulos.

19

Tamal Krsna :

Eles são seus discípulos (?)

20

Srila Prabhupada:

Quem está iniciando..  (ele é) discípulo do (seu) discípulo...

21

Satsvarupa :

(sim)

22

Tamal Krsna :

(isso é claro)

23

Tamal Krsna :

(continue)

24

Satsvarupa :

Então nós temos uma pergunta a respeito...

25

Srila Prabhupada:

Quando eu ordenar você se torna guru, ele se torna guru regular.

26

 

Isso é tudo. Ele se torna discípulo de meu discípulo (é isso), (veja só).

Como nós mencionamos anteriormente, nem a ordem do dia 9 de julho, nemqualquer documento subseqüente assinado por Srila Prabhupada jamais se refere à conversa acima. Isso é muito peculiar, uma vez que o argumento central do texto GII é que esta breve troca de palavras é absolutamente crucial para o entendimento apropriado da ordem do dia 9 de julho.  

Este não era o meio regular no qual Srila Prabhupada emitia instruções para sua vasta organização mundial, ou seja, enviandodiretrizes escritas incompletas e dubitosas que poderiam apenas ser propriamente entendidos com uma pesquisa através de fitas de conversas.  

Quando se considera a magnitude da ordem em questão, ou seja, a continuação da missão do Sankirtan para os próximos dez mil anos, e o que aconteceu com a Gaudiya Math precisamente neste assunto, seria inconcebívelque Srila Prabhupada administrasse as coisas desse modo. No entanto, nisso é o que nós deveremos acreditar seaceitarmos a presente posição do GBC. Deixe-nos agora continuar cuidadosamente através da transcrição composta, prestando uma atenção particular em todas as linhas que o texto GII afirma ser a base para as modificações acima na ordem do dia 9 de julho.  

Linhas 1-3: aqui, Satsvarupa Goswami pergunta para Srila Prabhupada uma questão específica a respeito de como as iniciações iriam ocorrer no futuro. “... particularmente, quando o senhor não estiver mais conosco”. O que quer que Srila Prabhupada responda, nós sabemos que será particularmente relevante depois de sua partida, uma vez que claramente esse é o tempo sobre o qual Satsvarupa está preocupado, ou seja., “quando o senhor não estiver mais conosco”.  

Linhas 4-7: aqui Srila Prabhupada responde a pergunta de Satsvarupa Dasa Goswami. Ele diz que irá apontar alguns discípulos para agir como “representantes do acarya”, ou Ritviks”. Tendo claramente respondido a pergunta, Srila Prabhupada permanece em silêncio. Ele não elabora mais neste ponto, nem tampouco qualifica ou tenta qualificar sua resposta. Portanto, devemos deduzirque essa foi a sua resposta. As únicas alternativas para esta opinião são:  

1) Srila Prabhupada deliberadamente respondeu a pergunta de forma incorreta ou enganosamente;

Ou

2) Ele não escutou a pergunta apropriadamente e pensou que Satsvarupa Dasa Goswami estava apenas perguntando sobre o que era para ser feito enquanto ele estivesse presente.  

Nenhum discípulo de Srila Prabhupada irá considerar a opção 1), e se a opção 2) for o caso, então a conversa não pode nos dizer nada sobre as iniciações futuras depois da sua partida; por conseguinte, nós ainda permanecemos com a carta do dia 9 de julho sem modificações como sendo sua única declaração sobre as iniciações futuras.  

Algumas vezes as pessoas argumentam que a resposta completa só é apropriadamente revelada parte por parte através do resto da conversa. O problema com esta proposição é que ao dar instruções de tal modo Srila Prabhupada apenas responderia corretamente à pergunta originalmente feita por Satsvarupa Dasa Goswami se as seguintes condições fossem satisfeitas:  

Este seria um modo excêntricopara alguém responder uma pergunta, o que falar para dirigir uma organização mundial, e certamente esse não era o estilo de Srila Prabhupada. Realmente, como está sendo proposto pelo GBC, se ele teve o trabalho de enviarpara todo o Movimento uma carta com instruções sobre iniciaçãoque seriam relevantes por apenas quatro meses, com certeza ele não teria lidado de modo tão obscuro com instruções que poderiam seguir por dez mil anos. 

Claramente se nós olharmos esta transcrição para indubitavelmente apoiar as modificações a) e b), nós não fomos muito bem até agora. Srila Prabhupada está sendo questionado sobre como serão as iniciações, particularmente quando ele deixasse o planeta: ele respondeu que iria apontar Ritviks. Isso contradiz ambas as modificações propostas pelo GBC, e simplesmente reforça a idéia de que a ordem do dia 9 de julho estaria em vigor dali para frente. Vamos continuar lendo:  

Linhas 8-9: Aqui Satsvarupa Dasa Goswami pergunta qual a relação do iniciador com a pessoa sendo iniciada. Satsvarupa não acaba totalmente a pergunta quando Srila Prabhupada imediatamente responde, “ele é guru”. Uma vez que Ritviks, por definição, não são iniciadores, Srila Prabhupadapode ter se referido somente a si mesmo como “guru” daqueles que estão sendo iniciados. Isso está confirmado na carta do dia 9 de julho, onde é dito três vezes que aqueles que forem iniciados serão discípulos de Srila Prabhupada.  

Algumas vezes uma curiosa teoria é levantada que quando Srila Prabhupada diz: “ele é guru”, ele está realmente falando sobre os próprios Ritviks. Isso é bastante bizarro, uma vez que Srila Prabhupada tinha apenas definido a palavra Ritvik como “representante do acarya” – literalmente, um sacerdote que conduz algum tipo de função cerimonial ou religiosa. Na carta do dia 9 de julho Srila Prabhupada esclarece de modo preciso qual é a função cerimonial que aqueles sacerdotes representantes iriam conduzir. Eles deveriam dar os nomes espirituais para os novos iniciados, e no caso da segunda iniciação, cantariam no cordão do Gayatri – tudo em nome de Srila Prabhupada. Era isso. Não foi mencionado que eles deveriam ser diksa-gurus iniciando seus próprios discípulos, ou sendo eles mesmos mestres espirituais. A carta define especificamente o Ritvik como um representante do acarya. Eles deveriam agir emnome do acarya, não como o acarya. Sendo este o caso, por que Srila Prabhupada iria obscurecer o assunto chamando os Ritviks  “gurus”? Se eles fossem gurus iniciadores desde o começo, por que não apenas chamá-los assimpara evitar confusão?  

Enquanto discutindo filosófica ou administrativamente assuntos sobre sua posição como acarya, Srila Prabhupada falava freqüentemente na terceira pessoa. É particularmente compreensível que ele assim o fizesse aqui, uma vez que Satsvarupa Dasa Goswami se refere à terceira pessoa em suas perguntas.  

Assim, a conversa pode apenas fazer sentido se nós aceitarmos que Srila Prabhupada é o guru que iniciava os novos discípulos através de seus representantes, os Ritviks.  

Apesar da resposta de Srila Prabhupada ser bastante clara e consistente, parece que neste ponto há alguma confusão na mente de quem pergunta . Então Satsvarupa dasa Goswami pergunta na linha 10 “Mas ele age em seu nome”. O “ele” a quem Satsvarupa dasa Goswami está se referindo é o Ritvik, enquanto que o “ele” a quem Srila Prabhupada estava se referindo,como nós mostramos, poderia apenas ser ele mesmo, uma vez que ele é o único iniciador dentro do sistema Ritvik.  Apesar da aparente confusão de seus discípulos, Srila Prabhupada, habilmente adapta a sua próxima resposta de acordo com a verdadeira preocupação de Satsvarupa dasa Goswami, ou seja, o status destesfuturos Ritviks.  

Linhas 11-13: Este é o ponto no qual o texto GII afirma estar a evidência da modificação a).  Antes de consideramos se estas linhas constituem tal evidência ou não, nós deveremos primeiramentelembrar da analise das linhas 1-7.  

Se as linhas 11-13 estabelecem a modificação a), isso será apenas uma contradição das linhas 1-7, onde Srila Prabhupada já tinha respondido claramente que os Ritviks foram apontados “particularmente” para depois de sua partida. Então, se de fato a modificação a) está estabelecida nas linhas 11- 13, a implicação é que Srila Prabhupada contradisse uma afirmação que ele mesmo havia feito apenas alguns momentos antes. Se este fosse o caso, mais uma vez a transcrição seria inútil para determinar qualquer coisa sobre as iniciações futuras, uma vez que duas posições totalmente contraditórias seriamigualmente validadas na mesma conversa. Novamente, nós seremos forçados a nos referir à ordem do dia 9 de julho em sua forma inadulterada.  

Vamos ver se isso de fato aconteceu. Lembrem que estamos procurando por uma afirmação específica de que os Ritviks deveriam cessar suas obrigações com a partida de Srila Prabhupada. Em outras palavras, que eles poderiam apenas atuar em sua presença.  

Lendo as linhas 11-13 nós vemos que tudo o que é dito é que os Ritviks deveriam atuar na sua presença , pois na sua presença eles não poderiam ser gurus. Deste modo, Srila Prabhupada está simplesmente reafirmado um princípio que ele era eventualmente mencionava ao lidar com discípulos ambiciosos: que na presença do guru deve-se atuar apenas em seu nome. Portanto, Srila Prabhupada não diz que esse “atuar em seu nome” deve cessar uma vez que ele deixe o planeta. Ele também não diz que “atuar em seu nome” pode apenas acontecer enquanto ele estiver presente. Realmente, até aqui em nenhum lugar ele relaciona diretamente de alguma forma a sua presença física com o conceito de atuar em seu nome, mas ao contrário simplesmente expressa isso como a razão que previne a seus discípulos de serem gurus, e é esse “não ser guru” que está relacionado com o atuar como Ritvik.  

Em outras palavras, na época dessa conversa uma das razões pelas quais eles não poderiam ser diksa-gurus era a presença física de Srila Prabhupada. Mas esse não é o único empecilho prevenindo seus discípulos de aceitarem o posto de diksa-guru, como nós veremos na próxima linha.  

Na linha 12 nós vemos que ser guru também depende de receber uma ordem específica de Srila Prabhupada – Sob minha ordem”. Ele repete esta condição na linha 13Mas sob minha ordem”, e mais uma vez na linha 25Quando eu ordenar”. Está bem claro então que essa não pode seraordem, caso contrário por que dizer “quando eu ordenar”? Se esta fosse uma ordem para se tornar guru após a sua partida, como o GBC mantém, então certamente ele teria dito alguma coisa como: “eu vou agora ordenar vocês que assim que eu vá, vocês parem de ser Ritviks e se tornem diksa-gurus”. Semelhante enunciado com certeza traria certa credibilidade para a atual posição do GBC e a doutrina do M.A.S.S. No entanto, como se pode ver, nada sequer remotamente parecido com tal enunciado pode ser encontrado em parte alguma na conversa do dia 28 de maio.  

Também se argumenta que o uso do verso “amara ajñaya” neste ponto significa que a ordem para ser diksa-guru já havia sido dada, uma vez que esta ordem do Senhor Caitanya fora repetida milhares de vezes por Srila Prabhupada. No entanto, a ordem “amara ajñaya”, como nósvimos, refere-se somente ao siksa-guru; nós sabemos que a ordem para se tornar diksa-guru ainda nãohavia sido dada, pois Srila Prabhupada diz: “quando eu ordenar”. Portanto, o uso do verso por Srila Prabhupada neste ponto é simplesmente para expressar a noção de que antes de aceitar uma posição como qualquer tipo de guru, é preciso haver uma ordem.  

Com certeza não há nada nas linhas 11-13 que modifique de alguma forma o que Srila Prabhupada claramente responde à pergunta original de Satsvarupa (linhas 1-7). Deste modo, nosso entendimento das linhas 1-7 permanece intacto. Srila Prabhupada não contradiz a si mesmo e a carta do dia 9 de julho permanece até aqui sem modificações.  

O que as linhas 11-13 estabelecem é que o sistema Ritvik deveria operar enquanto Srila Prabhupada estivesse presente, mas não que deveria operar apenas enquanto ele estivesse presente. A carta do dia 9 de julho deixa claro isso pelo uso da palavra “henceforward” (daqui para frente). A palavra “henceforward” inclui todo o período de tempo daquele dia em diante, sem necessidade da presença física de Srila Prabhupada. Vamos continuar lendo:  

Linhas 14-15: É interessante que neste ponto Satsvarupa dasa Goswami faz a pergunta na primeira pessoa: “então elestambém serão considerados seus discípulos?” Srila Prabhupada responde: “sim, eles são discípulos...”. Mais uma vez confirma a posse dos futuros discípulos. Apesar de não estar claro o que Srila Prabhupada continua a dizer, sua resposta inicial é bem definida. Esta é uma pergunta direta, e ele responde: “sim”.  

Se o GBC tivesse qualquer esperança de manter as modificações a) e b), então Srila Prabhupada deveria terrespondido algo como: não, ele não são meus discípulos. O que quer que Srila Prabhupada estivesse prestes a dizer é irrelevante, pois ninguém poderá jamais saber. Nós apenas sabemos que quando lhe foi perguntado se os futuros iniciados seriam seus discípulos, ele respondeu: sim. Novamente, não é um bom sinal para as modificações a) e b).  

Linhas 16-19: Tamal Krsna Goswami parece perceber alguma confusão aqui e interrompe Srila Prabhupada. Ele clarifica mais a pergunta de Satsvarupa perguntando a Srila Prabhupada de quem seriam os discípulosque estavam recebendo diksa dos Ritviks. Mais uma vez Srila Prabhupada responde na terceira pessoa (tendo sido questionado na terceira pessoa): eles são seus discípulos. Como nós discutimos, ele apenas pode estar se referindo a si mesmo, uma vez que os Ritviks  por definição não têm discípulos. Além disso, nós sabemos que ele definitivamente estava se referindo a si mesmo, uma vez que ele responde a pergunta no singular (“seus [his] discípulos... quem está [is] iniciando”), tendo sido questionado a respeito dos Ritviks no plural (“estes Ritviks-acaryas”).  

Uma idéia algumas vezes sugerida é que neste ponto da conversa Tamal Krsna Goswami faz a pergunta num vago sentido futuro, sobre um tempo não especificado no qual os Ritviks de certo modo se transformariam em diksa-gurus. De acordo com esta teoria, quando Srila Prabhupada, que agora presumidamente de forma mística está sintonizado com a mente de Tamal Krsna Goswami, responde que os futuros iniciados são “seus discípulos”, o que ele de fato quer dizer é que eles são discípulos dos Ritviks, que agora não são mais Ritviks, mas diksa-gurus. Deixando de lado o fato de que este fantasioso “encontro de mentes” é tanto improvável como altamente especulativo, há pelo menos um outro problema com esta hipótese:             

Até este ponto Srila Prabhupada não afirmou que os Ritviks- os quais ele ainda iria apontar-iriam atuar de outra forma além de Ritviks. Então, por que deveria Tamal Krsna Goswami ter assumido que o status deles fora mudado?  

Linhas 19-20: Tamal Krsna Goswami repete a resposta e então Srila Prabhupada continua: quem está iniciando... discípulo de seu discípulo”. Nós escolhemos a versão da transcrição “discípulo de seu discípulo (his grand-disciple) em vez da versão “ele é discípulo do discípulo” (he is grand-disciple), uma vez que se aproxima mais do que ouvimos na fita, e parece fazer mais sentido na conversa (caso contrário a pessoa que iniciasimultaneamente se tornariao discípulo do discípulo! – “quem está iniciando ... ele é discípulo do discípulo”).  

O argumento que quando falando na terceira pessoa, Srila Prabhupada deve estar se referindo aos Ritviks e não a si mesmo pode ser testado pela modificação da conversa substituindo os pronomes (mostrado em parênteses) nas linhas 17-20:  

TKG:

De quem eles são discípulos?

Srila Prabhupada:

Eles são discípulos (do Ritvik ).

TKG:

Eles são discípulos (do Ritvik ) .

Srila Prabhupada:

(o Ritvik ) está iniciando... o discípulo do discípulo (do Ritvik ).

Dada a premissa de que os Ritviks estão apenas oficialmente atuando, e que o seu papel é apenas de representantes, deveria ser evidente para o leitorque a interpretação das linhas 17-20 é um disparate. É uma contradição que um Ritvik tenha seus próprios discípulos, o que falar de terdiscípulos de discípulos.  

Uma acusação que pode ser feita é que nós estamos de algum modo distorcendo as palavras de Srila Prabhupada quando tomamos afirmações em terceira pessoa como primeira pessoa. Mas nós sentimos que nossa interpretação é consistente com a função designada por Srila Prabhupada a seus Ritviks. Parece haver apenas duas possíveis opções de interpretação em relação a esta conversa:  

  1. Os futuros novos discípulos pertenceriam aos sacerdotes Ritviks, que por definição não são diksa-gurus, mas oficiais que foram designados especificamente para atuarem como procuradores;

  2. Os futuros novos discípulos pertenceriam ao diksa-guru, Srila Prabhupada.  

Opção 1) é simplesmente absurda. Portanto, nós vamos para a opção 2) como sendo a única escolha racional, e teremos assim interpretado a fitacorretamente.  

Linhas 25-26: Srila Prabhupada conclui com a inequívoca estipulação que apenas quando ele ordenasse alguém se tornaria guru. Em tal situação os novos iniciados seriam discípulo de meus discípulos”.  

Uma grande importância é dada ao uso do termo “discípulo do discípulo (grand-disciple)”. Para muitos, o uso desta frase por Srila Prabhupada age como um argumento conclusivo, uma vez que você pode apenas ter discípulos de discípulos se for diksa-guru. Isso é verdade. Infelizmente, as palavras que seguem a expressão “discípulo de seu discípulo” são geralmente ignoradas. Srila Prabhupada afirma que o discípulo de um discípulo, e por conseguinte um diksa-guru, existirão apenas quando ele (Srila Prabhupada) ordenar que seu discípulo se torne diksa-guru. Em outras palavras, Srila Prabhupada está simplesmente dizendo que quando o guru ordenar a seu discípuloquese torne diksa- guru, então este terá discípulos de discípulos (“his grand-disciple”), uma vez que o novo diksa-guru irá então iniciar pela sua própria conta (“ele se torna discípulo de meu discípulo”).  Isto parece direto o suficiente a ponto de que ninguém questionar. Mas onde está a ordem para quealguém aceite o status de guru ? Certamente não está nas linhas 25-26, nem em lugar algum na conversa.  

Na realidade a conversa do dia 28 de maio não está ordenando nenhuma pessoa específica a fazer coisa alguma. Srila Prabhupada está simplesmente expressando a sua intenção de apontar Ritviks em algum ponto no futuro. Ele então responde algumas questões um tanto confusas sobre a relação entre o gurue o discípulo no sistema Ritvik. Então ele conclui com um enunciado sobre o queaconteceria se ele decidissedar a relevante ordem para alguém se tornar diksa-guru. Todavia, a ordem específica nomeando pessoas específicas para executar uma função específica primeiramente foi dada no dia 7 de julho (por favor veja os apêndices), e então confirmada na carta assinada do dia 9 de julho. Mas como pode ser vistolendo a carta do dia 9 de julho, não há menção alguma que os onze apontados como Ritviks alguma vez se tornariam diksa-gurus, ou que o sistema Ritvik deveria parar.  

Após nossa exaustiva análise da conversação do dia 28 de maio, está claro de que o GBC está apresentando um clássico argumento circular:  

Tendo em vista apoiar as modificações a) e b), as quais são absolutamente vitais para a atual posição dos gurus dentro da ISKCON, eles afirmamque se deve modificar a carta do dia 9 de julho usando uma “ordem” que Srila Prabhupada deu na transcrição do dia 28 de maio. Contudo, tendo lido cuidadosamente a transcrição nós vimos que Srila Prabhupada disse que eles apenas poderiam ser gurus “quando eu ordenar”. Então, como pode ser declarado que “quando eu ordenar” foi a mesma ordem finalmente colocadanos dias 7 e 9 de julho, uma vez que esta “ordem” é puramente para a criação dos Ritviks, e é esta mesma ordem que o GBC precisou modificar em primeiro lugar para manter suas cruciais modificações a) e b)?  

Infelizmente ao adotar a linha de raciocínio defendido no texto GII, nós nos encontramos levados inexoravelmente na direção ao absurdo impasse dialético mencionado acima.  

Finalmente, o maior problema com toda a teoria da “modificação”, além da óbvia ausência de qualquer evidência de apoio, é que não se pode modificar legitimamente uma instrução com uma informação que não estava disponível para as próprias pessoas que deveriam seguir a instrução.  

Se de fato a conversa do dia 28 de maio contivesse claras instruções apoiando as modificações a) e b), então certamente a carta final deveria conter pelo menos algum vestígio delas. De fato o principal propósito da reunião do dia 28 de maio foiestabelecer claramente o que seria feito sobre as iniciações depois que Srila Prabhupada deixasse o planeta. E ainda assim,está sendo propostoque quando Srila Prabhupada finalmente emitiu sua última diretriz escrita sobre iniciação, ele de alguma maneira apenas tratou do que era para ser feito antes dele deixar o planeta.  

Em outras palavras, Srila Prabhupada supostamente deu claras e enfáticas diretrizes sobre um assunto que não lhe foi perguntado; enquanto que o assunto realmente importante, sobre o qual todos queriam saber, ou seja, o futuro das iniciações para os próximos dez mil anos, ele omitiu inteiramenteem sua última instrução assinada sobre tal assunto.  

Nós não encontramos exemplos de Srila Prabhupada dirigindo sua Sociedade das seguintes formas:  

1) Emitindo importantes diretrizesque falham em sequer tratar do principal propósito de suas emissões.

2) Deliberadamente retendo informação vital pertinente a um importante novo sistema de administração.

3) Esperando que os destinatários de suas instruções fossemmísticos leitores de mentes para que seguissem corretamente uma instrução.  

A defesa comum que Srila Prabhupada não necessitava ditar na sua carta final o que era para ser feito sobre as futuras iniciações, uma vez que ele já tinha claramente explicado nos seus livros e palestras como ele queria que todos se tornassem diksa-gurus, já foirefutada na objeção 7 acima.  

Há uma outra tentativa feita no texto GII para extrair alguma coisa mais da conversa do dia 28 de maio em apoio as modificações a) e b), quando indica-se como Srila Prabhupada usa o verso “amara ajñaya guru hana” na linha 12. O verso é também repetido mais adiante na conversação do dia 28 de maio em uma discussão relacionada com a tradução de seus livros. De acordo com esta opinião, a ordem Ritvik é idêntica a ordem para ser diksa-guru simplesmente por mérito de Srila Prabhupada ter mencionado a famosa instrução do Senhor Caitanya para “todos se tornarem guru” na mesma conversa em que fala sobre Ritviks. Mas tudo o que Srila Prabhupada diz é que:  

“... alguém que entende as ordens de seu guru, do mesmo parampara, ele pode se tornar guru. E portanto eu irei selecionar alguns de vocês” (conversa do dia 28 de maio).

  Os pontos essenciais a considerar aqui são:  

  1. Qual foi a ordem do guru que eles deveriam entender? Atuar como Ritviks. (“Eu irei recomendar alguns de vocês para atuarem como acaryas representantes);

  2. Afinal das contas, eles foram selecionados para fazer o quê? Atuar como Ritviks (por favor leia a carta do dia 9 de julho no apêndice);

  3. E ao seguir a ordem do guru, que tipo de guru eles se tornaram? Como nós vimos anteriormente na análise da ordem do Senhor Caitanya para “tornar-se guru”, qualquer um que com plena fé executa esta ordem está automaticamente qualificado como siksa-guru.  

GII apresenta a proposição contraditóriaque seguindo as ordens do guru para atuar como Ritvik apenas (e não como diksa-guru), deve-se automaticamente atuar como diksa-guru.  

Por esta lógica, qualquer um que segue qualquer ordem dada pelo guru, de alguma maneira automaticamente também recebeu uma ordem específica para se tornar diksa-guru! Infelizmente, o texto GII não oferece qualquer evidência que apóie esta tese. Como foi mostrado anteriormente, o uso do verso“amara ajñaya” é simplesmente uma ordem para qualquer um apenas se tornar siksa-guru (“É melhor não aceitar discípulos”).  

Conclusão  

1. No dia 9 de julho Srila Prabhupada apontou 11 Ritviks para levar adiante a primeira e segunda iniciações dali para frente (henceforward).

2. Não há evidência na conversa do dia 28 de maio que possa ser usada para modificar a ordem do dia 9 de julho, tal como dizer que os Ritvik apontados devem pararsuas funções com a partida de Srila Prabhupada;

3. Também não há nada na conversa do dia 28 de maio que possa ser usado para modificar a ordem do dia 9 de julho, tal como dizer que os Ritviks deveriam se metamorfosear em diksa-gurus tão logo Srila Prabhupada deixasse o planeta;

4. A única coisa claramente estabelecida na conversação do dia 28 de maio é que os Ritviks deveriam atuar depois da partida de Srila Prabhupada.  

Deve-se notar que há pelo menos quatro diferentes transcrições, e tres diferentes interpretações “oficiais” desta mesma conversa. Muitos devotos sentem que por esta razão apenas esta conversa não pode ser considerada como evidência conclusiva. Se esta for também a conclusão do leitor, então não haverá escolha senão retornar mais uma vez à carta do dia 9 de julho como sendo a ordem final, uma vez que ela é uma carta assinada, claramente escrita e enviada para o Movimento inteiro. Esta certamente seria a conclusão em uma corte de justiça; evidência escrita e assinada sempre sobrepõem-se sobre fitas gravadas. A única razão pela qual examinamos a conversa do dia 28 de maio tão cuidadosamente é porque o GBC a tem apresentado como sendo a única peça de evidência para apoiar as modificações a) e b).  

Nós somos então forçados a rejeitar totalmente as modificações a) e b), que são o fundamento da posição atual do GBC sobre iniciações dentro da ISKCON, uma vez que não há evidências que as suportem.    

A seguir há algumas objeções relacionadas ao assunto. Pensamos que sua abordagem possa ser útil.

 

 

OBJEÇÕES RELACIONADAS  

 

1) “Srila Prabhupada não mencionou o uso de Ritviks em seus livros”

1) a palavra ‘Ritvik”e suas derivações na verdade possuem 31 referências distintas nos livros de Srila Prabhupada, apenas um pouco menos do que a palavra diksa e suas derivações,que têm 41 referências distintas nos livros de Srila Prabhupada. Certamente o uso de sacerdotes Ritviks para dar assistência em cerimônias é um conceito plenamente sancionado nos livros de Srila Prabhupada:  

Conforme vemos, no Srimad-Bhagavatam há as seguintes citações:

 

Ritvik

:

4.6.1/ 4.7.16 / 5.3.2 / 5.3.3 / 5.4.17 / 7.3.20 / 8.20.22 / 9.1.15

 

Rtvijah

:

4.5.7 / 4.5.18 / 4.7.27 / 4.7.45 / 4.13.26 / 4.19.27 / 4.19.29 / 5.3.4 / 5.3.15 /  5.3.18 / 5.7.5 / 8.16.53 / 8.18.21 / 8.18.22 / 9.4.23 / 9.6.3

 

Rtvijam

:

4.6.52 / 4.21.5 / 8.23.13 / 9.13.1

 

Rtvigbhyah

:

8.16.55

 

Rtvigbhih

:

4.7.56 / 9.13.3

2) Apesar de os princípios espirituais serem tratados extensivamente por Srila Prabhupada em seus livros, os detalhes específicos daqueles princípios freqüentemente não são fornecidos (por exemplo, na área de adoração à Deidade). Estes detalhes específicos geralmente seriam comunicados por outros meios, como por cartas e demonstrações práticas. Assim, é preciso distinguir entre o princípio de iniciação (diksa), e os detalhes da sua formalização. Srila Prabhupada jamais definiu diksa em termos de qualquer cerimônia ritualística, e sim como a recepção de conhecimento transcendental que conduz a liberação:  

“Em outras palavras, o mestre espiritual desperta a entidade viva adormecida à sua consciência original para que ela pode adorar o Senhor Vishnu. Este é o propósito de diksa, ou iniciação. Iniciação significa receber o conhecimento puro da consciência espiritual”
(C.C. Madhya,
9.6.1, comentário).  

diksa na verdade significa iniciar um discípulo com o conhecimento transcendental pelo qual ele se torna livre de todas as contaminações materiais”
(C.C., Madhya,
4.111, comentário).  

diksa é o processo pelo qual alguém pode despertar seu conhecimento transcendental e aniquilar todas as reações causadas por atividades pecaminosas. Uma pessoa perita no estudo das escrituras reveladas conhece este processo como diksa”.
(C.C., Madhya,
15.108, comentário).  

diksa normalmente envolve uma cerimônia, mas ela não é absolutamente essencial; é mera formalidade.  

“Então, de qualquer modo, de 1922 até 1933 praticamente eu não era iniciado, mas eu obtive a impressão de pregar o culto de Caitanya Mahaprabhu. Isso era o que eu pensava. E isso é que foi a iniciação pelo meu guru Maharaja.” (Srila Prabhupada, palestra 10/12/76, Hyderabad).  

“Iniciação é uma formalidade. Se você for sério, essa é a verdadeira iniciação. Meu toque é simplesmente uma formalidade. É a sua determinação, isso é iniciação”. (BTG, procura pelo divino).  

“...sucessão discipular nem sempre significa que alguém tenha que ser iniciado oficialmente. Sucessão discipular significa aceitar a conclusão discipular” (Srila Prabhupada, carta para Dinesh, 31/10/69).  

“O canto de Hare Krsna é nossa principal atividade, essa é a verdadeira iniciação. E como vocês todos estão seguindo as minhas instruções neste assunto, o iniciador já está presente”.
(Srila Prabhupada, carta para Tamal Krsna, 19/08/68).  

“Bem, iniciação ou não , a primeiracoisa é conhecimento... conhecimento. Iniciação é formalidade. Assim como você vai à escola por conhecimento, e admissão é formalidade. Essa não é uma coisa muito importante”
(Srila Prabhupada, entrevista, 16/10/76, Chandigarh).
 

Srila Prabhupada:

Quem é meu discípulo? Primeiro de tudo ele deve seguir estritamente as regras disciplinares.

Discípulo:

Enquanto eles estiverem seguindo, então ele é...

Srila Prabhupada:

Então  está tudo bem.
(Srila Prabhupada, caminhada matinal, 13/06/76, Detroit).

“... a não ser que haja disciplina, não há possibilidade de haver discípulo. Discípulo quer dizer aquele que segue a disciplina”.
(Srila Prabhupada, caminhada matinal, 8/03/76, Mayapur).  

“Se alguém não observa a disciplina, então ele não é discípulo”.
(Srila Prabhupada, aula do S. Bhagavatam, 21/01/74).
 

Assim, a cerimônia de iniciação é uma formalidade executada para solidificar na mente do discípulo o sério compromisso que assume com o processo de diksa. Tal compromisso inclui:  

Srila Prabhupada declarouclaramente que a cerimônia é apenas uma formalidade, não algo essencial. Além disso, esta formalização da iniciação através de uma cerimônia envolve um número de elementos em si:  

  1. Recomendação de uma autoridade da instituição, normalmente o presidente do templo;

  2. Aceitação pelo Ritvik atuante;

  3. Participação em um yajña de fogo;

  4. Receber um nome espiritual.  

Apenas nos pontos dois e quatro é necessário o envolvimento de um sacerdote Ritvik. Os outros dois são geralmente executados pelo presidente do templo ou algum brahmana qualificado.  

Como foi mencionado anteriormente, em nenhum lugar está ditoque o guru e o discípulo devem estar no mesmo planeta tendo em vista o discípulo receber qualquer elemento de diksa, tais como conhecimento transcendental, aniquilação das reações pecaminosas, uma cerimônia de fogo ou yajña e um nome espiritual. Por outro lado, cada elemento de diksa (transmissão de conhecimento, yajña, etc.), pode ser dado muito facilmente sem a presença física do guru. Isso foi demonstrado de forma prática por Srila Prabhupada, uma vez que ele dera todos os elementos de diksa através de intermediários como seus discípulos e livros. Assim, nenhum princípio espiritual é mudado através do uso de Ritviks. Apenas há uma mudança de detalhes.  

Deste modo, para colocar em perspectiva o uso de Ritviks, podemos ver que nós estamos lidando com os detalhes de um elemento de uma cerimônia, uma cerimôniaque em si mesma constitui apenas um elemento- e um elemento desnecessário- do processo transcendental de diksa.  

Nós observados que Srila Prabhupada lida com todos estes elementos demaneira proporcional à sua importância:      

  ÍTEM

Explicado nos livros?

Segue a tradição?

Maiores mudanças da tradição?

Mudança da tradição explicada nos livros?

  diksa

  Sim

  Não

Conhecimento dado primeiramente através de vani, e não por contato físico. Pariksa pessoal é pouco usada. Novo padrão de iniciação.

  Um pouco

Processo e cerimônia de iniciação

  Não

  Não

Uso de representantes para cantar nas contas dos iniciados. Dar o Mantra Gayatri por fita magnética.

  Não

Processo de dar o nome

  Não

  Não

Nome dado no momento da diksa harinama . Uso de representantes para dar o nome.

  Não

     

 

2) “Como pode pariksa (mútua análise entre o guru e o discípulo), um elemento essencial em diksa, ser possível sem contato físico?”

 

Esta questão surge da declaração do dito requisito que um discípulo deve “aproximar-se”, “inquirir de”, e “render serviço” ao guru (B.Gita, 4.34), e que o guru deve “observar” o discípulo (C.C. 24.330). Se nós examinarmos o verso cuidadosamente, os seguintes pontos ficam aparentes:  

“Em nosso Movimento para a Consciência de Krishna o requisito é quedeve-se estar preparado para abandonar os quatro pilares da vida pecaminosa (...) nos países ocidentais especialmente nós primeiramente observamos se o candidato discípulo está preparado para seguir os princípios regulativos”
(C.C, Madhya, 24.330, comentário).
 

Essa facilidade de usar representantes é sempre repetida em poucas linhas depois, quando discutindo a observação necessária para uma possível candidatura para a segunda iniciação:  

“Deste modo o discípulo rende serviço devocional sobre a guia do mestre espiritual ou seus representantes por pelo menos seis meses até um ano”
(C.C. Madhya, 24.330, comentários).
 

Poucas linhas depois nós vemos como realmente é vital é o uso de Ritviks:  

“O mestre espiritual deverá estudar a curiosidade do discípulo por pelo menos seis meses ou um ano”
(C.C., Madhya,
24.330, comentários).
 

  1. Não há menção desta cláusula especial  para pariksa pessoal em nenhuma escritura. Isso seria apenas umainvenção para ajustar as circunstâncias depois do fato;
  2. Quando descrevendo o uso de representantes para pariksa pessoal, Srila Prabhupada jamais declarou que eles apenas existiriam se ele estivesse no planeta. Qual é este  princípio sástrico até agora não mencionado que força uma limitação no uso de representantes em certas circunstâncias?
  3. Como foi demonstrado, a necessidade de  pariksa pessoal não é um requisito sástrico. O uso de representantes, tais como discípulos e livros, como substitutos de pariksa pessoal é apoiado por Srila Prabhupada. Então, está fora de questão considerar quando pariksa pessoal deve ou não deve ser eliminada .
  4. diksa era dada sem o contato físico, o que prova  que diksa pode ser obtida sem pariksa pessoal.
  5. O próprio fatode que pariksa pessoal não foi sempre efetuada, mesmo quando era possível fazê-la, prova  que isso não pode ser necessário para o processo de diksa.  

Srila Prabhupada deixou muito claro qual o padrão que ele esperava de um discípulo; os presidentes de templo e os Ritviks deveriam dar a continuidade aos mesmos. Os padrões de iniciações hoje são idênticos àqueles estabelecidos por Srila Prabhupada enquanto ele estava presente. Então, quando ele pediu para não ser consultado enquanto estava presente, o quê nos faria crer que eleurgentemente desejaria intervir agora? A única coisa preocupação para nós é assegurar que o padrão seja rigidamente mantido sem mudanças ou especulações.  

     

3) “Nós poderemos aceitar Srila Prabhupada, mas como nós saberemos que ele nos aceitou como seus discípulos, mesmo na sua ausência física?”

 

No dia 7 de julho de 1977 quando estabelecendo o o sistema Ritvik, Srila Prabhupada declarou que os Ritviks poderiam aceitar devotos como discípulos dele sem consultá-lo. Assim, Srila Prabhupada não estava envolvido no processo de seleção ou aprovação de novos discípulos. Os Ritviks tinhamplena autoridade e discrição. O envolvimento físico de Srila Prabhupada não era necessário.  

Srila Prabhupada:

Então, sem esperar por mim, quando quer que vocês considerem correto. Isso irá depender de discrição.

Tamal Krsna:

Com discrição.

Srila Prabhupada:

Sim.

 (Srila Prabhupada, conversa no quarto, 7/7/77, Vrindavana)  

Além disso, os nomes dados pelos Ritviks deveriam ser anotados por Tamal Krsna Goswami no livro de “discípulos iniciados” de Srila Prabhupada. Assim, pelo menos externamente, Srila Prabhupada nem mesmo precisava ser informado da existência do discípulo. Conseqüentemente, o processo deveria ser o mesmo como fora antes, uma vez que os Ritvik tinha plenos poderes como procuradores.

 

4) “Somente se a iniciação, diksa, tiver ocorrido antes de o guru deixar o planeta é possível continuar aproximando-se, inquirindo e servindo-o em sua ausência física”.

 

Pelo menos esta afirmação concorda com o ponto que é possível aproximar-se, inquirir e servir o mestre espiritual fisicamente ausente. A afirmação de que isso somente é possível “se a ligação diksa é feita antes do guru abandonar o planeta” é pura invenção esem referência nos livros de Srila Prabhupada, portanto deve ser ignorada. Diksa nem mesmo requer uma cerimônia de iniciação formal para fazê-la funcionar; ela é a transmissão do conhecimento transcendental do guru para um discípulo receptivo (junto com a aniquilação das reações pecaminosas):  

“...sucessão discipular nem sempre significa que alguém tenha que ser iniciado oficialmente. Sucessão discipular significa aceitar a conclusão discipular” (Srila Prabhupada, carta para Dinesh, 31/10/69).  

“Bem, iniciação ou não, a primeira coisa é conhecimento... conhecimento. Iniciação é formalidade. Assim como você vai para uma escola por conhecimento, eadmissão é formalidade. Isso não é uma coisa muito importante”.
(Srila Prabhupada, entrevista, 16/10/76, Chandigarh).
 

É irracional afirmar que o transcendental processo de diksa não pode funcionar apropriadamente se o guru não estiver fisicamente presente durante uma cerimônia de fogo ou yajña que não é essencial, particularmente uma vez que:  

Pode-se argumentarque apesar de Srila Prabhupada não estar presente naquelas iniciações, mesmo assim ele estava fisicamente presente no mesmo planeta na época em que elas ocorreram. Então, seria a presença física do guru no planetaessencial para diksa? A fim de validar este argumento, nós precisaríamos encontrar uma injunção nos livros de Srila Prabhupada que afirmasse que:

diksa pode apenas ocorrer se a distância entre o guru e seu discípulo durante a iniciação formal não for maior do que o diâmetro da Terra”.

Até agora ninguém foi capaz de localizar tal afirmação. Ao contrário, como mostra a citação abaixo, um exemplo bem conhecido de diksa em nossa filosofia (B.G., 4.1) de fato contradiz a proposição acima:

“Então, não havia dificuldades em se comunicar com Manu ou com os filhos de Manu, Iksvaku. A comunicação existia. O sistema de rádio era tão bom que a comunicação podia ser transferida de um planeta para outro (Srila Prabhupada, palestra sobre o B.G., 24/08/68).

Ao que parece, diksa não é afetada pelas distâncias físicas entre o guru e os discípulos.

 

5) “O que vocês estão propondo soa suspeitosamente como Cristianismo!”

 

1) Nós não estamos propondo o sistema Ritvik; é Srila Prabhupada que o propôs na sua ordem final. Assim, mesmo se isso for como o Cristianismo, ainda assimnós deveremos segui-lo,uma vez que é a ordem do guru.

2) Srila Prabhupada claramente aprovou a idéia de que os cristãos continuem seguindo a Jesus Cristo como seu guru, embora ele já tenha partido do planeta. Ele nos ensinou que qualquer um que seguisse os ensinamentos de Jesus Cristo era seu discípulo, e alcançaria o nível de liberação oferecida por Jesus Cristo.

 

Madhudvisa:

Existe alguma forma para um cristão alcançar o céu espiritual , sem a ajuda de um mestre espiritual,, crendo nas palavras de Jesus Cristo e tentando seguir seus ensinamentos?

Srila Prabhupada:

Eu não compreendo.

Tamal Krsna Goswami:

Pode um cristão nesta era, sem um mestre espiritual, mas lendo a Bíblia, e seguindo as palavras de Jesus, alcançar o...

Srila Prabhupada:

Quando você lê a Bíblia, você segue o mestre espiritual. Como pode você dizer ‘sem mestre espiritual’? Tão logo você leia a Bíblia, isso significa que você está seguindo as instruções do senhor Jesus Cristo, o que significa seguir o mestre espiritual. Então, onde está a chance de estar sem mestre espiritual?

Madhudvisa:

Eu estou me referindo a um mestre espiritual vivo.

Srila Prabhupada:

Mestre espiritual não se trata de...   O mestre espiritual é eterno. O mestre espiritual é eterno.

Então, a sua pergunta é: “sem um mestre espiritual”. Sem um mestre espiritual você não pode estar em fase alguma da vida. Você pode aceitar este mestre espiritual ou aquele. Isso é outra coisa. Mas você deve aceitar. Como você disse que “lendo a Bíblia”, quando você lê a Bíblia isso quer dizer que você está seguindo o mestre espiritual representado por algum sacerdote ou membro do clero na linha do Senhor Jesus Cristo.

(Srila Prabhupada, Palestra do dia 02-10-68 em Seattle)  

“Com relação ao destino dos devotos do Senhor Jesus Cristo, eles podem ir para o paraíso, isso é tudo. Esse é um planeta no mundo material. Um devoto do Senhor Jesus Cristo é aquele que segue estritamente os dez mandamentos (...), portanto, a conclusão é que os devotos do Senhor Jesus Cristo são promovidos aos planetas celestes dentro do mundo material”
(Carta de Srila Prabhupada para Bhagavan, 2/3/70).
 

“Na realidade, quem está sendo guiado por Jesus Cristo certamente alcançarálibertação.”
(Perguntas perfeitas, respostas perfeitas, cap. 9).
 

“.. ou os cristão estão seguindo Cristo, uma grande personalidade; mahajano yena gatah sa panthah. Você segue um mahajana, uma grande personalidade (..) você segue um acarya, como os cristãos seguem Cristo, acarya. Os maometanos, eles seguem o acarya Maomé. Isso é bom. Você deve seguir algum acarya (...) evam parampara-praptam”.
(Srila Prabhupada, conversa, 20-5-75, Melbourne).  

3. Esta objeção de ser ‘cristão’ é irônica, uma vez que o sistema corrente de gurus na ISKCON adota alguns procedimentos dos cristãos: A teologia por detrás do sistema de votação do GBC é similar ao sistema dos Cardeais que votam o Papa na Igreja Católica:  

“O processo de votação (...) para o candidato a guru (...) que será estabelecido pelos membros eleitores (...) votando para eleger um guru (..) por dois terços dos votos do GBC (...) todos os membros do GBC são candidatos para serem apontados como guru”.
(resolução do GBC).
 

Similarmente, o GBC chama a si mesmo como “o corpo eclesiástico supremodirigindo a ISKCON” (Back to Godhead, 1990-1991): de novo a terminologia “cristã”.  

Estas práticas cristãs em particular nuncaforam ensinadas por Jesus, e foram inteiramente condenadas por Srila Prabhupada:  

“Votação mundana não tem jurisdição para eleger um acarya vaisnava. Um vaisnava acarya éauto-refulgente, e não há necessidade de uma corte de julgamento”.
(C.C., Madhya,
1.220, comentário).  

“Srila Jiva Goswami aconselha que não se deve aceitar um mestre espiritual em termos de hereditariedade ou costume social e convenções eclesiásticas”
(C.C., Adi,
1.35, comentário).

 

6) “Os Ritviks dão um tipo de diksa. Srila Prabhupada é apenas nosso Siksa-guru”.

 

  1. A função do Ritvik é distinta da função de um diksa-guru. Seu único propósito é auxiliar o diksa- guru nas iniciações dos discípulos, não aceitá-los para si mesmo.

  2. O Ritvik unicamente inspeciona o procedimento da iniciação e dá um nome espiritual, mas não há nem mesmo a necessidade de executar uma cerimônia de fogo, yajña. Isso era feito normalmente pelo presidente de templo- e ele não era com certeza o diksa-guru.

  3. Por que não permitirque Srila Prabhupada seja o que ele deseja ser? Ele é certamente nosso siksa-guru, mas como ele indicou claramente na carta do dia 9 de julho, ele também deveria ser nosso diksa-guru.

  4. Uma vez que Srila Prabhupada é nosso siksa-guru predominante, ele é de fato nosso diksa-guru de qualquer modo, uma vez que:

Os devotos também podem auxiliar nas duas atividades acima distribuindolivros etc., mas elessão vartma-pradarsaka-gurus, não diksa-gurus.  

  1. O siksa-guru predominante geralmente se torna o diksa-guru de qualquer forma:  

“Srila Prabhupada é o siksa-guru fundador para todos os devotos da ISKCON (...) as instruções de Srila Prabhupada são ensinamentos essenciais para cada devoto da ISKCON.”
(Resolução do GBC, nº 35, 1994).
 

“Geralmente um mestre espiritual que instrui constantemente um discípulo na ciência espiritual torna-se seu mestre espiritual iniciador mais tarde”
(C.C., Adi,
1.35, comentário)
 

“É dever do siksa-guru ou diksa-guru instruir o discípulo no caminho correto, e depende do discípulo executar o processo. De acordo com as injunções sástricas, não há diferença entre o siksa-guru e o diksa-guru, e geralmente o siksa-guru mais tarde se torna o diksa-guru”.
(S.B,
4.12.32, comentário).
 

 

7) “Se Srila Prabhupada é o siksa-guru de todos, então como ele pode também ser o diksa-guru?”

 

A confusão entre diksa e siksa gurus ocorre porque os títulos são confundidos com suas funções. Assim, é que algumas vezes presume-se que somente o siksa-guru pode dar siksa, não o diksa-guru. Contudo, como no último verso que citamos demonstra, o diksa-guru também instrui. Isso devia ser óbvio, de outro modo como ele iria transmitir divya-jñana?  

Pradyumna:

Guru-padasrayah. “Primeiramente deve-se tomar o refúgio aos pés de lótus do mestre espiritual”. Tasmat krsna diksadi-siksanam. Tasmat, “dele”, Krsna-diksadi-siksanam, “deve-se tomar Krsna-diksa, iniciação e siksa”.

Srila Prabhupada:

diksa significa divya-jñanam ksapayati iti diksa; o que explicadivya-jñana, transcendental, isso é diksa. Di, divya, diksanam, diksa. Então divya-jñana, conhecimento transcendental... se você não aceitar um mestre espiritual, como você poderá obter transcendência... lhe ensinarão aqui e ali, aqui e ali, e você perderá tempo; Perda de tempo para o mestre e também você perderá seu tempo valioso. Portanto, você tem que ser guiado por um mestre espiritual experiente. Leia.

Pradyumna:

Krsna-diksadi-siksanam

Srila Prabhupada:

Siksanam. Nós temos que aprender. Se você não aprende, como poderá fazer progresso? Então?

(Srila Prabhupada, conversa no quarto, 27-01-77, Bhubaneswar)  

Siksa transcendental é a essência de diksa, e isso está muito evidente no bem conhecido verso do Bhagavad-gita, 4.34, sobre o relacionamento entre guru e discípulo. Neste verso, a palavra “upadeksyanti” é traduzida em palavra por palavra como“iniciando”. Contudo, o verso afirma que esta “iniciação” requer um guru para “transmitir conhecimento”, e que isso se faz acompanhar do desejo do discípulo de indagar. Conseqüentemente, aqueles que advogam que Srila Prabhupada é o siksa-guru e não o diksa-guru estão enrolados numa armadilhalogística feita por eles mesmos. Se Srila Prabhupada é capaz de “transmitirconhecimento” mesmo quando ele não está no planeta, então por definição ele deve estar dando divya-jñana, conhecimento transcendental. Assim, se Srila Prabhupada pode ser um siksa-guru sem a necessidade de interação física, então por que não poderia também ser diksa? É um absurdo argumentar que Srila Prabhupada pode dar siksa quando não está no planeta se ele estiver atuando como siksa-guru, mas que ele não pode dar siksa se mudarmos o seu título. O próprio fatode que ele possa ser siksa-guru, ainda que não esteja neste planeta, é a própria evidênciade queele pode simultaneamente dar diksa.  

Alguns indivíduos têm dado um outro passo argumentando que Srila Prabhupada nem mesmo pode dar siksa transcendental sem um corpo físico. Se este fosse o caso, alguém poderia se perguntar por que Srila Prabhupada fez tal esforço em escrever tantos livros e em estabelecer uma sociedade com o único propósito de propagá-los durante os próximos dez mil anos? Se já não é possível receber instruções transcendentais dos livros de Srila Prabhupada, então por queestamos distribuindo-os? E por que as pessoas estão ainda se rendendo simplesmente pela força deles?

 

8) “Você está dizendo que Srila Prabhupada não fez nenhum devoto puro?”

 

Não, tudo o que nós estamos dizendo é que Srila Prabhupada estabeleceu um sistema Ritvik para que as iniciações continuassem. Se Srila Prabhupada fez devotos puros ounão é algo irrelevante àsua instrução final,que é clara e inequívoca. Como discípulos, nosso dever é simplesmente seguir as instruções do guru. É inapropriado abandonar as instruções do guru e em vezde segui-las especularquantos devotos puros existem ou existirão no futuro.  

Mesmo aceitando o pior caso, que não haja de fato devotos puros no presente, deve-se considerar a situação que existiu depois da partida de Srila Bhaktisiddhanta Saraswati. Depois de quase 40 anos, Srila Prabhupada indicou que haviasomente um acarya produzido pela Gaudiya Matha que era autorizado a iniciar:  

“Na realidade, entre todos os meus irmãos espirituais, nenhum é qualificado para tornar-se acarya* (...) em vez de inspirar nossos estudantes e discípulos, eles podem eventualmente contaminá-los (...) eles são muito competentes para causar danos ao nosso progresso natural”
(Carta de Srila Prabhupada a Rupanuga, 28/04/74).  

*(Srila Prabhupada usava os termos “acarya” e “guru” alternadamente):  

“Eu produzirei alguns gurus. Eu direi quem é guru. ‘Agora você se torna acarya’ (...) você pode trapacear, mas isso não será muito efetivo. Apenas veja nossa Gaudiya Matha. Todos queriam ser gurus. Um pequeno templo e ‘guru”. Que tipo de guru?
(Srila Prabhupada, caminhada matinal, 22/04/77).
 

Isso poderia ser visto como uma condenação ao trabalho de pregação de Srila Bhaktisiddhanta. Portanto, seria extrema ignorância argumentar que Srila Bhaktisiddhanta foi um “fracasso”. É bem conhecido o fato de que Srila Bhaktisiddhanta havia dito que se a sua missão somente produzisse um devoto puro ele a consideraria um sucesso.  

De qualquer forma, a implementação do sistema Ritvik não descarta, a priori, a possível existência de devotos puros. Há várias circunstâncias que podem facilmente acomodar tanto Ritviks como devotos puros, por exemplo:  

Srila Prabhupada pode ter feito muitos devotos puros que não têmdesejo de se tornar diksa-gurus. Não há evidência que sugira que os devotos mais avançados na ISKCON devem necessariamente ser aqueles indivíduosque se candidatam para as eleições a cada ano. Estes devotos puros podem simplesmente desejar humildemente auxiliar na missão de Srila Prabhupada. Em nenhum lugar se afirma que é obrigatório que um devoto puro se torne diksa-guru. Tais pessoas estariam encantadas em trabalhar dentro do sistema Ritvik se essa for a ordem do seu guru.  

Srila Prabhupada poderia desejar um grande número de gurus instrutores, mas não necessariamente mais gurus iniciadores. Isso está de acordo com a instrução citada anteriormente para que todos se tornem siksa-gurus, e com a advertência de Srila Prabhupada para não aceitem discípulos. Também estaria de acordo com o fato de que Srila Prabhupada sozinho já havia conseguido sucesso em suamissão:  

Convidado:

O senhor planeja escolher um sucessor?

Srila Prabhupada:

Isso já é um sucesso.

Convidado:

Mas deve ter alguém que o senhor conheça, e que seja necessário para tomar conta de tudo.

Srila Prabhupada:

Sim. Nós estamos criando. Estamos criando aqueles devotos que irão tomar conta.

Hanuman:

O que este cavalheiro está dizendo, e eu gostaria de saber, é qual o nome de seu sucessor ou quem será o sucessor ...

Srila Prabhupada:

Meu sucesso está sempre presente.

(conversa com Srila Prabhupada, 12/02/75, México)  

“Após 80 anos ninguém pode ter expectativas de uma vida longa. Minha vida está quase acabada. Então vocês devem continuar, e estes livros irão fazer tudo”.
(Srila Prabhupada, conversação, 18/02/76).
 

“Então, não há nada novo a ser dito. Tudo o que havia para falar eu já falei em meus livros. Agora vocês tentem entender isso e continuem seus esforços. Se eu estiver ou não presente, isso não importa”.
(Srila Prabhupada, conversa, 17/05/77, Vrindavan).
 

Repórter:

O que irá acontecer com o Movimento nos Estados Unidos depois que o senhor morrer?

Srila Prabhupada:

Eu nunca morrerei.

Devotos:

Jaya! Haribol! (risos)

Srila Prabhupada:

Eu viverei em meus livros e vocês os utilizarão.

(conferência com a imprensa, 16/07/75, São Francisco)  


Repórter:

O senhor está treinando um sucessor?

Srila Prabhupada:

Sim, meu guru-maharaja está aqui.

(conferência com a imprensa, 16/07/75, São Francisco)

“Apenas o Senhor Caitanya pode tomar meu lugar. Ele irá tomar conta do Movimento.”
(Srila Prabhupada, conversação, 2/11/77)

Repórter:

O que irá acontecer quando chegar o momento inevitável e a necessidade de um sucessor?

Ramesvara:

Ele está perguntando sobre o futuro, quem irá liderar o Movimento no futuro?

Srila Prabhupada:

Eles irão guiar; eu estou treinando-os.

Repórter:

Mas haverá um líder espiritual?

Srila Prabhupada:

Não. Eu estou treinando o GBC, 18 pelo mundo todo.

(Srila Prabhupada, entrevista, 10/06/76, Los Angeles)

Repórter:

O senhor espera nomear uma pessoa como seu sucessor ou já o fez?

Srila Prabhupada:

Não estou ponderando sobre isso agora. Mas não há necessidade de uma pessoa.

(Srila Prabhupada, entrevista, 4/06/76, Los Angeles)  

Repórter:

Eu estou curioso para saber se ele tem um sucessor para fazer... o senhor tem um sucessor para tomar o seu lugar quando o senhor morrer?

Srila Prabhupada:

Não, ainda não está estabelecido . Ainda não está estabelecido.

Repórter:

Então, qual é o processo? Os Hare Krishnas seriam...

Srila Prabhupada:

Nós temos secretários. Eles estão administrando.

(Entrevista com Srila Prabhupada, 14/07/76, Nova Iorque)  

O fato de Srila Prabhupada não ter autorizadoqualquer de seus discípulos para atuar como diksa-guru não significa necessariamente que nenhum deles era devoto puro. Pode ser apenas o plano de Krsna que nenhum deles aceite tal papel. Ainda assim os seguidores de Srila Prabhupada possuem uma importante papel a executar, assim como quando ele estava fisicamente presente no planeta, ou seja, atuar como seus assistentes,não como sucessores acaryas:  

“Todos os membros do GBC devem ser gurus instrutores. Eu sou o guru iniciador e vocês devem ser os gurus instrutores, ensinando o que eu estou ensinando, e fazendo o que eu estou fazendo”.
(Srila Prabhupada, carta para Madhudvisa, 4/08/75)  

“Às vezes o diksa-guru não está sempre presente. Portanto, pode-se adquirir conhecimento einstrução de um devoto avançado. Este é chamado siksa-guru. (Srila Prabhupada, palestra sobre o B.G., 4/7/74, Honolulu)  

Assim,se Srila Prabhupada algum devoto puro ou não é irrelevante,o fato é que ele estabeleceu o sistema Ritvik. Apesar do diksa-guru no momento não estar presente fisicamente, isso não significa que ele não seja diksa-guru. Na sua ausência se espera que nós recebamos instruções de siksa-gurus fidedignos, que eventualmente podem ser milhões.

 

9) “Enquanto um guru estiver seguindo estritamente, não importa quão avançado ele seja, eventualmente ele irá se tornar qualificado e levar discípulos de volta para o Supremo

 

Como foi discutido anteriormente, a fim de atuar como diksa-guru deve-se primeiramente alcançar a mais elevada plataforma de serviço devocional, e assim tornar-se um maha-bhagavata. Então ele necessita ser autorizado pelo acarya predecessor para iniciar. Esta filosofia sobre o guru é como um cheque pré-datado, e é uma especulação ofensiva, como a seguinte ilustração:  

“Embora Prthu Maharaja fosse de fato uma encarnação da Suprema Personalidade de Deus, ele rejeitou aquelas honrarias porque as qualidades da Pessoa Suprema ainda não estavam manifestas nele. Ele queria enfatizar que alguém que na realidade não possui estas qualidades não deve tentar ocupar a seus seguidores e devotos em oferecer-lhe glória por causa delas, ainda que estas qualidades possam ser manifestadas no futuro. Se um homem que de fato não possui os atributos de uma grande personalidade ocupa seus seguidores em seu louvor com a expectativa de que tais atributos irão se desenvolver no futuro, tal tipo de adoração é na realidade um insulto.”
(Srimad-Bhagavatam, 4.15.23, significado)  

Assim como seria um insulto dirigir-se a um homem cego como tendo“olhos-de-lótus”, dirigir-se a uma alma condicionada e dizer-lhe que é como Deus (GII, pg.15, ponto 8) é similarmente ofensivo; não apenas à pessoa que está falsamente sendo elogiada, mas também é ofensivo à sucessão discipular pura, constituída por almas de fato realizadas e pelo próprio Senhor Supremo.  

“Seguir estritamente” é o processo pelo qual o discípulo avança, nãouma qualificação em si. Devotos freqüentemente confundem o processo com a qualificação, e mesmo algumas vezes pregam que são a mesma coisa. Apenas porque alguém está seguindo estritamente isso não significa que seja maha-bhagavata”, ou que seu próprio mestre espiritual pediu que ele iniciasse; e se um discípulo começa a iniciar antes de ser apropriadamente qualificado e autorizado, ele certamente tampoucoestá seguindo estritamente.  

Algumas vezes devotos citam o texto 5 do Néctar da Instrução (comentário) para provar que “um vaisnava neófito ou um vaisnava na plataforma intermediária também pode aceitar discípulos...”. Por alguma razão, eles não observam o resto da frase, que adverte aos discípulos de taisgurus que “eles não podem avançar muito bem em direção à meta última da vida sob sua orientação insuficiente”. Mais adiante está afirmado:  

“Portanto, o discípulo deve ser cuidadoso em aceitar um uttama-adhikari como um mestre espiritual”.  

Gurus desqualificados também são advertidos:  

“Ninguémdeve se tornar um mestre espiritual a menos que ele tenha alcançado a plataforma de uttama-adhikari
(O Néctar da Instrução, texto 5, significado).  

Se um guru está oferecendo apenas uma “orientação insuficiente”, ele não pode, por definição, ser um diksa-guru, uma vez que isso requer a transmissão de pleno divya-jñana. Insuficiente significa que não é o bastante. É auto-evidente que provavelmente é melhor que gurus iniciadores que não podem ajudaralguém a “avançar muito bem” sejam completamente evitados .

 

10) “O sistema Ritvik  por definição significa o final da sucessão discipular.”

 

A sucessão discipular ou guru-parampara é eterna; pará-la está fora de cogitação. De acordo com Srila Prabhupada, o movimento de sankirtana (e por conseguinte a ISKCON) irá existir apenas pelos próximos 9.500 anos. Comparado com a eternidade, 9.500 anos não são nada, apenas algo irrisório no tempo cósmico. Este parece ser o período de tempo durante o qual Srila Prabhupada deverá permanecer como o “corrente elo” na ISKCON, a não ser que ele ou Krsna revogue a ordem do dia 9 de julho, ou alguma circunstância externa torne a ordem impossível de ser seguida (como uma total aniquilação termo-nuclear). Acaryas anteriores têm ficado na corrente por longos períodos de tempo; milhares (Srila Vyasadeva) ou mesmo milhões de anos (veja a citação abaixo). Nós não vemos razão para que a duração do reinado de Srila Prabhupadacomo o “corrente elo ”- mesmo que isso se estendaaté o fim do Movimento de sankirtana-seja um problema em particular.  

“A respeito do sistema de parampara: não há nada para se maravilhar quando se vêgrandes espaços de tempo (...) nós encontramos no Bhagavad-gita que o Gita foi ensinado ao deus do Solvários milhões de anos atrás, porém Krsna somente mencionou três nomes neste sistema de parampara, chamados: Vivasvan, Manu e Iksvaku; porém estes espaços de tempo não apresentam nenhum obstáculo para entender o sistema de parampara; temos que aceitar o acarya proeminente e segui-lo (...) nós temos que aceitar o acarya autorizado em qualquer que seja a sampradaya a que pertençamos”
(Carta de Srila Prabhupada para Dayananda, 12/04;68).  

A ordem do dia 9 de julho é importante, uma vez que significa que Srila Prabhupadaserá o acarya proeminente-pelo menos para os membros da ISKCON- por tanto tempo quanto a Sociedade exista. Apenas pela intervenção direta de Srila Prabhupada ou de Krsna poderá ser revogada a ordem final (tal intervenção necessariamente deverá pelo menos ser tão clara e inequívoca como uma diretriz assinada e enviada para toda a Sociedade). Desta forma, até que uma contra-instrução seja dada, a ciência do serviço devocional deverá continuar a ser transmitida diretamente por Srila Prabhupada para as sucessivas gerações de seus discípulos. Uma vez que este é um fenômeno comum em nossa sucessão discipular, não há causa para alarme. A sucessão discipular somente pode ser considerada ‘acabada’ se essa ciência do serviço devocional estiver perdida. Em tais ocasiões, geralmente o Senhor Krsna pessoalmente desce para reestabelecer os princípios da religião. Enquanto os livros de Srila Prabhupada estiverem em circulação, essa ciência permanecerá vigorosamente intacta e perfeitamente acessível.

 

11) “O sistema Ritvik significa o fim da relação guru-discípulo, a qual tem sido a tradição por milhares de anos”.

 

O sistema Ritvik envolve a conexão de um número potencialmente ilimitado de discípulos sinceros com o maior acarya que já abençoou a Terra para sempre, chamado Srila Prabhupada. Estes discípulos terão um relacionamento com Srila Prabhupada baseado nos estudos dos seus livros e servindo-o na sua Sociedade, onde há ampla oportunidade para que exista um ilimitado número de relações entre discípulos e siksa-gurus. Em que sentido significa que isso acabaria com a tradição guru-discípulo?  

Os detalhes de como o relacionamento entre o diksa-guru e o discípulo é formalmente realizado pode ser adaptado por um acarya de acordo com o tempo, lugar e circunstância, mas o princípio permanece o mesmo:  

“Srimad Viraghava acarya, um acarya da sucessão discipular da Ramanuja-sampradaya, observou em seu comentário que os candalas, ou almas condicionadas que nascem na classe inferior àquela das famílias sudra, também podem ser iniciados de acordo com as circunstâncias. As formalida depodem ligeiramente ser modificadas aqui e ali para torná-los Vaisnavas”. (SB, 4.8.5, significado)  

Similarmente, este princípio de aceitar iniciação de um mestre espiritual fidedigno não é demodo algum diminuído ou comprometido pelo sistema Ritvik.  

Algumas pessoas indicam que os gurus tradicionais que vivem em vilarejos na Índia são um modelo para a ISKCON. Cada guru tem uns poucos discípulos que são por ele treinados pessoalmente. No entanto, por mais cômodo que isso possa parecer, nem remotamente tem algo a ver com a missão mundial predita pelo Senhor Caitanya e estabelecida por Srila Prabhupada. Dentro desta Missão, Srila Prabhupada é o acarya com milhares, e potencialmente milhões, de discípulos. Srila Prabhupada estabeleceu um movimento mundial através do qual qualquer um pode se “aproximar”, “servi-lo” e “indagar” dele em qualquer lugar do mundo. Por que nós desejaríamos introduzir um sistema de guru como o dos vilarejos da Índia dento da ISKCON, quandonão foi isso o que Srila Prabhupada ordenou ou estabeleceu?  

Se cada um meditar em centenas de diferentes gurus com diferentes pontos de vista, opiniões e níveis de realização, como poderia haver unidade? Em vez desta abordagem da vida espiritual como se fosse uma loteria, como nós demonstramos, Srila Prabhupada nos deu um sistema seguro que facilitava a rendição diretamente a ele, que é 100% garantido. Nós sabemos que ele nunca irá nos decepcionar, e deste modo a ISKCON irá permanecer unida, não apenas no nome, mas em consciência.  

Alguns devotos sentem que sem a sucessão de gurus iniciadores que estejam vivos e fisicamente presentes, a ciência do serviço devocional será perdida. No entanto,este princípio nunca foi dito sequer uma vez por Srila Prabhupada, e assim não pode existir em nossa filosofia. Enquanto o sistema Ritvik permanecer em vigor (uma vez que seja reinstituído, obviamente) haverá uma sucessão de siksa-gurus vivos atuando em nome do Maha-bhagavata que também está vivo, embora não esteja fisicamente presente. Enquanto esses siksa-gurus não mudarem nada, inventarem filosofia, desobedecerem às ordens importantes e desautorizadamente se apresentarem como diksa-gurus, a existência do serviço devocional irá permanecer perfeitamente intacta. Se tal mau comportamento obstruísse a ciência imperecível de bhakti, então Krsna certamente interviria de algum modo, talvez enviando novamente um residente de Goloka para reestabelecer uma nova Sociedade fidedigna. Vamos trabalhar juntos para assegurar que isso não será necessário.

 

12) “Ritviks não são o meio regular para conduzir se a sucessão discipular. A maneira apropriada para fazer isso é ter um guru ensinando o discípulo tudo o que ele necessite para saber sobre Krsna, enquanto fisicamente presente. Uma vez que o guru abandone o planeta, é deverde todos os seus discípulos estritos imediatamente começar a iniciar seus próprios discípulos, assim levando adiante a sucessão discipular. Este é o modo regular de fazer as coisas”.

 

Deixando de lado dois importantes pré-requisitos para alguém que dá iniciações, é claro que a atividade de diksa dentro do nosso parampara é imensamente diversa. Nós temos observado queviolações do assim chamado “sistema regular” se enquadram em cinco categorias básicas, apesar de nós não negarmos que pode haver muitas outras:  

a) Intervalos:

São ocasiões quando um acarya no parampara parte, e não há um elo seguinte para começar a dar iniciações imediatamente; ou a pessoa que se tornaria o próximo elo não recebe imediatamente a autorização de seu mestre espiritual para dar iniciação depois de sua partida. Por exemplo, há um intervalo de cerca de vinte anos entre a partida de Srila Bhaktisiddhanta e a próxima iniciação fidedigna em nossa sampradaya. Intervalos de mais do que cem anos não são incomuns entre os membros da sucessão discipular.  

b) Intervalos reversos:

São ocasiões quando um acarya ainda não deixou o planeta antes de seus discípulos começarem a dar iniciações. O Senhor Brahma, por exemplo, não havia deixado seu corpo, e ainda assim gerações de gurus sucessores iniciaram muitos milhões de discípulos. Srila Bhaktisiddhanta iniciou quando Srila Bhaktivinoda e Srila Goura Kisora estavam fisicamente presentes. De acordo com o texto GII (pg. 23), isso é um fenômeno comum na nossa sampradaya.  

c) Elos como siksa-guru/diksa-guru:

Há exemplos de um discípulo aceitar um acarya como seu mestre espiritual após este ter deixado o planeta. Se o acarya que partiu é um siksa-guru ou diksa-guru para o discípulo é difícil de discernir. Srila Prabhupada geralmente não especificava a precisa natureza destas interações espirituais. Por exemplo, a exata natureza do relacionamento entre Srila Visvanatha Cakravarti Thakura e Narottama Dasa Thakura, que viveram cerca de cem anos distantes, não é detalhada por Srila Prabhupada. Nós poderíamos chamar issoum relacionamento siksa, mas isso é especulação, uma vez que Srila Prabhupada simplesmente diz:  

“Srila Narottama Dasa Thakura aceitou Srila Visvanatha Cakravarti como seu servo”
(C.C. Adi,
1).  

“... Visvanatha Cakravarti Thakura. Ele aceitou seu guru, Narottama Dasa Thakura”
(Srila Prabhupada, palestra sobre o S.B., 17/04/76, Mombay).
 

Apesar de tais discípulos normalmente passarem por algum tipo de cerimônia com alguém que está fisicamente presente, isso não quer dizer que o acarya que jápartiu não seja seu diksa-guru; assim como em uma cerimônia Ritvik não significa que o Ritvik ou o presidente de templo se torne o diksa-guru. Também é um fato que tais discípulos geralmente obtinhampermissão de uma autoridade que estava presente fisicamente para aceitar seu sad-guru , que não estava presente. De uma maneira similar, quando o sistema Ritvik for reestabelecido, os novos discípulos de Srila Prabhupada primeiramente obterão a permissão do presidente de templo e do Ritvik antes de serem iniciados.  

d) Modo de iniciação:

São formas anômalas de iniciação, ondeformas únicas ou inconcebíveis de transmissão de diksa ocorreram. Por exemplo, o Senhor Krsna para o Senhor Brahma; ou o Senhor Caitanya sussurrando no ouvido de um budista. Diksa interplanetária pode também estar sob esta categoria. Isso é quando as personalidades dão iniciação-ou transmitem diksa- para um discípulo que reside em um planeta diferente, como o exemplo de Manu para Iksvaku no Bhagavad-gita, 4.1.  

e) Sistemas de sucessores:

Refere-se a diferentes sistemas de acaryas sucessores dentro de nossa sampradaya. Por exemplo, Srila Bhaktivinoda adotou o sistema de sucessor com um “poderoso filho vaisnava”. Srila Bhaktisiddhanta idealizou um sistema de sucessor com um “acarya auto-refulgente”. Até onde podemos determinar, Srila Prabhupada deixou no seu lugar o sistemaRitvik –representante do acarya com o propósito de executar as iniciações”, segundo o qual “os novos devotos iniciados são discípulos de Sua Divina Graça, A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada”. O atual sistema favorecido pelo GBC é um “sistema de múltiplos acaryas sucessores”.    

Está bem claro que a abordagem de cada acarya é única; então, falar sobre um “sistema regular” para continuar o parampara é praticamente sem sentido.

 

13) “Se nós adotarmos o sistema Ritvik, o quê iria imperdir-nos de aceitar iniciação de qualquer acarya anterior, como por exemplo Srila Bhaktisiddhanta?”

 

Duas coisas impedem esta opção de ser válida :  

  1.  Srila Bhaktisiddhanta e outros acarya anteriores não autorizaram o sistema Ritvik para funcionar “daqui para frente”;

  2. Nós devemos nos aproximar do elo corrente:

“... a fim de receber amensagem real do Srimad-Bhagavatam, deve-se aproximar do elo corrente, ou mestre espiritual na corrente de sucessão discipular”
(S.B., 2.9.7, comentário).

É auto-evidente que Srila Prabhupada é o sampradaya-acarya sucessor de Srila Bhaktisiddhanta. Srila Prabhupada é portanto o nosso elo corrente, sendo a pessoa correta para nos aproximar para iniciação.

 

14) “Para alguém ser o elo corrente ele deve estar presente fisicamente”.

 

Srila Prabhupada nunca fez tal afirmação.

Então, vamos analisar: pode um mestre espiritual ser “corrente” se estiver fisicamente ausente?  

  1. O termo “elo corrente(current link)” é apenas usado em uma passagem nos livros de Srila Prabhupada; não há referência a presença física adjacente ao termo. Se a presença física fosse essencial, certamente teria sido mencionada;

  2. Nos dicionários as definições da palavra “corrente(current)” não se referem à presença física.

  3. Nos dicionários as definições da palavra “corrente(current)” podem ser prontamente aplicadas a um mestre espiritual fisicamente ausente e seus livros: “mais recente”, “comumente conhecido, praticado ou aceito”, “muito divulgado”, “circulando e válido no presente” (Collings English Dictionary)  Até onde vemos,todas as definições acima podem ser aplicadas a Srila Prabhupada e aos seus livros.

  4. O próprio propósito de se aproximar do “elo corrente” pode ser plenamente satisfeito lendo os livros de Srila Prabhupada:

“... a fim de receber a verdadeira mensagem do Srimad-Bhagavatam, deve-se aproximar do elo corrente, ou mestre espiritual na corrente de sucessão discipular” (SB, 2.9.7, comentário).

  1. Srila Prabhupada também usa o termo “acarya imediato” como sinônimo de “elo corrente”. A palavra “imediato” significa: “Sem interferência de intermediário”, “mais próximo ou mais direto em efeito ou relacionamento” (Collins English Dictionary)

Estas definições legitimamum relacionamento direto com Srila Prabhupada sem a necessidade de intermediários, novamente sem ligação com a presença física ou não.  

  1. Uma vez que há exemplos de certos discípulos iniciando enquanto seu guru ainda estava no planeta, parece r que não existe uma relação direta entre o status do elo corrente e a sua presença ou ausência física. Em outras palavras, se é possível ser o próximo elo corrente mesmo enquanto seu próprio guru está presente fisicamente, por que não poderia ser possível para um acarya que se fora do planeta permanecer o elo corrente?

Em conclusão, nós não vemos evidência que sugira que o surgimentode um elo correnteesteja baseado ou em considerações físicas ou não-físicas.

     

15) “Todos os irmãos espirituais de Srila Prabhupada se tornaram acaryas iniciadores após o desaparecimento de Srila Bhaktisiddhanta, então o que está errado se os discípulos de Srila Prabhupada fazem o mesmo?”

 

Ao apresentarem-se como acaryas iniciadores, os discípulos de Srila Bhaktisiddhanta desafiaram diretamente a ordem final de seu mestre espiritual (para formar um GBC e esperar por um acarya auto-refulgente). Srila Prabhupada condenou inteiramente a insubordinação de seus irmãos espirituais, descrevendo-os como inúteis para pregar, o que dizer para dar iniciação:  

“Entre meus irmãos espirituais, nenhum é qualificado para se tornar acarya”. (Srila Prabhupada, carta para Rupanuga, 28/04/74).  

“Em geral, você talvez saiba que ele (Bon Maharaja) não é uma pessoa liberada, portanto ele não pode iniciarpessoa na Consciência de Krsna. Isso requer uma bênção especial de autoridades superiores”.
(Srila Prabhupada, carta para Janardana, 26/04/68).
 

“Se todos simplesmente começarem a dar iniciação, o resultado será contrário. Enquanto isso continuar, haverá somente fracasso”.
(Srila Prabhupada, oferenda de vyasa-puja, verso 23, 1961).
 

Nós podemos ver em recentes experiências quanto prejuízo uma destas personalidades pode causar à missão de Srila Prabhupada. Nós sugerimosrespeito de uma distância tão grande quanto possível. Certamente, nós não podemos tomá-los comomodelos de como um discípulo deve levar adiante a missão de seu mestre espiritual. Eles destruíram a missão de seu mestre espiritual , e são mais do que capazes de fazer o mesmo com a ISKCON se nós deixarmos.  

Com respeito ao sistema de gurus da Gaudiya Matha, talvez seja o único precedente histórico ao qual o M.A.S.S. possa se referir; e também este sistema foi estabelecido de um desafio direto às claras ordens de seu fundador-acarya.

 

16) “Quando Srila Prabhupada disse que eles não deveriam ser acaryas, ele quis dizer com um “A” maiúsculo. Ou seja, um acarya que dirija uma instituição.”

 

Quando é que Srila Prabhupada diferenciou acaryas com um “A” maiúsculo de um “a” minúsculo? Onde é que Srila Prabhupada fala de um tipo específico de acaryas que podem liderar instituições e indique que há espécies inferiores que por alguma incapacidade não podem fazê-lo?

 

17) “É comumente compreendido que há três tipos de acaryas. Todos na ISKCON aceitam isso”.

 

Mas esta idéia nunca foi ensinada por Srila Prabhupada. Ela foi introduzida por Pradyumna dasa em uma carta para Satsvarupa dasa Goswami, datada de 07/08/78. Esta carta foi mais tarde reimpressa no texto “Under My Order” e foi usada como um dos pilares para as teses do texto sobre como o sistema de gurus na ISKCON deveria ser reformado. Por sua vez, este textoforma a base da doutrina sobre as iniciações (como já mencionamos na introdução) no texto GII. Este texto levou à transformação do sistema de acarya regional em sua forma do M.A.S.S. atual:  

“Eu peguei esta definição de acarya de uma carta do dia 7 de agosto de 1978 de Pradyumna para Satsvarupa Dasa Goswami. O leitor deverá agora voltar-se para esta carta (a qual eu anexei), para um estudo cuidadoso”
(Under My Order, Ravindra Svarupa dasa, agosto de 1985).
 

Nesta carta Pradyumna explica que a palavra “Acharya” pode ser considerada em três sentidos:  

1. Aquele quem pratica o que prega;

2. Aquele que concede iniciação a um discípulo;

3. O líder espiritual de uma instituição e que foi especificamente apontado pelo acarya anterior para ser o seu sucessor.  

Nós aceitamos a definição 1, uma vez que Srila Prabhupada costuma usá-la . Esta definição deverá automaticamente aplicar-se a um pregador efetivo, seja ele siksa-guru ou diksa-guru.  

Seguindo com a definição 2: Pradyumna explica que este tipo de acarya pode iniciar discípulos e ser referido como acaryadeva, mas apenas por seus discípulos:  

“Qualquer um que concede iniciação ou é um guru pode ser chamado“acaryadeva”, etc. apenas pelos seus discípulos. Quem quer que o tenha aceitado como guru deverá dá-lo todos os respeitosem todos os aspectos, mas isso não se aplica àqueles que não são seus discípulos.”
(Pradyumna, 7/8/78).

Isso é uma invenção. Em nenhum lugar Srila Prabhupada jamais descreveu que um guru cuja natureza é absoluta deva apenas ser reconhecidopelos seus próprios discípulos, e não pelomundo em geral, ou mesmo por outros vaisnavas da mesma linha. Vamos ver como Srila Prabhupada define a palavra acaryadeva. Os seguintes excertos da oferenda de Vyasa Puja foram impressos na ‘Ciência da auto-realização’ (capítulo 2), onde ele usa o termo em relação ao seu próprio mestre espiritual, Srila Bhaktisiddhanta:  

“O guru, ou acaryadeva, como nós aprendemos das escritura fidedignas, entrega a mensagem do mundo absoluto...”  

“.. quando nós falamos do princípio fundamental de gurudeva, ou acaryadeva, nós falamos de algo que temaplicação universal”.  

“O acaryadeva por quem nós estamos reunidos esta noite para oferecer nossas humildes homenagens não é o guru de uma instituição sectária ou apenas mais um entre tantos diferentes expoentes da verdade. Pelo contrário, ele é o jagad-guru, ou o guru de todos nós”.  

A forma como Srila Prabhupada usa e define a palavra “acaryadeva” é diametralmente oposta àquela de Pradyumna. Está implícito no que Pradyumna diz que o termo “acaryadeva” pode ser falsamente aplicado a pessoas que não estão de fato naquela plataforma elevada. Assim, ele relativiza a posição absoluta do diksa-guru.

O termo “acaryadeva” pode apenas ser aplicado a alguém que de fato é o “guru de todos nós”, alguém que deve ser adorado pelo mundo inteiro:  

“... ele é conhecido como sendo a manifestação direta do Senhor e um genuíno representante de Sri Nityananda Prabhu. Tal mestre espiritual é conhecido como acaryadeva
(C.C., Adi,
1.46).  

Na definição 3 Pradyumna explica que a palavra “acarya” indica o líder de uma instituição, e que este significado é bem específico:  

“Isso não significa qualquer um; significa apenas quem foi especificamente apontado pelo acarya anterior para ser o sucessor acima de todos os outros como líder da instituição espiritual (...) essa é a tradição estrita em toda a Gaudiya-sampradaya”
(Carta de Pradyumna, para Satsvarupa dasa Goswami, 7/8/78).  

Nós certamente concordamos que para dar iniciação alguém deve primeiramente ser autorizado pelo acarya anterior (um pontoque não é sequer mencionado na explicação que da definição 2):  

“Deve-se aceitar iniciação de um mestre espiritual fidedigno vindo na sucessão discipular e que é autorizado pelo seu mestre espiritual predecessor”
(S.B., 4.8.54, comentário).
       

Todavia, que isso tem a ver com ocupar a posição de líder de uma instituição espiritual é bastante confuso, já que Srila Prabhupada é o acarya de uma instituição inteiramente separada daquela de seu Guru-maharaja. Então, de acordo com a filosofia de Pradyumna, a posição de Srila Prabhupada como acarya somente poderia se enquadrar na definição 2. Qualquer que seja a “tradição estrita” a que se refere Pradyumna, ela certamente, jamais fora mencionada por Srila Prabhupada, e assim nós poderemos seguramente descartá-la. Mais abaixo nós vemos exatamente de onde foi que Pradyumna tirou essas insidiosas idéias: 

“De fato, nas diferentes Gaudiya Mathas mesmo se um irmão espiritual estiver na posição de acarya, ele freqüentemente por humildade aceita apenas um numtecido leve como asana, nada mais elevado”.  

Nenhum dos irmãos espirituais de Srila Prabhupada era um acarya autorizado. Poderia se pensar que verdadeira humildade se traduziria em abandonar uma atividade desautorizada, qualquer que fosse, e reconhecendo a eminente posição de Srila Prabhupada, render-se ao verdadeiro Jagad-guru. Infelizmente, poucos membros da Gaudiya Matha fizeram isso. O fato de Pradyumna citar estas pessoas comoexemplos fidedignos significa que ele está mais uma vez denegrindo a posição do verdadeiro Acaryadeva.  

 “Com respeito a Bhakti Puri e Tirtha Maharaj, eles são meus irmãos espirituais e devem ser respeitados. Mas você não deverá ter nenhuma conexão íntima com eles, uma vez que têm agido contra as ordens de meu guru-maharaja”. (Carta de Srila Prabhupada para Pradyumna, 17/2/68).  

É vergonhoso que Pradyumna Prabhu tenha ignorado esta instrução direta de seu guru-maharaja, e é muito extraordinário que esta visão desviante forme o siddhanta do atual sistema de guru dentro da ISKCON.  

Assim, quando Srila Prabhupada disse que nenhum de seus irmãos espirituais era qualificado para se tornar acarya, se ele estava se referindo à definição 1 ou 3é algo irrelevante. Se eles não eram qualificados de acordo com a definição 1, então isso significa que eles não ensinavam pelo exemplo, o qual automaticamente os desqualifica para a definição 3, e por conseguinte para dar iniciação. E se eles não estavam qualificados de acordo com a definição 3, então eles não eram autorizados, e portanto mais uma vez tampouco poderiam dar iniciação.  

Em conclusão:  

  1. Todos os pregadores devem aspirar se tornar acarya de acordo com a definição 1, ou siksa-guru;

  2. A elaboração da definição 2 por Pradyumna dasa é completamente falsa. É proibido para qualquer um, discípulo ou não, considerar um guru fidedigno ou acaryadevauma pessoa comum. E se de fato ele for um homem comum, então ele não poderá iniciar ninguém,tampouco ser referido como acaryadeva. Além disso, aqui não há menção da necessidade de se receber específica autorização do acarya predecessor na sucessão discipular, sem a qual ninguém pode dar iniciação.

  3. A definição 3 trata do único o tipo de acarya que pode iniciar; ou seja, alguém que tenha sido autorizado pelo acarya de sua própria sampradaya, seu mestre espiritual. Tendo sido então autorizado, elepode ou não liderar uma instituição, o que é irrelevante.

Dentro da ISKCON todos os devotos são instruídos a se tornar acarya de acordo com a definição 1: ensinando através do exemplo como siksa-gurus. Um bom começo no caminho para se tornar este tipo de acarya é começar a seguir estritamente as ordens do mestre espiritual.

 

18) “Isso parece um pequeno ponto, então como estas idéias sobre os acaryas poderiam ter causado algum  significativo efeito adverso  na ISKCON?”

 

De fato, a relativização do diksa-guru iniciador levou àmuitas confusões dentro da ISKCON. Alguns gurus da ISKCON dizem que eles estão levando seus discípulos “de volta ao Supremo” atuando como os elos atuais a Srila Prabhupada, que é o fundador-acarya; e alguns dizem que eles estão simplesmente introduzindoos discípulos a Srila Prabhupada, que é o verdadeiro elo corrente e que está levando-os de volta ao Supremo (muito parecido com a filosofia Ritvik ). Alguns gurus dizem que Srila Prabhupada ainda éo acarya corrente; outros dizem que ele não é; enquanto que uma dupla deles proclamaram a si mesmos como os únicos acaryas sucessores de Srila Prabhupada. Alguns gurus da ISKCON ainda crêem que Srila Prabhupada apontou 11 acaryas sucessores (um mito que foi recentemente reportado como fato no LA Times); outros dizem que ele apontou 11 Ritviks que se tornariam acaryas com “a” minúsculo imediatamente depois de sua partida; outros dizem que não somente são aqueles 11 que deveriam se tornar acaryas com “a” minúsculo depois da partida de Srila Prabhupada, mas sim todos os discípulos de Srila Prabhupada (com exceção das mulheres ao que parece).

Se nós retornarmos mais uma vez para o texto GII, nós poderemos ver que o GBC é altamente ambivalente com relação aosgurus que eles ‘autorizam’.  

Apesar de recon hecerem que rotular sampradaya-acaryas não é algo fidedigno (GII, pg. 15, ponto 6), o GBC não obstante executa precisamente esta mesma função a cada ano em Mayapur, durante o festival de Gaura-purnima. Nós agora quase uma centena de gurus iniciadores, todos ungidos com o selo de aprovação “sem objeção”. Todos esses gurus estão sendo adorados como saksad-hari (tão bons quanto Deus) de acordo com as próprias diretrizes do GBC para os discípulos (GII, pg.15, ponto 8). Esses acaryas iniciadores são anunciados como elos correntes da sucessão discipular de maha-bhagatavas, a qual remonta a milhares de anos atrás até chegar ao próprio Senhor Supremo:  

“O devotos devem tomar abrigo dos representantes de Srila Prabhupada, que são os “elos correntes” na sucessão discipular”.
(GII, pg.34)
 

Mas ao mesmo tempo, o aspirante a discípulo é enfaticamente advertido que a aprovação da ISKCON...  

 “... nãodeve ser automaticamente aceita como uma declaração do nívelde realização de Deus que possa ter sido atingido pelo guru aprovado.”
(GII, pg. 9, seção 2.2).
 

Mais adianteé avisado:  

“Quando um devoto tem a permissão para levar adiante a “ordem” de Srila Prabhupada para expandir a sucessão discipular iniciando novos discípulos, isso não é para ser tomado como uma certificação ou endossamento de que ele é um “uttama-adhikari”, “devoto puro”, ou que tenha alcançado algum de estado específico de realização”.
(GII,
pg.15).  

Estes gurus não devemser adorados por todos no templo, mas apenas pelos seus próprios discípulos num lugar separado. (GII, pg.7) – (definição de “acaryadeva” dada por Pradyumna).  

Nós mostramos que o único tipo de  diksa-guru  fidedigno é um maha-bhagavata autorizado; nós também mostramos que a verdadeira “ordem” fora para Ritviks e siksa-gurus. Assim, para descrever qualquer um como “elo corrente” ou guru iniciador, é sinônimo declará-lo como sendo um acarya com “A” maiúsculo da definição 3, um “uttama-adhikari” ou um “devoto puro”.  

Aventuramo-nos a dizer que parece inadequado aprovar ou objetar à criação de diksa-gurus e simultaneamente negar qualquer culpa ou responsabilidade sacoeles se desviem. Isso é o que se chama “viver em negação” de acordo com terminologia da psicologia moderna. Nós temos que Srila Prabhupada não tinha a intenção de fazer da ISKCON um tipo de “loteria” ou “roleta russa”, onde se aposta a vida espiritual de alguém. Talvez os membros do GBC devessem parar de rotular gurus até que eles estejam 100% seguros sobre a idoneidade daquelespor eles aprovados. Afinal de contas, cada um de nós está 100% seguro a respeito da idoneidade de Srila Prabhupada como um mestre espiritual fidedigno; assim, tal consenso em reconhecer a qualificação pessoal de alguém não é impossível.  

A ambivalência do GBC foi recentemente resumida de modo muito sucinto por Jayadvaita Swami:  

“A palavra ‘apontado’ jamais é usada. Mas há ‘candidatos a guru iniciador’, votos são dados, e aqueles que passam neste procedimento se tornam ‘gurus aprovados pela ISKCON’, ou ‘gurus autorizados pela ISKCON’. Para reforçar sua confiança: por um lado o GBC encoraja você a ser iniciado por um guru fidedigno, autorizado pela ISKCON, e adorá-lo como Deus. Por outro, tem um elaborado sistema de leis a serem aplicadas de tempos em tempos quando o seu guru autorizado pela ISKCON cai. Talvez possa-se perdoaralguém por pensar que com tantas leis e resoluções, o papel do guru na ISKCON é ainda uma perplexidade mesmo para o GBC”.  
(“Where the Ritvik People are Right”, Jayadvaita Swami, 1996)  

Quando nós olhamos o apavorante registro dos gurus na ISKCON, não é nada surpreendente que tal desconfiança exista. Citando mais uma vez o texto de Jayadvaita Swami:  

Fato: gurus da ISKCON se opuseram, oprimiram e mandaram embora muitos dos seus irmãos e irmãs espirituais sinceros.

Fato: gurus da ISKCON usurparam e usaram dinheiro de forma imprópria, e exploraram outros recursos da ISKCON para prestígio pessoal e gratificação dos sentidos.

Fato: gurus da ISKCON tiveram intercurso sexual tanto com mulheres quanto com homens, epossivelmente com crianças também.

Fato: ... (... etc., etc.)

(“Where the Ritvik People are Right”, Jayadvaita Swami, 1996);

É dito aos recém-chegados na ISKCON que éresponsabilidade deles examinar cuidadosamente os gurus da ISKCON baseados nas instruções dos livros de Srila Prabhupada para assegurarem-se pessoalmente que eles são qualificados para dar iniciação. Contudo, se algum candidato a discípulo chega à conclusão de que nenhum dos gurus que estão sendo oferecidos “presentes fisicamente” está no padrão, e que em vez deles deseje colocar sua fé em Srila Prabhupada como seu diksa-guru, ele é perseguido e afastado da Sociedade. Será isso verdadeiramente justo? Afinal, ele está fazendo o que o GBC disse que ele devia fazer. Deveria ele ser punido por não chegar à conclusão “correta”, especialmente quando existe evidência tão clara e inequívoca que esta escolha é precisamente o que Srila Prabhupada sempre quis?  

Seria razoável esperar que alguém tenhafé inabalável no presente sistema de gurus quando se vê que mesmo o GBC considera necessário construir um rigoroso sistema penal simplesmente para mantê-los na linha? Um sistema penalque em si mesmo jamais fora sequer uma vez mencionado nos livros e nas instruções nos quais o candidato a discípulo é aconselhado a basear sua decisão. Seria difícil encontrar um caso de incoerência auto-referente mais claro do que este.  

Seria mais seguro para todos os interessados senós apenas seguíssemos a ordem clara da Srila Prabhupada, mantendo-o como o único iniciador dentro da ISKCON. Quem poderia objetar contra isso?

 

19) “De acordo com o Jornal da ISKCON de 1990, alguns irmãos espirituais de Srila Prabhupada eram de fato acaryas.”

 

Quem disse isso?

“Bhaktisiddhanta Saraswati nunca disse ou deu qualquer documento para que Swamiji (Srila Prabhupada) se torna-se guru”
(ISKCON Journal 1990, pg.23).  

“Mas há um sistema em nossa sampradaya. Então Tirtha Maharaj, Madhava Maharaja, Sridhar Maharaj, nosso Gurudev, Swamiji – Swamiji Bhaktivedanta Swami – todos eles se tornaram acaryas”.
(ISKCON Journal 1990, pg.23)

Compare as citações acima com o que Srila Prabhupada pensava sobre um destes “acaryas”:  

“Bhakti Vilas Tirtha é muito antagonista à nossa sociedade e não tem uma concepção clara sobre serviço devocional; ele está contaminado.”
(Srila Prabhupada, carta para Sukadeva, 14/11/73)
 

E comoele se referiu aos demais?  

“Entre meus irmãos espirituais nenhum está qualificado para se tornar
acarya.

(Srila Prabhupada, carta para Rupanuga, 28/04/74)

 

20) “Srila Prabhupada algumas vezes falou bem de seus irmãos espirituais.”

 

É verdade que em diferentes ocasiões Srila Prabhupada lidou diplomaticamente com seus irmãos espirituais, referindo-se a Sridhar Maharaja como seu siksa-guru, etc. Srila Prabhupada era também uma pessoa calorosa, que tinha cuidadoe afeição genuínos por seus irmãos espirituais, sempre tentando um jeito de engajá-los no Movimento de sankirtana. Contudo, nós devemos entender que se eles fossem genuínos acaryadevas, Srila Prabhupada nunca teria falado mal deles, nem sequer uma vez. Falar de diksa-gurus fidedignos como sendo desobedientes, cobras invejosas, cães, porcos, vespas, etc., em si mesmo seria uma séria ofensa, e portanto algo que Srila Prabhupada não teria feito. Para ilustrar o modo no qual Srila Prabhupada via seus irmãos espirituais, nós iremos oferecer alguns excertos de uma conversa na qual Bhavananda está lendo um panfleto editado pela Matha de Tirtha Maharaja:  

Bhavananda: “Começa com letras grandes: ‘Acaryadeva Tridandi Swami Srila Bhaktivilasa Tirtha Maharaaj. Todos os homens eruditos estão conscientes de que nos tempos da escuridão na Índia, quando a religião Hindu estava em grande perigo....”

Srila Prabhupada: (risadas)... isso é um besteirol.

É óbvio qual o tipo de “acarya

deva” Srila Prabhupada considera Tirtha Maharaja (o mesmo Tirtha que é saudado como um acarya fidedigno no jornal da ISKCON de 1990 mencionado anteriormente). Mais adiante, o panfleto descreve como Srila Bhaktisiddhanta foi tão afortunado em ter uma maravilhosa personalidade para levar adiante a sua missão.  

Bhavananda: “... no devido tempo, ele (Srila Bhaktisiddhanta) obteve uma grande personalidade a qual prontamente assumiu o...”

Srila Prabhupada: “Agora veja só ! ‘Ele obteve uma grande personalidade’. Ele é essa personalidade. Ele também irá provar isso.   (mais tarde)... Ninguém aceita ele...onde está a sua grandeza? Quem conhece ele? Veja só. Ele está fazendo um plano para declarar a si mesmo uma grande personalidade... (Tirtha Maharaja)tem muitainveja de nós... estes patifes podem criar problemas.”
(Srila Prabhupada, conversa, 19/01/76, Mayapur)

Acaryas fidedignos jamais poderiam ser descritos como patifes invejosos que apenas querem causar problemas. Infelizmente, mesmo hoje em dia, alguns dos membros da Gaudiya Math ainda causam problemas. Respeito à distância é a política mais segura. 

 

21) “Nós sabemos que os acaryas fidedignos não têm que ser tão avançados, porque algumas vezes eles caem.”

 

Srila Prabhupada afirma precisamente o oposto:  

“Um mestre espiritual fidedigno está na sucessão discipular eternamente e ele não se desvia de forma alguma das instruções do Senhor Supremo”.
(B.gita, 4.42, comentário).

 

22) “Mas acaryas anteriores inclusive descrevem o que alguém deve fazer quando o mestre espiritual se desvia”.

 

Aqueles gurus que se desviaram como descrito, por definição nunca poderiam ter sido membros de uma sucessão discipular eterna. Ao contrário, eles não eram liberados, mas apenas membros de famílias de sacerdotes autorizados por si mesmos, apresentando-se como acaryas iniciadores. Membros fidedignos da sucessão discipular nunca se desviam:  

“Deus é sempre Deus,guru é sempre guru.
(A ciência da auto-realização, cap. 2)  

“Bem, se ele é mau, como ele pode se tornar guru?”
(A ciência da auto-realização, cap. 2)  

“O devoto puro está sempre livre das garras de Maya e de sua influência”.
(S.B., 5.3.14)

“Não há possibilidade de que um devoto de primeira classe caia.”
(C.C., Madhya, 22.71)

“Um mestre espiritual é sempre liberado.”
(Srila Prabhupada, carta para Tamal Krsna, 21/06/70)

Não há um único exemplo nos livros de Srila Prabhupada de um diksa-guru formalmente autorizado em nossa sucessão discipular que alguma vez tenha se desviado do caminho do serviço devocional. A rejeição de Sukracarya é algumas vezes utilizada para validar o ponto de vista de que acaryas caem ou podem ser rejeitados, mas este exemplo é altamente enganoso, uma vez que ele jamais foi um membro autorizado na nossa sucessão discipular. O passatempo do Senhor Brahma com sua filha é às vezes mencionado. Mesmo assim, está claramente afirmado no Srimad Bhagavatam que estes incidentes ocorreram antes que o Senhor Brahma se tornasse o líder de nossa sampradaya. De fato, quando o discípulo Nitai se referiu a este passatempo como exemplo de que um acarya pode cair, Srila Prabhupada ficou muito descontente.  

Aksayananda:

Recentemente  um devote me disse que o  acarya não precisa ser um devoto puro. [....]

Srila Prabhupada:

Quem é esse patife? [...]

Aksayananda:

 

Ele disse isso.  Nitai disse isso. Ele disse isso neste contexto, que Brahma é o acarya na Brahma-sampradaya, mas ainda assim ele às vezes é aflingido pela paixão. Por isso ele está dizendo que parece que o acarya não precisa ser um devoto puro. Então não parece correto. [...]

Srila Prabhupada:

 

Ele inventou sua própria idéia. Por isso ele é um patife. Por isso ele é um patife. Nitai se tornou uma autoridade? [...] Ele pensou alguma patifaria e está expressando isso. Por isso ele é mais patife. Essas coisas estão acontecendo.

(Conversa matinal, Vrindavan, 10-12-75)  

De acordo com Srila Prabhupada, apenas gurus desautorizados podem ser levados por opulência e mulheres.  

Apesar de gurus que se desviam não serem mencionados nos livros de Srila Prabhupada, o livro do GBC (GII) possui toda uma seção sobre o que o discípulo deve fazer quando seu guru, previamente fidedigno, se desvia. O capítulo inicia enfatizando a importância de se aproximar de um elo corrente, e não “saltar sobre” (GII, pg. 27). Porém, os autoresfazem precisamente isso citandonumerosos acaryas anteriores com a intenção de estabelecer princípios jamais ensinados por Srila Prabhupada. Os gurus descritos por aqueles acaryas anteriores jamais poderiam ter sido membros fidedignos do parampara:  

“Narada Muni, Haridasa Thakura e outros acaryas semelhantes especialmente autorizados para propagar as glórias do Senhor não podem ser rebaixados à plataforma material”
(S.B., 7.7.14, comentári

O perigo de “saltar sobre” na maneira feita no texto GII está claramente demonstrado no capítulo sobre “re-iniciação” (em si mesmo um termo jamaisusado por Srila Prabhupada nem sequer uma vez, nem por qualquer acarya anterior). Na seção de perguntas e respostas (GII, pg. 35, pergunta 4), as condições sobre as quais alguém possa rejeitar um guru e tomar “re-iniciação” são descrita. A “explicação” segue:  

“Felizmente, o ponto crucial deste tema foi esclarecido por Srila Bhaktivinoda Thakuraem seu Jaiva Dharma e por Srila Jiva Goswami em seu Bhakti Sandarbha
(GII, pg.35).  

A palavra “felizmente” ao contrário infelizmente implica que “uma vez que Srila Prabhupada nunca nos disse o que fazer quando um guru se desvia, é justo que nós possamos saltar sobre ele e recorrer a todos estes acaryas anteriores”. Porém, Srila Prabhupada nos disse que tudo que precisamos saber sobrevida espiritual está em seus livros. Por que nós estamos introduzindo sistemas que nunca foram mencionados pelo nosso mestre acarya?

 

23) “Mas o que está errado em consultar acaryas anteriores?”

 

Nada, enquanto não se tenha a intenção de utilizá-los para adicionar novos princípios que não foram mencionados pelo nosso próprio acarya. A idéia de que um guru fidedigno pode se desviar é totalmente estranha a qualquer coisa que Srila Prabhupada tenha ensinado. Todos os problemas sobre “a origem da jiva” resultam desta propensão de saltar sobre:  

“... nós devemos ver os acaryas anteriores através de Prabhupada. Nós não podemos pular sobre Prabhupada e então olhar para trás através dos olhos dos acaryas anteriores”.
(Our original Position,
pg. 163, GBC Press).  

Como é possível que adotarprincípios filosóficos inteiramente novos jamais mencionados por Srila Prabhupada seja a mesma coisa que ver “os acaryas anteriores através de Prabhupada”?  

Mesmo se a interpretação do GBC em GII sobre os textos de acaryas anteriores estivesse correta nós mesmo assim não poderíamos usá-la para modificar ou adicionar algo aos ensinamentos de Srila Prabhupada. Isso está claramente explicado em dois versos no livro Sri Krsna Bhajanamrta de Srila Narahari Sarakara. O texto GII deveria ter mencionado estes versos como um aviso, uma vez que apóia suas teses com outros versos deste mesmo livro:  

Verso 48:

“Um discípulo pode escutar alguma instrução de outro vaisnava avançado, mas após obter aquela boa instrução ele deverá trazê-la e apresentá-la ao seu próprio mestre espiritual. Após apresentá-la ele deverá escutar os mesmos ensinamentos novamente do seu mestre espiritual com instruções apropriadas”.

Verso 49:

“... um discípulo que escuta as palavras de outros vaisnavas, mesmo que suas instruções sejam apropriadas e verdadeiras, mas não re-confirma aqueles ensinamentos com seu próprio mestre espiritual e em vez disso aceita direta e pessoalmente aquelas instruções é considerado um mau discípulo e pecador”.  

Nóshumildemente sugerimospelo interesse da vida espiritual de todos os membros da ISKCON que o texto GII deve ser revisado de modo harmônico com a injunção acima.

 

24) “Por que Srila Prabhupada não explicou o que fazer quando um guruse desvia?”

 

De acordo com a ordem final de Srila Prabhupada eleseria o iniciador por muito tempo no futuro, e como um elo autorizado na sucessão discipular, está fora de questão que ele se desvie do caminho do serviço devocional puro mesmo por um segundo:  

“Um mestre espiritual fidedigno sempre se engaja no serviço devocional puro à Suprema Personalidade de Deus”.
(C.C., Adi,
1.46)

Srila Prabhupada ensinou que um gurucairá somente se não for devidamente autorizado para iniciar:  

“... algumas vezes um mestre espiritual não é devidamente autorizado para iniciar, e apenas sob sua própria iniciativa torna-se um mestre espiritual; ele pode ser levadopor acumular riquezas e um grande número de discípulos”. (Néctar da devoção)  

Quando um guru cai, esta é a prova conclusiva de que ele jamais fora devidamente autorizado pelo seu acarya predecessor. Mesmo se nenhum guru da ISKCON tivesse jamais caído ainda assim alguém poderialegitimamente questionar de onde veio sua autorização para iniciar.  

O problema para o GBC é que ao aceitar a simples verdade de citações como esta acima, várias ramificações desagradáveis surgem ameaçadoramente diante deles. Uma vez que todos os gurus da ISKCON afirmam ser autorizados no mesmo nível, como parte de um mesmo pacote (a alegadaordem de Srila Prabhupadaaplicando-se igualmente a todos eles), o próprio fato de que muitos deles caíram visivelmente é prova positiva de que a “ordem” foi mal-entendida. Se eles realmentetivessem recebido uma autorização apropriada, estaria fora de questão que algumdeles caísse. De fato, todos seriam maha-bhagavatas.  

“Um mestre espiritual sempre é liberado.”
(Carta de Srila Prabhupada, 21/07/70)
 

 

25) “Assim que os discípulos de Srila Prabhupada alcançarem a perfeição, o sistema  Ritvikse tornará redundante”.

 

Algumas vezes referida como “soft(suave) Ritvik ”, a injunção acima se baseia na premissa de que o sistema Ritvik foi estabelecido porque antes da partida de Srila Prabhupada não havia discípulos qualificados.  

Contudo, esta premissa é uma especulação, uma vez que ela jamais foi expressa por Srila Prabhupada. Não há evidência de que o sistema Ritvik tenha sido estabelecido apenas o devido à falta de pessoas qualificadas, e que uma vez que haja uma pessoa qualificada nós devemos parar de seguir essesistema. Esta noção causa o desafortunado efeito colateral de fazer o sistema Ritvik  parecer apenassecundário ou provisório, quando de fato ele é plano perfeito de Krsna. Isso também torna possível que no futuro alguma personalidade inescrupulosa e carismática pare o sistema através de alguma falsa exibição de devoção.  

Em teoria, mesmo se houvessem discípulos qualificados, uttama-adhikaris, presentes agora, ainda assim eles teriam que seguir o sistema Ritvik sequisessem permanecer na ISKCON. Não há nenhuma razão porque uma pessoa não seria mais do que feliz em seguir a ordem de Srila Prabhupada, como nós já mencionamos.  

Uma possível origem desta concepção errônea pode ser as instruções que Srila Bhaktisiddhanta deixou para a Gaudiya Matha. Srila Prabhupada nos disse que seu Guru-maharaja tinha pedido que houvesse um GBC, e que no devido decurso do tempo um acarya auto-refulgente surgiria. Como nós sabemos, a Gaudiya Matha não seguiu isso, para um catastrófico efeito. Alguns devotos crêem que nós também devemos procurar um acarya auto-refulgente; e que uma vez que ele poderia vir a qualquer momento, o sistema Ritvik é apenas uma medida provisória.  

A dificuldade com esta teoria é que as instruções que Srila Bhaktisiddhanta deixou para seus discípulos e aquelas que Srila Prabhupada deixou para nós são diferentes. Srila Prabhupada certamente deixou instruções que o GBC deveria continuar administrando sua Sociedade, mas ele não disse em lugar algum queum futuro acarya auto-refulgente iria surgir para a ISKCON. Em vez disso, ele estabeleceu o sistema Ritvik pelo qual ele permaneceria sendo o acarya dali para frente (“henceforward”) Obviamente, como discípulos nós não podemos pular sobre Srila Prabhupada e começar a seguir as ordens de Srila Bhaktisiddhanta.  

Se Srila Prabhupada tivesse dado alguma injunção de Krsnaque a sua Sociedade em breve seria liderada por um novo acarya, então eleteria feito algumas provisões para isso em suas instruções finais. Em vez disso, ele ordenou que apenas seus livros fossem distribuídos, e que eles seriam a lei para os próximos dez mil anos. O que haveria sobrado para ser feito por um futuro acarya? Srila Prabhupada já havia estabelecido o Movimento que irá realizar cada profecia e objetivo da nossa sucessão discipular por toda a duração do Movimento de Sankirtana.  

Como será possível para um novo auto-refulgente diksa-guru surgir dentro da ISKCON, quando a única pessoa permitida a dar diksa é Srila Prabhupada?  

Alguns argumentam que os acaryas têm o poder de mudar as coisas, e assim um novo acarya poderia alterar o sistema Ritvik dentro da ISKCON. Mas iria um acarya autorizado alguma vez contradizer as ordens diretas deixadas pelo acarya anterior para seus seguidores? Com certeza fazer isso seria arruinar a autoridade do acarya anterior. Isso certamente causaria confusão e perplexidade ara aqueles seguidores que tivessem que encarar a tortuosa escolha de qual ordem seguir.

Todas estas tais preocupações se dissolvem quando nós lemos a ordem final. Simplesmente não há menção de uma injunção sobre “soft(suave)” Ritvik. A carta apenas diz “henceforward”, daqui para frente. Assim, dizer que isso irá terminar com o surgimento de um novo acarya, ou discípulo perfeito, é uma especulativa superimposição sobre um pedido perfeitamente claro. A carta apóia somente o entendimento de “hard(rígido)” Ritvik, ou seja., que:  

“Srila Prabhupada será o iniciador dentro da ISKCON enquanto a Sociedade existir”.  

Este entendimento é consistente com a idéia que Srila Prabhupada sozinho já havia obtido sucesso em sua missão (por favor veja a objeção relacionada, nº 8:você está dizendo que Srila Prabhupada não fez devotos puros?”)

Às vezes é afirmadoque uma vez que a carta do dia 9 de julho apenas autorizou 11 Ritviks originais, o sistema deverá parar assim que as 11 pessoas nomeadas morrerem ou se desviarem.  

Este argumento é um tanto extremista. Afinal de contas, a carta do dia 9 de julho não diz que apenas Srila Prabhupada pode escolher Ritviks, ou que a lista de Ritviks atuantes jamais possa ter adições. Existem outros sistemas de administração estabelecidos por Srila Prabhupada, tal como o GBC, ondemembros são livremente adicionados ou subtraídos quando se sinta que isso é necessário. É ilógico isolar um sistema de administração e tratá-lo de modo inteiramente diferente de outrosque são igualmente importantes. Isso é particularmente verdade porque Srila Prabhupada jamais nunca sequer indicou que o modo de manter o sistema Ritvik deveria ser de alguma forma diferente da manutenção dos outros sistemas que ele pessoalmente estabeleceu.

Este argumento se tornou popular, então nós convidamos o leitor a considerar os seguintes pontos:

  1. Nas transcrições da conversa em Topanga Canyon, Tamal Krsna Goswami relata a seguinte pergunta que ele fizera enquanto preparava-se para datilografar a lista de Ritviks selecionados:  

Tamal Krishna:

“Srila Prabhupada, isso é tudo ou o senhor deseja adicionar mais?”

Srila Prabhupada:

“Na medida do necessário, outros podem ser adicionados.”  

(confissões na Pyramid House, 3/12/80)  

Certamente, se alguns ou todos os Ritviks morrerem ou se desviarem seriamente, se deve avaliar uma circunstância “necessária” para mais Ritviks serem adicionados.  

  1. A carta do dia 9 de julho define Ritvik como “representante do acarya”. Está perfeitamente dentro da alçada do GBC selecionar ou remover qualquer um para representar Srila Prabhupada, sejam eles sannyasis, presidentes de templo ou mesmo os próprios representantes do GBC. Atualmente, eles aprovam diksa-gurus que são supostamente os representantes diretos do próprio Senhor Supremo. Assimestaria facilmente dentro de sua capacidade selecionar novos sacerdotes para dar nomes e atuar responsavelmenteem nome de Srila Prabhupada.

  2. A carta do dia 9 de julho mostra que a intenção de Srila Prabhupada era que o sistema Ritvik fosse aplicado dali para frente (“henceforward”). Srila Prabhupada fez o GBC a última autoridade administrativa com o motivo de que mantivessem e regulassem todos os sistemas que ele estabeleceu. O sistema Ritvik foi o seu sistema para a manutenção das iniciações. É o trabalho do GBC manter este sistema, adicionando ou subtraindo o pessoal, da mesma maneira que fazem em outras áreas nas quais eles estão autorizados a dirigir.

  3. As cartas assinadas no dia 9, 11 e 21 de julho indicam que a lista poderia ser aumentada com o uso de tais frases como: “até aqui”, “por hora”, “lista inicial”, etc. Portanto, um mecanismo para adicionar mais Ritviks deve ter sido estabelecido, ainda que isso ainda esteja porser exercido.

  4. Ao tentar entender uma instrução, deve-se naturalmente considerar o propósito por trás dela. A carta afirma que Srila Prabhupada apontou “alguns dos discípulos seniores para atuar como ‘Ritviks’ – representantes do acarya- com o propósito de executar iniciações...”, e que naquele momento Srila Prabhupada tinha “até agora” dado onze nomes. A meta de um discípulo obediente é entender e satisfazer o propósito do sistema. O objetivo da ordem final claramente não era restringir todas as iniciações futuras a um grupo de indivíduos de “elite”(‘alguns...até agora’) que com o tempo morreriam e assim acabaria o processo de iniciação dentro da ISKCON. Ao contrário, o propósito era assegurar que as iniciações continuassem de um modo prático desde então. Portanto este sistema deve permanecer em vigor enquanto houver necessidade de iniciações. Assim, a adição de mais “discípulos seniores” para atuar como “representantes do acarya”, quando e como seja necessário, asseguraria que o propósito deste sistema continue a ser satisfeito.

  5. Tomado junto com o testamento de Srila Prabhupada (o qual indica que todos os futuros diretores para as propriedades permanentes na Índia poderiam somente ser selecionados entre seus discípulos iniciados), está perfeitamente claro que a intenção de Srila Prabhupada era que o sistema andasse indefinidamente, com o GBC simplesmente administrando a coisa toda.

Tendo dito isso, é sempre possível que Srila Prabhupada pudesse revogar esta ordem se ele o desejasse. Como afirmamos anteriormente, a contra-instrução teria que ser pelo menos tão clara e inequívoca como a carta assinada pessoalmente, a qual coloca o sistema Ritvik em primeiro lugar. Com Krsna e seus devotos puros qualquer coisa é possível:    

Repórter do Newsday:

“Agora o senhor é o líder e o Mestre Espiritual. Quem irá tomar o seu lugar?”

Srila Prabhupada:

“Isso será Krsna que irá dizer, quem irá tomar o meu lugar.”

(Srila Prabhupada, 14-07-76, Nova Iorque)

Portanto, cremos ser mais seguro seguir as instruções que recebemos de nosso acarya em vez de especular sobre algum acarya que possa vir ou não no futuro, ou pior que isso, inventar o nosso próprio.

 

26) “Os proponentes do sistema Ritvik apenas não querem se render a um guru.

 

Esta acusação está baseada na concepção errôneaque para render-se a um mestre espiritual, ele deve estar presente fisicamente. Se isso fosse verdade, então nenhum dos discípulos originais de Srila Prabhupada poderia atualmente estar se rendendo a ele. Render-se ao mestre espiritual significa seguir suas instruções, e isso pode ser feito esteja ele presente fisicamente ou não. O propósito da ISKCON éprovera todos orientação eentusiasmo adequadosatravés de potencialmente ilimitadas relações siksa. Uma vez que o próprio GBC atual se renda à ordem de Srila Prabhupada, este sistema naturalmente irá inspirar mais e mais pessoas a se renderem, e eventualmente poderá inclusive atrair os mais fanáticos ativistas Ritviks ajuntarem-se a eles.  

Mesmo se todos os proponentes Ritviks fossem obstinadamente relutantes a renderem-se a um guru, ainda assim isso não invalidaria a carta do dia 9 de julho. O fato de que os Ritviks supostamente não são rendidos deveria fazer o GBC ainda mais ansioso para seguir a ordem final de Srila Prabhupada, se não houver outra razão para fazerem contraste.

 

27) “Mas quem irá oferecer orientação e dar serviço para os devotos se não houver diksa-gurus?”

 

Haverá um diksa-guru: Srila Prabhupada! Orientação e serviço serão dados exatamente da mesma maneira comoquando ele estava presente: através da leitura de seus livros e do relacionamento siksa com outros devotos. Antes de 1977, quando algumas pessoas se juntavam ao templo, elas eram instruídas pelo líder dos bhaktas, líder do sankirtana, sannyasis visitantes, cozinheiro, pujari, presidente do templo, etc. Era extremamente raro receber orientação pessoal diretamente de Srila Prabhupada; de fato, ele constantemente desencorajava tal interação, uma vez que se concentrava emescrever. Nós sugerimos que as coisas devam seguir da mesma forma como Srila Prabhupada as estabeleceu.