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ISKCON Revival Movement
A Ordem Final
Prova que Srila Prabhupada é o Guru iniciador da ISKCON Por Krishnakant Prólogo pela Dra. Kim Knott, Professora de Estudos Religiosos, Universidade de Leeds, Reino Unido
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texto foi solicitado para ser submetido
Prólogo da Ordem Final
Pela Dra. Kim Knott, Conferencista Sénior em Estudos Religiosos, Enquanto pesquisava para um artigo recente sobre “Percepções internas e externas de Srila Prabhupada”, eu encontrei a mim mesma tentando fazer justiça às diferentes visões mantidas pelos devotos com o que diz respeito à sucessão discipular e o papel dos gurus depois do desaparecimento de Prabhupada em 1977. Naturalmente, antes disso eu estava ciente desse período de crises envolvendo a queda dos gurus e das ondas de choque e tristeza experimentadas pelos irmãos e irmãs espirituais bem como pelos discípulos iniciados por eles . Eu tive a esperança, como muitos, de que a reforma dos gurus no final dos anos 80 iria solucionar a liderança da ISKCON e as dificuldades com as iniciações. Olhando novamente o assunto enquanto preparava o artigo, eu li alguns argumentos a favor e contra o sistema atual, bem como o trabalho de outros estudiosos em questões sobre o guru e sucessão. Claramente este ainda era um assunto atual. No último estudo sobre “A Instituição Parampara”, no volume 5 do Journal of Vaisnava Studies, Jan Brzezinski discute sérios aspectos sobre isso, dando grande importância à liderança carismática e qualificada para o futuro da ISKCON. É apenas um ponto de vista dele, mas é indicativo do poder deste assunto em motivar interesses dentro e fora do Movimento. No final de 1996, eu fui convidada para ler A Ordem Final para dar a minha opinião e discutir sobre as questões apresentadas nela. Lendo o texto eu não tive dúvidas de que era uma matéria de grande significado para a ISKCON, sobre a qual muitos devotos sentiriam profundamente. Pareceu-me que ele levantava importantes questões teológicas concernentes à autoridade espiritual e sua transmissão; o relacionamento do discípulo e o representante de Krishna; o guru e os objetos adequados de adoração devocional. Sendo alguém do lado de fora, eu sou totalmente incapaz de julgar a matéria e incapaz de medir a evidência apresentada aqui contra a evidência do atual sistema de acaryas. Contudo, sou capaz de recomendar o que é apresentado aqui como uma séria tentativa de discutir o caso, uma vez que Srila Prabhupada estabeleceu um sistema de gurus Ritviks, que ele pretendia que iniciassem os discípulos em seu nome. Eu espero que este texto seja lido cuidadosamente e discutido amplamente, não porque eu apóie ou condene esta posição, mas porque a profundidade do assunto abordado demanda considerações em todos os níveis. Cada devoto tem um verdadeiro desafio nesta matéria. Não há dúvidas que não é aconselhável que um estranho envolva-se pessoalmente escrevendo tal prólogo, mas meus motivos permanecem sendo o meu interesse no Movimento e benquerer para com todos seus devotos. Kim Knott, fevereiro de 1997
Prefácio da quarta edição (inglês) Faz agora uma década que a primeira edição de A Ordem Final foi publicada em 1996. Originalmente, eu descrevi A Ordem Final como um “texto de discussão sobre as instruções de Srila Prabhupada para iniciação dentro da ISKCON”. Ninguém que conhece o Movimento pode negar que o texto provocou muita “discussão”, e assim foi bem sucedido na sua meta trazendo este assunto à luz. Seria difícil para a liderança da ISKCON agora validamente ignorar os documentos legais pessoalmente assinados por Srila Prabhupada que claramente estabelecem sua intenção de permanecer como o Diksa-guru para o movimento espiritual por ele fundado. São estes documentos legais que constituem a essência de A Ordem Final, que agora está sendo distribuído ao redor de todo o mundo e que também está disponível na web. Em vários países A Ordem Final já foi ou está sendo traduzida (em fevereiro de 2006 as seguintes traduções já estavam disponíveis: Francês, Espanhol, Alemão, Russo, Chinês, Hindi, Bengali, Kannada; com traduções em Checo, Holandês, Tamil e italiano a caminho). Além disso, os líderes da ISKCON abertamente proibiram a sua distribuição em todos os centros da ISKCON. Por esta razão, há um grande número de membros da ISKCON em geral que ainda não leram o texto, apesar de toda a cobertura da mídia e controvérsia. Mas pelo menos para os líderes executivos da ISKCON e gurus, falta de conhecimento sobre a ordem que Srila Prabhupada deu para iniciação espiritual não é mais uma desculpa. Na introdução de A Ordem Final nós declaramos que: “Nós consideramos muito improvável que alguém esteja deliberadamente desobedecendo ou fazendo com que outros desobedeçam uma ordem direta de nosso Fundador-Acarya”. Devido à evasão do GBC, obfuscação, violenta supressão e clara desonestidade sobre A Ordem Final, o que dissemos acima precisa ser revisado.
Agora existe uma organização mundial chamada ‘ISKCON Revival
Moviment’ (IRM) [Movimento de renascimento da ISKCON] que toma A
Ordem Final como seu fundamento, e que foi estabelecida
especificamente para difundir suas conclusões. O Movimento possui um
website (www.iskconirm.com)
com mais de 100 artigos publicados pelo mesmo autor, e também publica
uma revista colorida trimestral chamada Back to Prabhupada (De
Volta a Prabhupada), a qual é distribuída gratuitamente para milhares
de assinantes pelo mundo. Há cobertura mundial das atividades do IRM
pela mídia , incluindo numerosos artigos e ítens na BBC. O IRM tem
também feito apresentações em grandes conferências acadêmicas incluindo
a Associação de Estudos sobre Cultos (CESUR) )e a Academia
Americana de Religião. Além disso, o autor de A Ordem Final tem
artigos publicados por vários publicantes acadêmicos e educacionais,
incluindo: Columbia University Press, Firma KLM, Continuum International
Publishing e Facts on File. Através desta mídia, o IRM tem ganhado vasta
aceitação entre a comunidade culta como uma força para a reforma dentro
da ISKCON. Desde a formação do IRM um crescente número de devotos da
ISKCON e centros ao redor do mundo têm agora aceitado as conclusões de
A Ordem Final. Perguntas freqüentes sobre Movimento de Renascimento da ISKCON (IRM) 1. O que é o IRM? O IRM é um corpo composto de devotos da ISKCON ao redor de todo o mundo que querem ver a Sociedade colocada no caminho certo, de acordo com as diretrizes do seu fundador, Srila Prabhupada.
2. Por que existe o IRM? “Portanto a questão permanece: o que, então, iremos fazer? Como iremos lidar com nossa Sociedade polarizada e desintegrante?” Este declínio pode ser remontado aos vários desvios das instruções e padrões dados por Srila Prabhupada, dentre os quais o principal é tê-lo destituído do posto de único Diksa-guru da ISKCON. O Movimento de Renascimento da ISKCON procura restaurar a ISKCON à sua glória, pureza e castidade filosófica anterior através da reinstituição de todas as instruções e padrões que Srila Prabhupada deu, iniciando com o seu papel de única autoridade e Diksa-guru na ISKCON. A posição do IRM está estabelecida nos textos ‘The Final Order’ (A Ordem Final) e ‘No Change in ISKCON Paradigm’ (Não há modificações no paradigma da ISKCON). Ambos os textos estão disponíveis também no website: www.iskconirm.com 3. O IRM é separado da ISKCON? Ele é um Movimento dentro do Movimento, composto por membros da ISKCON que querem reformar e reviver a Sociedade. 4. A meta do IRM é formar um novo movimento? Não. É de restabelecer a ISKCON original que Srila Prabhupada nos deixou. Portanto, tão logo isto seja alcançado, o IRM será dissolvido. 5. Que diferença faria a restauração de Srila Prabhupada como o único Diksa-guru? Primeiramente, é o mais básico axioma da vida espiritual, que nós podemos avançar somente quando seguimos de forma apropriada às ordens do guru. Se o guru pede leite e nós trazemos água, como Ele poderá ser agradado? E se o guru não é agradado, como então poderemos nos aproximar de Krishna? Por cerca de três décadas a ISKCON não está fazendo o que Srila Prabhupada ordenou. Uma vez que Srila Prabhupada abandonou o planeta fisicamente, nós não permitimos que ele iniciasse mesmo uma pessoa via Ritvik, ou sistema de representantes. Este é o único sistema de iniciação que Ele autorizou para dar continuidade dentro da Sociedade. Se os membros da ISKCON começarem mais uma vez a seguir as suas ordens, então naturalmente eles irão agradar o Senhor Krishna, e todo o progresso espiritual seguirá naturalmente. E também, se todos tiverem a mesma relação direta como discípulos de Srila Prabhupada, o faccionalismo será eliminado. Pela primeira vez em quase trinta anos haverá união em espírito de equipe, com todos trabalhando pela mesma meta – o serviço e glorificação de Srila Prabhupada e Sri Krishna. Muitos “gurus” da ISKCON têm sido vítimas de grosseiras atividades pecaminosas; e quando eles deixam a Sociedade, levam consigo centenas de milhares de dólares e muito dos seus seguidores. Esta contínua perda de propriedades, fé e pessoal será eliminada uma vez que a fé seja colocada apenas em Srila Prabhupada, e não em substitutos falíveis. O dinheiro sugado de seus discípulos pelos 80 “gurus” na forma de daksina (doação em dinheiro) irá para os templos, fazendo-os saudáveis e fortes. 6. Como pode o IRM estar certo de que a sua posição é correta e que a do GBC não? O IRM considera a sua posição correta uma vez que está baseada em documentos legais assinados que foram dirigidos a todo o Movimento. Por outro lado, o GBC já apresentou pelo menos três posições oficiais contraditórias (nenhuma das quais têm o suporte de documentos legais), e assim não possue tecnicamente uma posição, o que dizer de uma posição correta. Devemos assinalar que não apenas estes vários fatores se contradizem uns aos outros, mas eventualmente também contradizem a si mesmos. Por exemplo, se nós tomarmos a simples pergunta sobre quando Srila Prabhupada autorizou a sua substituição como Diksa-guru para a ISKCON, nós encontramos as seguintes respostas oficiais do GBC:
b) ‘Disciple of My Disciple’ (Discípulo de Meu Discípulo), (S. S. Umapati Swami, 1997): onze diksa-gurus foram indicados e preparados no dia 28 de maio de 1977, uma vez que “Ritvik” quer dizer “oficiante Acarya”, que significa “diksa-guru”. c) ‘Prabhupada’s Order’ ( A Ordem de Prabhupada, Badrinarayan das, 1998): no dia 9 de julho de 1977, os onze estavam plenamente atuando como gurus, mas simplesmente observando a etiqueta na presença de Srila Prabhupada. Como vimos acima, o GBC forneceu três diferentes datas para quando Srila Prabhupada aparentemente sancionou sua substituição: a) referindo-se a uma conversa no jardim; b) referindo-se a uma reunião entre Srila Prabhupada e alguns discípulos seniores, enquanto que c) refere-se a uma diretriz assinada sobre iniciação, pela qual este livreto é chamado (A Ordem Final). Deste modo, cada texto do GBC nos conta uma estória muito diferente. Mas para piorar: Em março de 2004, na reunião anual em Mayapur, o GBC oficialmente retirou o texto “Under My Order Understood”, e de maneira velada admitiram que continha “mentiras” e “exagerava os fatos”. A Ordem Final havia sido originalmente escrita em desafio àquele mesmo texto (ver a introdução), e o fato de que ele agora foi retirado de forma desonrosa apenas confirma a posição do IRM. De forma muito clara, o GBC está confuso sobre quando os diksa-gurus sucessores foram autorizados. O IRM argumenta que isso é inevitável, uma vez que Srila Prabhupada jamais criou quaisquer diksa-gurus substitutos, apenas Ritviks; este sistema Ritvik foi o que ele deixou em andamento, com nenhuma ordem para pará-lo. Baseados nisso, nós argumentamos que o GBC deve primeiramente decidir-se por uma posição, e apenas então seremos capazes de julgar sua eficácia. É uma lástima que mesmo hoje em dia qualquer um que questione sobre este miasma de testemunhos discordantes do GBC é rudemente perseguido na Sociedade.
Krishnakant Se você deseja mais informações sobre o IRM, incluindo assinatura gratuita da nossa revista, ou deseja perguntar a respeito de A Ordem Final, então, por favor, envie um e-mail para o autor: irm@iskconirm.com ou krishnakant108@yahoo.com ou visite nosso website e: www.iskconirm.com
Introdução Este livreto é uma humilde tentativa para apresentar as instruções que Srila Prabhupada deixou para a Comissão do Corpo Governamental (GBC) sobre como ele pretendia que as iniciações continuassem dentro da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna (ISKCON). Apesar de referirmos a muitos textos e artigos que foram publicados por devotos seniores da ISKCON sobre esta matéria, os pontos principais referem-se ao mais recente livreto do GBC sobre iniciação intitulado “Gurus and Initiation in ISKCON”( Gurus e Iniciação na ISKCON)-que será referido daqui para a frente como GII- e o texto “On my order understood”, (‘Sob minha ordem’ compreendido) o qual é mencionado sob a seção 1.1 das “Leis da ISKCON”(Laws of ISKCON): “O GBC aprova o texto intitulado ‘Under My Order Understood’, o qual estabelece como a lei da ISKCON o Siddhanta final sobre o desejo de Srila Prabhupada para continuar com a sucessão discipular após a partida de Sua Divina Graça” [ver parte II: Textos da posição do GBC neste volume]. (GII, p.1). No texto GII o GBC claramente afirmou a intenção de remover a incoerência e a contradição nos códigos e leis da ISKCON no que envolve gurus, discípulos e guru-tattva em geral, assim estabelecendo um Siddhanta final (conclusão filosófica). Nós sinceramente oramos para que este texto seja de acordo com esses mesmos objetivos. Com um propósito de alcançar maior consistência e castidade filosófica, nós sentimos que permanecem uma ou duas discrepâncias que não foram plenamente abordadas no texto GII, as quais poderiam ser clarificadas com investigações e discussões mais profundas. Apesar de alguns dos tópicos levantados ao confrontar estas discrepâncias talvez pareçam radicais, ou mesmo difíceis de lidar , nós sentimos que confrontar com eles agora irá minimizar grandemente futuras confusões e possíveis desvios. Não é sem precedentes que o sistema de gurus da ISKCON tem sofrido uma revisão bastante radical. No passado, símbolos foram removidos, cerimônias cortadas e paradigmas substituídos – tudo isso sem prolongada ruptura. Em todo o seu esquema, ISKCON é indubitavelmente a mais importante Sociedade no Planeta. Portanto, é imperativo que uma constante vigilância seja mantida para assegurar que não se desvie nem sequer uma milionésima parte da espessura de um fio cabelo dos seus parâmetros filosóficos e administrativos estabelecidos pelo nosso Fundador-Acarya. Srila Prabhupada constantemente enfatizava que nós não devemos mudar, inventar ou especular, mas simplesmente continuar expandindo o que ele cuidadosa e laboriosamente estabeleceu. Que momento seria melhor do que este, o ano de seu centenário (1996), para examinar de perto a maneira como estamos continuando a missão de Srila Prabhupada? É nossa forte convicção que o presente sistema de gurus dentro da ISKCON deverá alinhar-se completamente com a última diretriz assinada por Srila Prabhupada sobre este assunto- sua ordem final sobre iniciação, datada de 9 de julho de 1977 (por favor veja o apêndice). Algumas vezes as pessoas questionam a importância colocada nesta carta acima de outros textos, cartas e ensinamentos. Em nossa defesa, nós iremos simplesmente repetir um axioma que o próprio GBC usa no seu livreto GII: “ Em lógica, enunciados posteriores sobrepõem os anteriores em importância” (GII, p.25). Uma vez que a carta do dia 9 de julho é na realidade a instrução final sobre as iniciações dentro da ISKCON, endereçada como foi a todo o Movimento, ela deve ser vista como uma categoria própria. Será mostrado que a plena aceitação e implementação daquela ordem de modo algum colide com os ensinamentos de Srila Prabhupada. Nós não temos interesses em teorias conspiradoras, nem pretendemos entrar em detalhes sobre infortúnios e dificuldades espirituais pessoais. O que está feito está feito. Com certeza, nós podemos aprender com os erros anteriores, e nós preferimos ajudar a pavimentar o caminho para um futuro positivo de reunificação e perdão do que nos reter por muito tempo em escândalos passados. Com respeito aos autores, a grande maioria dos devotos da ISKCON está sinceramente se esforçando para agradar Srila Prabhupada; desta forma, nós consideramos muito improvável que alguém esteja deliberadamente desobedecendo ou fazendo com que outros desobedeçam uma ordem direta de nosso Fundador Acarya. Não obstante, de alguma forma ou outra, parece que certas aberrações de epistemologia e detalhes administrativos se infiltraram dentro do sistema geral da ISKCON nos últimos dezenove anos. Identificando estas áreas manchadas, nós oramos para que possamos dar alguma ajuda na tarefa de desraigar obstruções desnecessárias no nosso serviço devocional a Srila Prabhupada e Sri Krishna. Neste livreto iremos apresentar como evidência documentos pessoalmente assinados e emitidos por Srila Prabhupada, bem como transcrições de conversas-tudo aceito como autêntico pelo GBC. Nós então analisaremos de forma cuidadosa tanto o contexto quanto o conteúdo destes materiais, e ver se devem ser levados literalmente ou se existem outras instruções que possam alterar de forma razoável o seu significado ou aplicação. Também debateremos todos os tópicos filosóficos relevantes levantados em conexão com esta evidência, e iremos responder a todas as objeções mais comuns levantadas contra a aceitação literal do documento do dia 9 de julho no que se refere as iniciações no futuro. E, finalmente, nós analisaremos como o sistema de Acarya oficiante, conforme delineado na ordem do dia 9 de julho, pode ser implementado sem muita perturbação. Todos os nossos argumentos estão fundamentados exclusivamente na filosofia e instruções dadas por Srila Prabhupada em seus livros, cartas, aulas e conversas. Humildemente pedimos a misericórdia de todos os Vaisnavas para que não sejemos ofensivos a ninguém ou de forma alguma causemos ruptura na missão de Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami Srila Prabhupada.
A EVIDÊNCIA Qualquer um que tenha conhecido Srila Prabhupada geralmente notava a sua natureza meticulosa. Sua meticulosa atenção em cada detalhe no seu serviço devocional era uma das mais distintas características de Srila Prabhupada; e para aqueles que o serviram pessoalmente, era grande evidência de seu profundo amor pelo Senhor Sri Krishna. Toda a sua vida foi dedicada a executar a ordem do seu mestre espiritual, Srila Bhaktisiddhanta, e neste dever ele foi fantasticamente vigilante. Ele não deixava nada ao acaso, sempre corrigindo, guiando e castigando os seus discípulos nos seu esforço para estabelecer a ISKCON. Sua missão era sua vida, e ele até mesmo disse que ISKCON era o seu corpo. Certamente, seria incompatível com caráter de Srila Prabhupada negligenciar um tópico tão importante como este, o futuro das iniciações em sua Sociedade tão querida, deixando-o no ar, ambíguo ou aberto para debate ou especulação. Isto é particularmente verdade com base nos fatos sucedidos na missão de seu próprio mestre espiritual, a qual, como muitas vezes ele assinalou, foi amplamente destruída pela operação de um sistema de gurus não autorizados. Tendo isso em mente, comecemos com os fatos que ninguém pode negar: No dia 9 de julho de 1977, quatro meses antes de sua partida física, Srila Prabhupada estabeleceu um sistema de iniciação empregando o uso de “Ritviks”, ou “representantes do Acarya”. Srila Prabhupada instruiu que este sistema de Acaryas oficiantes deveria ser instituído imediatamente e iria continuar desde aquele momento ou dali para frente “henceforward”- (por favor veja os apêndices). Esta diretriz administrativa, a qual fora enviada para toda a Comissão do Corpo Governamental e Presidentes de Templo da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna, instruía que desde aquele momento os novos discípulos deveriam receber os nomes espirituais, rosários e o mantra Gayatri destes 11 Ritviks nomeados. Estes Ritviks atuariam em nome de Srila Prabhupada e os novos devotos iniciados seriam discípulos de Srila Prabhupada. Assim Srila Prabhupada concedeu aos rtviks pleno poder para atuarem como procuradores para os que receberiam a iniciação, e deixou claro que daquele momento em diante não seria mais necessário consultá-lo (para os detalhes sobre as obrigações de um Ritvik, por favor veja a seção intitulada ‘O que é um Ritvik?’). Imediatamente após a partida física de Srila Prabhupada, no dia 14 de novembro de 1977, o GBC suspendeu o sistema Ritvik. No Gaura Purnima de 1978, os 11 Ritviks assumiram papel de diksa-guru e acarya regional, iniciando discípulos em seu próprio nome. O mandato para que eles fizessem isso foi uma alegada ordem de Srila Prabhupada de que apenas eles seriam os sucessores como acaryas iniciadores. Alguns anos mais tarde, este sistema de acarya regional foi modificado e substituído, não pela restauração do sistema Ritvik, mas pela adição de dúzias de mais gurus, junto com um elaborado sistema de medidas e restrições para lidar com aqueles que se desviaram; o raciocínio para essa mudança sendo que a ordem de se tornar guru não era, como se disse anteriormente, somente aplicável àqueles 11, senão que era uma instrução geral para qualquer um que seguisse estritamente e recebesse uma maioria de votos de dois terços dos membros do GBC. A nota acima não se trata de uma opinião política, é um fato histórico, aceito por todos, incluindo o GBC. Como mencionamos acima, a carta do dia 9 de julho foi enviada a todos os membros do GBC e presidentes de templo, e permanece até hoje como a única instrução assinada sobre o futuro das iniciações que Srila Prabhupada emitiu para toda a Sociedade. Comentando sobre a ordem do dia 9 de julho, Jayadvaita Swami, recentemente escreveu: “Sua autoridade está além de questionamentos (...) claramente esta carta estabelece um sistema de guru Ritvik” (Jayadvaita Swami, Where the Ritvik People are Wrong, 1996). A origem da controvérsia surgiu de duas modificações, as quais foram subseqüentemente impostas sobre esta diretriz, que de outra forma é muito clara e autorizada: Modificação a): que o apontamento dos representantes ou Ritviks foi apenas temporário, especificamente para ser encerrado na partida de Srila Prabhupada. Modificação b): tendo cessada a função de meros representantes, os Ritviks tornar-se-iam utomaticamente diksa-gurus, iniciando pessoas como seus próprios discípulos, e não de Srila Prabhupada. As reformas para o sistema de acarya regional que aconteceram em 1987 mantiveram intactas aquelas duas suposições. De fato, as mesmas suposições formavam a base do próprio sistema substituído. Nós nos referimos a: a) e b), acima como modificações, uma vez que nenhuma destas afirmações aparece na carta do dia 9 de julho, nem em qualquer documentado legal emitido por Srila Prabhupada subseqüente a àquela ordem. O texto GII do GBC claramente suporta as já mencionadas modificações: “Quando perguntaram a Srila Prabhupada quem iniciaria depois de sua partida física, ele afirmou que ‘recomendaria’ e daria ‘ordem’ a alguns de seus discípulos para que iniciassem em seu nome enquanto estivesse vivo, e que depois disso atuariam como gurus regulares, cujos discípulos seriam discípulos dos discípulos de Srila Prabhupada” (GII, p.14). Com o passar dos anos, aumentou o número de devotos questionando a legitimidade destas suposições fundamentais. Para muitos, isso jamais fora comprovado apropriadamente, e, por conseguinte, um desagradável sentido de dúvida e desconfiança cresceu tanto dentro como fora da Sociedade. Atualmente, livros, artigos, e-mails e sites da web oferecem informações quase diárias sobre a ISKCON e seu suposto desviado sistema de gurus. Qualquer coisa que possa trazer algum tipo de resolução para esta controvérsia deve parecer positiva para aqueles que verdadeiramente se importam com o Movimento de Srila Prabhupada. Um ponto sobre o qual todos concordam é que Srila Prabhupada é a autoridade última para todos os membros da ISKCON; então, qualquer que tenha sido a intenção de sua ordem, é nossa obrigação executá-la. Outro ponto de concordância é que o único documento assinado sobre futuras iniciações, o qual fora enviado para todos os líderes da Sociedade, foi a ordem do dia 9 de julho. É importante notar que no texto GII a existência da carta do dia 9 de julho não é sequer mencionada, embora este seja o único local onde os onze “acaryas” originais são de fato mencionados . Esta omissão causa perplexidade, uma vez que GII supostamente apresenta um “siddhanta final” para o assunto todo. Vejamos mais de perto a ordem do dia 9 de julho, para então vermos se de fato alguma coisa apóia as suposições a) e b) mencionadas acima: A ordem em si Como mencionamos anteriormente, a ordem do dia 9 de julho afirma que o sistema Ritvik deve ser seguido dali para frente “henceforward”. A palavra especificamente usada foi “henceforward”, tendo apenas um sentido, a saber: “de agora em diante”. Isso está tanto de acordo com o uso prévio da palavra por Srila Prabhupada, quanto com o seu significado lexical na língua inglesa. Ao contrário de outras palavras, a palavra “henceforward” não é ambígua, uma vez que possui apenas uma definição no dicionário. Em outras 86 ocasiões em que nós encontramos a palavra “henceforward” sendo empregada por Srila Prabhupada, ninguém levantou a possibilidade de que a palavra poderia significar outra coisa além de “daqui para a frente”. “Daqui para frente” não significa “daqui para frente até que eu parta”. Simplesmente significa “daqui para frente”. Não está mencionada na carta que o sistema deveria parar com a partida de Srila Prabhupada, nem que o sistema deveria operar apenas durante a presença dele. Além disso, o argumento de que todo o sistema Ritvik depende de uma palavra- “henceforward”- é inadmissível, pois ainda que tirássemos a palavra da carta, nada mudaria. Ainda restaria um sistema estabelecido por Srila Prabhupada quatro meses antes de sua partida, e não houve uma instrução subseqüente para terminar com ele. Sem tal instrução que se contraponha, esta carta permaneceria intacta como a instrução final de Srila Prabhupada sobre iniciação, e deve portanto ser seguida. Instruções de apoio Houve outras declarações feitas por Srila Prabhupada e pelo seu secretário nos dias seguintes à carta do dia 9 de julho que indicam que o sistema Ritvik foi destinado para continuar sem cessar: . “... o processo de iniciação para ser seguido no futuro” (11 de julho). . “... continue sendo Ritvik e atue em nome” (19 de julho). . “... continue sendo Ritvik e atue em nome” (31 de julho) (por favor veja os apêndices). Nestes documentos nós encontramos palavras tais como: “continue” e “futuro”, as quais junto com a palavra “henceforward” (daqui para frente) apontam para a permanência do sistema Ritvik. Não há nenhuma declaração de Srila Prabhupada que dê sequer uma sugestão de que o sistema terminaria com a sua partida. Instruções subseqüentes Uma vez que o sistema Ritvik foi estabelecido e estava em andamento, Srila Prabhupada jamais emitiu uma ordem subseqüente para parar com o sistema, tampouco jamais afirmou que ele devesse ser dispensado depois de sua partida. Talvez consciente de que tal coisa pudesse erroneamente ou de alguma forma ocorrer, ele colocou no começo do seu testamento que o sistema de administração corrente na ISKCON deve continuar, e que não deveria ser modificado – uma instrução deixada intacta por um apêndice adicional, apenas nove dias antes de sua partida. Seguramente, essa teria sido a oportunidade perfeita para dispensar o sistema Ritvik, se fosse sua intenção (por favor veja os apêndices). O fato de que o uso de Ritviks para dar nomes aos iniciados era um sistema de administração pode ser ilustrado pelo seguinte: Em 1975 uma resolução preliminar do GBC sancionou que: “a única responsabilidade do GBC seria com assuntos administrativos”. Abaixo estão alguns dos assuntos administrativos com que o GBC lidou naquele ano: “Para receber a primeira iniciação, o candidato deve ter sido membro por tempo integral por seis meses. Para a segunda iniciação, pelo menos um ano deverá ter transcorrido após a primeira iniciação” (GBC Resolução nº 9, 25 de março de 1975). “Método de iniciação de Sannyasis” (GBC Resolução nº 2, 27 de março de 1975). Estas resoluções foram pessoalmente aprovadas por Srila Prabhupada. Elas demonstram conclusivamente que a metodologia para conduzir as iniciações era considerada um sistema de administração. Se toda a metodologia para conduzir as iniciações é considerada um sistema de administração por Srila Prabhupada, então um elemento da iniciação, a saber, o uso de Ritviks para dar nomes espirituais, tem que ser incluído sob os mesmos termos de referência. Assim, modificar o sistema Ritvik de iniciações foi uma violação direta do testamento de Srila Prabhupada. Outra instrução no testamento de Srila Prabhupada, a qual indica a intenção da longevidade do sistema de Ritvik, é onde está declarado que os diretores executivos das propriedades permanentes na Índia deveriam ser selecionados entre os discípulos iniciados de Srila Prabhupada: “... um diretor sucessor, ou diretores, deve ser apontado pelos diretores remanescentes, contanto que o diretor seja meu discípulo iniciado...” (Srila Prabhupada, Declaration of Will, 4 de junho de 1977). Isso é algo que somente poderia ocorrer se o sistema ritvik de iniciação permanecesse depois da partida de Srila Prabhupada, pois de outra forma o número de diretores em potencial eventualmente se esgotaria. Além disso, cada vez que Srila Prabhupada falou de iniciações depois do dia 9 de julho, ele simplesmente reconfirmou o sistema Ritvik. Ele nunca deu qualquer indício de que o sistema deveria parar depois da sua partida ou que existiam gurus aguardando na fila, prontos para assumir o papel de diksa. Portanto, pelo menos no que diz respeito à evidência direta, parece não haver nada que apóie as suposições a) e b) referidas anteriormente. Como declarado, aquelas suposições – que o sistema Ritvik deveria ter parado na partida de Srila Prabhupada e que os Ritviks deveriam tornar-se diksa-gurus – formam a verdadeira base do atual sistema de gurus da ISKCON. Se eles forem provados como inválidos, então certamente o GBC necessitará repensar sobre tudo radicalmente. O que foi dito estabelece o cenário. A própria instrução, instruções de apoio e instruções subseqüentes apenas suportam a continuação do sistema Ritvik. Todos os envolvidos neste assunto admitem que Srila Prabhupada nunca deu qualquer ordem para terminar com o sistema Ritvik depois de sua partida física. Também é aceito por todos que Srila Prabhupada estabeleceu o sistema Ritvik para ser posto em funcionamento a partir do dia 9 de julho em diante. Assim, nós temos a situação segundo a qual o Acarya: 1) deu uma clara instrução para seguirmos o sistema Ritvik; 2) não deu instrução alguma para que se parasse o sistema Ritvik após a sua partida física. Consequentemente, para que um discípulo pare de seguir esta ordem, com qualquer grau de legitimidade, é necessário que ele supra alguma base sólida para fazer isso. A única coisa que Srila Prabhupada de fato nos disse foi que seguíssemos o sistema Ritvik. Ele nunca nos disse para pararmos de segui-la, ou que somente em sua presença física poderíamos segui-la. O ônus da prova cairá naturalmente sobre aqueles que desejem terminar qualquer sistema estabelecido por nosso Acarya, e que devesse continuar dali para frente. Este é um ponto óbvio; ninguém pode simplesmente parar de seguir as ordens do guru caprichosamente: “... o processo é que você não pode mudar a ordem do mestre espiritual” (palestra sobre o C.C. Adi 7.76-81, 2-1-67, San Franscisco) Um discípulo não precisa se justificar para continuar a seguir uma ordem direta do guru, especialmente quando lhe fora dito que deveria continuar a segui-la. Isso é axiomático – é isso o que a palavra “discípulo” significa: “Quando alguém se torna discípulo, ele não pode desobedecer a ordem do mestre espiritual”. (Srila Prabhupada, palestra sobre o B.G., dia 11/02;75, México). Uma vez que não há evidência direta afirmando que o sistema Ritvik deveria ser abandonado na partida física de Srila Prabhupada, o caso para abandoná-lo teve ter sido portanto apenas baseado em evidência indireta. Evidência indireta pode surgir em circunstâncias especiais envolvendo uma instrução direta e literal. Essas circunstâncias atenuantes, se é que elas existem, poderiam ser usadas como base para interpretar uma instrução literal. Nós iremos agora examinar as circunstâncias envolvendo a ordem do dia 9 de julho para vermos se tais circunstâncias modificadoras poderiam de fato estar presentes, e se há por inferência qualquer coisa que possa apoiar as suposições a) e b).
OBJEÇÕES DIRETAMENTE RELACIONADAS COM A FORMA E AS CIRCUNSTÂNCIAS DA ORDEM FINAL
Não há nada na carta que diga que a instrução fora feita apenas para enquanto Srila Prabhupada estivesse fisicamente presente. De fato, a única informação dada suporta a continuação do sistema Ritvik após a partida de Srila Prabhupada. É importante notar que dentro da carta do dia 9 de julho está dito três vezes que os que forem iniciados serão discípulos de Srila Prabhupada. Ao apresentar evidências para seu sistema de gurus atual, o GBC argumentou vigorosamente que Srila Prabhupada tinha deixado claro com respeito a si mesmo que era uma lei inviolável o fato que ninguém poderia iniciar na sua presença. Assim, a necessidade de declarar que os futuros discípulos pertenceriam a Srila Prabhupada deve indicar que a instrução fora destinada para atuar durante o período de tempo quando sua posse poderia até mesmo ser questionada, ou seja, depois da sua partida. Por alguns anos, Srila Prabhupada tinha utilizado representantes para cantar nas contas, executar cerimônia de fogo yajña, dar o mantra Gayatri, etc. Ninguém jamais questionou a quem os novos iniciados pertenciam. Bem no começo da carta do dia 9 de julho está enfaticamente dito de que os apontados são “representantes” de Srila Prabhupada. A única inovação naquela carta é que incluía então a formalização da regra dos representantes; dificilmente é algo que pudesse ser confundido com uma ordem direta para que eles se tornassem plenamente diksa-gurus. A ênfase de Srila Prabhupada sobre a posse dos discípulos seria portanto completamente redundante caso o sistema fosse feito para operar apenas na sua presença, uma vez que estando presente ele poderia pessoalmente assegurar que ninguém declarasse falsa posse dos discípulos. Como já mencionamos, este ponto foi enfatizado três vezes em uma carta que é bastante curta e direta:
“Tão logo alguma coisa seja
enfatizada três vezes, isso significa que é conclusiva”
A carta do dia 9 de julho declara que os nomes dos novos discípulos iniciados devem ser enviados para Srila Prabhupada – poderia isso indicar que o sistema deveria funcionar somente enquanto Srila Prabhupada estivesse presente fisicamente? Alguns devotos argumentam que uma vez que não mais podemos enviar esses nomes para Srila Prabhupada, o sistema Ritvik tornou-se inválido. O primeiro ponto a notar é o propósito dito por detrás do ato de enviar nomes para Srila Prabhupada, ou seja, que eles pudessem ser incluídos no seu livro de discípulos iniciados. Nós sabemos pela conversa do dia 7 de julho (por favor veja os apêndices) que Srila Prabhupada não tinha nada haver com o registro de novos nomes dentro daquele livro; isso era feito pelo seu secretário. Mais evidência de que os nomes deveriam ser enviados para inclusão no livro, e não especificamente para Srila Prabhupada, foi dada numa carta escrita para Hamsaduta, no dia seguinte, onde Tamala Krishna Goswami explica para ele sua nova obrigação como Ritvik: “... você deverá enviar os nomes deles para serem incluídos no livro de discípulos iniciados de Srila Prabhupada”. (Carta de Tamala Krishna Goswami para Hamsaduta, 10/07/77). Aqui não há menção feita de que os nomes deveriam ser enviados para Srila Prabhupada. Este procedimento poderia facilmente ter continuado depois da partida física de Srila Prabhupada. Em nenhum lugar da ordem final de Srila Prabhupada diz que o se o livro dos discípulos iniciados se separar fisicamente de Srila Prabhupada, todas as iniciações deveriam ser suspensas. O ponto seguinte é que o procedimento de enviar os nomes dos novos iniciados para Srila Prabhupada de forma alguma se relaciona com a atividade de pós-iniciação. Os nomes poderiam ser enviados somente após os discípulos terem sido iniciados. Portanto, uma instrução concernente ao que deve ser feito após a iniciação não pode ser usada para emendar ou de modo algum interromper o que precede a iniciação, ou, deveras, o processo de iniciação (já que o papel do Ritvik seria executado muito antes da cerimônia acontecer). O fato de que os nomes fossem enviados ou não a Srila Prabhupada não tem nada a ver com o sistema de iniciação, pois uma vez que os novos nomes estivessem prontos para serem enviados, a iniciação já teria acontecido. O último ponto é
que se enviar os nomes para Srila Prabhupada fosse uma parte vital da
cerimônia, então mesmo antes da partida de Srila Prabhupada o sistema
seria invalido, ou ao menos correria um risco constante de assim ser.
Era do conhecimento geral que Srila Prabhupada estava prestes a nos
deixar a qualquer momento, portanto o perigo de não haver para onde
mandar os nomes estava presente deste o primeiro dia em que a ordem fora
emitida. Em outras palavras, considerando o possível cenário em que
Srila Prabhupada tivesse abandonado o planeta no dia seguinte em que um
discípulo tivesse sido iniciado através do sistema Ritvik, de
acordo com a proposição mencionada, o discípulo não teria sido de fato
iniciado simplesmente por causa da demora do correio. Não encontramos
nenhuma menção nos livros de Srila Prabhupada de que o processo
transcendental de diksa, o qual pode levar várias vidas para se
completar, pode ser obstruído pelas vicissitudes do serviço de correios.
Certamente não haveria nada que prevenisse que os nomes dos novos
iniciados entrassem no livro de discípulos iniciados de Sua Divina Graça
mesmo agora. Este livro poderia então ser oferecido a Srila Prabhupada
no momento apropriado.
Por favor, considerem os seguintes pontos: 1. A carta do dia 9 de julho também não especifica: “o sistema Ritvik deverá terminar com a partida de Srila Prabhupada”. Ainda assim, foi terminado imediatamente após a sua partida. 2. A carta também não diz: “o sistema Ritvik deverá continuar apenas enquanto Srila Prabhupada estiver presente”. Ainda assim, estava em andamento enquanto ele estava presente. 3. A carta também não diz: “o sistema Ritvik deverá seguir apenas até a partida de Srila Prabhupada”. Mas apesar disso, ele foi permitido a continuar somente até a sua partida. 4. A carta também não diz: “o sistema Ritvik deve parar”. Ainda assim, ele foi parado. Em resumo, o GBC insiste que: · O sistema ritvik deve parar. · O sistema ritvik deve para quando Srila Prabhupada partir. Nenhumas das estipulações acima aparecem na carta do dia 9 de julho, nem em outra ordem assinada; mas mesmo assim elas foram a fundação tanto do sistema de acarya regiona, quanto do corrente “sistema de múltiplos sucessores Acaryas” ou M.A.S.S. (sigla em inglês) como iremos chamar ao referir a ele (neste contexto, nós usamos a palavra “Acarya” no seu sentido mais forte, de mestre espiritual iniciador, ou diksa-guru). O argumento de que uma vez que a carta não especifica sobre o período de tempo que iria transcorrer, e que deveria, portanto, terminar na partida de Srila Prabhupada, é completamente ilógico. A carta tampouco especifica que o sistema Ritvik deveria ser seguido no dia 9 de julho, então de acordo com esta lógica ele jamais deveria ter sido seguido de nenhum modo. Mesmo aceitando que “henceforward” – daqui para frente – possa pelo menos estender-se até o final do primeiro dia em que a ordem fora assinada, não está dito que deveria ser seguida no dia 10 de julho, então talvez ela deveria ter sido parada no mesmo dia. A exigência que o sistema Ritvik operasse apenas por um período de tempo pré-especificado é contradito ao aceitarmos sua operação por 126 períodos separados de 24 horas (ou seja, quatro meses), uma vez que nenhum destes 126 períodos separados está especificado na carta, e ainda assim todos parecem estar muito satisfeitos com a idéia de que o sistema somente seria efetivo durante este período de tempo. A menos que tomemos a palavra “henceforward” – daqui para frente – literalmente significando “indefinidamente”, poderíamos parar o sistema Ritvik a qualquer momento depois do dia 9 de julho, então por que escolher o momento de sua partida? Não existe nenhum exemplo, seja nas 86 vezes gravadas em que Srila Prabhupada usa esta palavra, ou em toda a história da língua inglesa, no qual a palavra “henceforward” signifique: “O período de tempo até a partida da pessoa que emitiu uma ordem”. E ainda assim,
de acordo com a opinião geral, isto é o que a palavra deve ter
significado quando foi utilizada na carta do dia 9 de julho. Tudo o que
a carta afirma é que o sistema Ritvik deverá ser seguido
“henceforward” - “daqui para frente”. Então por que foi parado?
Se uma instrução é impossível de se executar, por exemplo, dar a Srila Prabhupada sua massagem diária após a sua partida física, então obviamente está fora de questão. O dever do discípulo é simplesmente seguir uma ordem até que esta seja impossível de ser seguida por mais tempo, ou até que o mestre espiritual mude a ordem. A questão é se é possível ou não seguir o sistema Ritvik sem a presença da pessoa que o estabeleceu. De fato, o
sistema Ritvik foi estabelecido especificamente para que
operasse sem nenhum envolvimento físico de Srila Prabhupada
absolutamente. Se o sistema Ritvik tivesse continuado depois de
sua partida, teria sido idêntico em todos os aspectos ao modo como era
praticado enquanto Srila Prabhupada estava presente. Depois da carta do
dia 9 de julho, o envolvimento de Srila Prabhupada se tornou nulo, e
então mesmo naquela época o sistema estava operando como se ele já
tivesse partido. Sendo este o caso, não podemos classificar o sistema
Ritvik como desfuncional ou inoperável com base na partida de
Srila Prabhupada, uma vez que sua partida não afeta de nenhum modo o
funcionamento do sistema. Em outras palavras, já que o sistema
foi especificamente estabelecido para operar como se Srila Prabhupada
não estivesse no planeta, sua partida do planeta não pode em si mesma
tornar o sistema inválido.
Este argumento de “carta versus livro” não se aplica ao caso, uma vez que não se trata de uma carta comum. Geralmente, Srila Prabhupada escrevia uma carta em resposta a alguma questão específica de algum discípulo individualmente, ou para oferecer uma orientação ou punição individual. Naturalmente, nestes casos, a pergunta individual do devoto, a situação ou desvio pode dar motivo para uma interpretação. Nem tudo nas cartas de Srila Prabhupada pode ser aplicado universalmente (por exemplo, numa carta ele aconselha a um devoto que não se dava bem com temperos que apenas cozinhasse com um pouco de sal e tumerique; claramente esse conselho não se aplica ao Movimento inteiro). Todavia, a ordem final sobre iniciações não está aberta a qualquer interpretação, uma vez que ela não foi escrita em resposta a uma questão específica de uma pessoa em particular, ou dirigida a uma situação ou comportamento pessoal de algum discípulo. A carta do dia 9 de julho foi uma instrução formal ou um documento sobre medidas administrativas que foi enviado para todos os líderes no Movimento. A carta segue o formato de qualquer outra instrução importante que Srila Prabhupada emitiu e queria que fosse seguida sem interpretações – ele a tinha colocado por escrito; ele aprovou-a, e então enviou-a para seus líderes. Por exemplo, ele tinha enviado uma ordem no dia 22 de abril de 1972, endereçada a TODOS OS PRESIDENTES DE TEMPLO:
“A
obrigação do secretário regional é ver se os princípios espirituais
sendo muito bem mantidos em todos os templos de sua zona. De qualquer
forma, cada templo deverá ser independente e auto-sustentado”.
Srila Prabhupada
não publicava um livro novo cada vez que ele emitia uma instrução
importante, independente do fato de que tal instrução devesse continuar
depois de sua partida ou não. Portanto, a forma na qual a instrução fora
emitida não a torna suscetível à interpretações indiretas, e tampouco
diminuem a sua validade de nenhum modo.
Se tais circunstâncias tivessem existido, Srila Prabhupada as teria mencionado na carta ou em algum documento anexado. Srila Prabhupada sempre deu informação suficiente para capacitar a correta aplicação de suas instruções. Certamente, ele não agia com a suposição de que seus presidentes de templo eram todos místicos capazes de ler mentes, e que portanto ele apenas necessitava enviar-lhes diretrizes fragmentadas e incompletas que mais tarde seriam compreendidas telepaticamente. Por exemplo, se Srila Prabhupada tivesse tido a intenção que o sistema Ritvik parasse depois de sua partida, ele poderia ter anexado as seguintes palavras na carta do dia 9 de julho: “este sistema terminará depois de minha partida”. Uma olhada rápida a esta carta nos diz que ele queria que continuasse “henceforward” – daqui para frente (por favor veja os apêndices). Algumas vezes se argumenta que o sistema Ritvik foi estabelecido apenas porque Srila Prabhupada estava doente. Os devotos poderiam saber ou não qual era a extensão da enfermidade de Srila Prabhupada, mas como se poderia esperar que eles deduzissem de uma carta que ele não diz nada sobre sua saúde que essa foi a única razão para ela ter sido emitida? Quando foi que Srila Prabhupada disse que qualquer instrução que ele emitisse deveria sempre ser interpretada em conjunto com o seu último relatório médico? Por que deveriam os destinatários da ordem final sobre iniciações não assumir a carta como uma instrução geral para ser seguida sem interpretação alguma? Srila Prabhupada já havia anunciado que ele tinha ido à Vrindavana para deixar seu corpo. Sendo tri-kala-jña, é muito provável que ele estivesse consciente de que iria partir dali a quatro meses. Ele havia estabelecido as instruções finais para a continuação do seu Movimento. Ele já havia escrito o seu testamento e outros documentos que se relacionavam com a BBT (Bhaktivedanta Book Trust) e o GBC, especialmente para prover uma orientação para depois de sua iminente partida. O único assunto que não havia sido estabelecido era do procedimento como seriam levadas a cabo as iniciações quando ele não estivesse mais conosco. Até então, ninguém tinha a menor idéia de como as coisas iriam funcionar. A ordem do dia 9 de julho esclarecia para todos precisamente como as iniciações deveriam ser efetuadas durante a sua ausência. Em resumo, não
se pode modificar uma instrução com uma informação à qual aqueles que a
receberam não tivessem acesso. Por que Srila Prabhupada colocaria
propositalmente em circulação uma instrução que ele sabia de antemão que
ninguém poderia seguir corretamente, já que ele não havia dado a
informação relevante junto com a instrução? Se o sistema Ritvik
tivesse sido estabelecido simplesmente porque Srila Prabhupada estava
enfermo, ele teria dito em alguma carta ou em algum documento anexado.
Não existe nenhum registro de que Srila Prabhupada tenha propositalmente
agido de um modo tão ambíguo pouco informativo, especialmente quando
instruindo a todo o Movimento. Srila Prabhupada nunca assinou nada
precipitadamente, e quando se considera a magnitude da instrução em
questão, é inconcebível que ele tivesse deixado de fora qualquer
informação vital.
No livreto GII do GBC a única evidência oferecida que apóia as modificações a) e b) é extraída de uma conversa que aconteceu em 28 de maio de 1977. O texto parece concordar que não há qualquer outra evidência entre as instruções que trate diretamente da função dos Ritviks depois da partida de Srila Prabhupada: “Embora Srila Prabhupada não tenha repetido suas afirmações anteriores, estava entendido que ele esperava que seus discípulos iniciassem no futuro” (GII, pg.35). Uma vez que essa é a única evidência, há uma seção dedicada exclusivamente à essa conversa que ocorreu no dia 28 de maio. Basta dizer que ela não foi mencionada na carta do dia 9 de julho, tampouco Srila Prabhupada pediu que uma copia da fita da conversa fosse enviada com a ordem final. Disto nós podemos deduzir com absoluta segurança que ela não contém sequer um fragmento de informação vital que modifique o entendimento da ordem final. Outro ponto importante é o fato de que a conversa do dia 28 de maio foi lançada somente vários anos depois da partida de Srila Prabhupada. Portanto, mais uma vez se espera que modifiquemos uma instrução escrita e clara com uma informação que não estava acessível ao público a quem a instrução fora enviada. Como veremos mais adiante, não há nada na conversa de maio que contradiga a ordem final. Como ponto geral, vemos que as últimas instruções dadas pelo Guru sempre sobrepõem-se às instruções anteriores- a ordem final é a ordem final e deve ser seguida: “Eu posso dizer muitas coisas para você, porém quando digo algo diretamente para você, faça-o. Seu primeiro dever é fazer isso. Você não pode argumentar que ‘o senhor primeiro me disse que fizesse isso antes’. Não, este não é seu dever; o que digo agora é o que deve fazer, isso é obediência e você não pode argumentar”. (Aula de Srila Prabhupada sobre o S.B., dia 14/04/75, Hyderabad). Assim como no Bhagavad-gita o Senhor Krishna deu muitas instruções para Arjuna, falou todos os tipos de Yoga, do Dhyana ao Jñana, mas tudo isso foi sobreposto pela ordem final: “Sempre pense em MIM e torne-se Meu devoto” – deve ser tomado como a ordem final do Senhor e deverá ser seguida”. (Ensinamentos do Senhor Caitanya, cap. 11). A ordem final dada por Sankaracarya “Bhaja Govinda”, também se destinava a sobrepor-se a muitos de seus enunciados anteriores – todos eles, de fato. Como mencionado na introdução, o próprio GBC reconhece isso como um princípio lógico axiomático: “Em lógica, enunciados posteriores sobrepõem os anteriores em importância” (GII, pg.25). Não
é possível que haja um enunciado posterior ao último. Portanto,
devemos seguir o sistema Ritvik segundo a lógica do próprio GBC.
Srila Prabhupada jamais apontou ou instruiu ninguém para ser diksa-guru depois de sua partida. Nunca foi apresentada nenhuma evidência que confirme isso; de fato, muitos líderes antigos dentro da ISKCON aceitaram este ponto: “E é um fato que Srila Prabhupada jamais disse: ‘certo, aqui está o próximo acarya, ou aqui estão os próximos onze acaryas, e eles estão autorizados como gurus do Movimento para o mundo’. Ele nunca fez isso”. (Ravindra Svarupa das, San Diego, debate, 1990). Srila Prabhupada inequivocadamente disse que o diksa-guru deve ser um maha-bhagavata (no mais avançado estágio da realização em Deus), e ser especificamente autorizado pelo seu próprio mestre espiritual. Ele sempre condenou veementemente que aqueles que não estivessem adequadamente qualificados ou autorizados aceitassem o papel de guru. Nós citamos abaixo a única passagem nos livros de Srila Prabhupada estão onde o termo diksa-guru está vinculado a uma qualificação específica:
maha-bhagavata-srestho
brahmano vai gurur nrnam “O guru deve estar situado na plataforma mais elevada do serviço devocional. Há três classes de devotos, e o guru deve ser aceito vindo da mais elevada classe”. (C.c. Madhya, 24.330, comentário)
“Quando alguém alcançou a mais elevada posição de maha-bhagavata, ele deve ser aceito como guru e adorado exatamente como Hari, a Personalidade de Deus. Somente tal pessoa é elegível para ocupar a posição de guru”. (C.c. Madhya, 24.330, comentário). Além de qualificação, Srila Prabhupada também ensinou que a autorização específica do acarya predecessor também é essencial antes de alguém poder agir como diksa-guru: “No todo, você talvez saiba que ele não é uma pessoa liberada, e portanto ele não pode iniciar qualquer pessoa para a Consciência de Krishna. Isso requer uma bênção espiritual especial de autoridades superiores”. (Srila Prabhupada, carta para Janardana, 26/4/68).
“Deve-se receber
iniciação de um mestre espiritual fidedigno vindo na sucessão discipular
e que é autorizado por seu mestre espiritual predecessor. Isto é chamado
diksa-vidhana”
(SB, 4.8.54, comentário).
Assim, de acordo com Srila Prabhupada, alguém pode se tornar diksa-guru quando tanto a qualificação e a autorização existem. Srila Prabhupada não autorizou tais gurus, nem declarou que qualquer um dos seus discípulos era qualificado para iniciar. Ao contrário, pouco antes do dia 9 de julho, ele concordara que eles ainda eram “almas condicionadas” e que vigilância era essencial a fim de que ninguém se apresentasse como guru (por favor veja os apêndices, 22 de abril de 1977). usadas para apoiar uma alternativa para o sistema Ritvik se dividem em três categorias básicas: 1. Srila Prabhupada pedia freqüentemente para todos se tornarem gurus, muitas vezes juntamente com um verso do Caitanya-Caritamrta: “amara ajñaya guru hana”. 2. Há cerca de meia dúzia de cartas pessoais onde Srila Prabhupada menciona seus discípulos agindo como diksa-gurus após a sua partida. 3. Outras afirmações nos livros de Srila Prabhupada e palestras mencionam o princípio de que os discípulos seriam diksa-gurus. Observando a categoria 1): A instrução para todos se tornarem gurus é encontrada no seguinte verso do Caitanya-Caritamrta, o qual era frequentemente citado por Srila Prabhupada: “Instrua todos para que sigam as ordens de Sri Krishna como foram dadas no Bhagavad-gita e no Srimad-Bhagavatam. Desta maneira torne-se mestre espiritual e tente liberar a todos nesta terra”. (C.C., Madhya, 7.128). Contudo, o tipo de guru que o Senhor Caitanya está encorajando todos a se tornarem está claramente estabelecido no comentário detalhado do verso seguinte : “Isso é, devesse permanecer em casa, cantar o Mantra Hare Krishna e pregar as instruções de Krishna como são dadas no Bhagavad-gita e no Srimad Bhagavatam” (C.C. Madhya, 7.128, comentário).
“Pode-se permanecer como chefe de família, médico, engenheiro ou o que seja. Isso não importa. Devesse apenas seguir as instruções de Sri Caitanya Mahaprabhu: cante o maha-mantra Hare Krishna e instrua seus parentes e amigos sobre os ensinamentos do Bhagavad-gita e do Srimad-Bhagavatam (...) é melhor não aceitar nenhum discípulo”. (C.C. Madhya, 7.130, comentário). Nós podemos ver que estas instruções não implicam que os gurus em questão devem primeiro alcançar algum nível de realização antes de agirem. O pedido é imediato. Disto, está claro que todos são simplesmente encorajados a pregar o que eles sabem, e assim se tornar siksa-guru, ou instrutor. Isso é ainda mais claro pela estipulação de que o siksa-guru permaneça nessa posição, e não que se torne um diksa-guru mais tarde: “É melhor não aceitar nenhum discípulo.” (C.C. Madhya, 7.130, comentário). Aceitar discípulos é a principal atividade de um diksa-guru, enquanto que um siksa-guru simplesmente necessita executar seus deveres e pregar a Consciência de Krishna o melhor que possa. Está claro nos comentários de Srila Prabhupada que no verso acima o Senhor Caitanya está de fato autorizando siksa-gurus, não diksa-gurus. Também está muito claro em muitas outras referências onde Srila Prabhupada encoraja a todos a se tornarem gurus: “yare dekha, tare kaha, krishna-upadesa. Não precisa inventar nada. O que Krishna já disse, você repete. Fim. Não faça adições e adulterações. Então você se tornará guru (...) talvez eu seja um tolo ou patife (...) porém temos que seguir este caminho: torne-se guru e libere seus vizinhos, seus associados, mas fale as palavras oficiais de Krishna. Então funcionará (...) qualquer um pode fazer. Uma criança pode fazer”. (Srila Prabhupada, darsana ao anoitecer, 11/05/77, Hrsikesh).
“Porque as pessoas estão na escuridão, nós precisamos de muitos milhões de gurus para iluminá-las. Portanto, a missão de Caitanya Mahaprabhu é, (...) Ele disse que ‘todos vocês se tornem gurus”. (Srila Prabhupada, palestra, 21/05/76, Honolulu).
“Simplesmente diga (...) ‘apenas pense em MIM’, disse Krishna, e ‘apenas torne-se Meu devoto. Apenas adore-ME e ofereça reverências’. Por favor faça estas coisas. Se você pode induzir uma pessoa a fazer estas coisas, você se torna guru. Onde está a dificuldade?” (Srila Prabhupada, conversação, 1/08/76, Paris).
“O verdadeiro guru é aquele que instrui o que Krishna disse... você tem simplesmente que dizer “é isto é isto”, isso é tudo. Isso é uma tarefa muito difícil?” (Srila Prabhupada, palestra do dia 21/05/76, Honolulu).
“... ‘mas eu não tenho qualificação. Como eu posso me tornar guru?’ Não é necessário ter qualificação... quem quer que você encontre, simplesmente ensine o que Krishna disse. Isso é tudo. Você se torna guru” (Srila Prabhupada, palestra do dia 21/05/76, Honolulu). (Surpreendentemente, alguns devotos têm usado tais citações acima como uma justificativa para “um diksa-guru com uma mínima qualificação”,[1] algo nunca mencionado em nenhum livro de Srila Prabhupada, nem em suas cartas, nem em suas aulas ou conversações.) Um exemplo de um guru que não tem qualificações exceto repetir o que ele escutou poderia ser encontrado em qualquer curso de introdução para bhaktas na ISKCON. Portanto, está perfeitamente claro que estes convites são simplesmente para que alguém se torne um mestre espiritual instrutor, ou siksa-guru. Sabemos isso porque Srila Prabhupada já explicou em seus livros que existem requisitos muito mais estritos para que alguém se torne um diksa-guru: “Quando alguém alcançou a mais elevada posição de maha-bhagavata, ele é aceito como guru e adorado exatamente como Hari, a Personalidade de Deus. Somente tal pessoa é elegível para ocupar a posição de guru”. (C.C. Madhya, 24.330, significado).
“Deve-se tomar iniciação de um mestre espiritual fidedigno vindo na sucessão discipular e que é autorizado pelo seu mestre espiritual predecessor. Isto é chamado diksa-vidhana” (Srila Prabhupada, 4.8.54, comentário). Como mostramos, Srila Prabhupada expressou que a instrução para se tornar um mestre espiritual tem que ser recebida especificamente do próprio guru. A instrução geral do Senhor Caitanya tem estado presente por 500 anos. É óbvio que Srila Prabhupada não considera“amara ajñaya guru hana” como se referindo especificamente a diksa, de outra forma por que nós precisaríamos de uma outra ordem especifica do guru para nos tornarmos acarya? Esta instrução geral do Senhor Caitanya deve se referir a siksa e não a diksa-guru. Diksa-guru é uma exceção, não a regra. Srila Prabhupada desejava milhões de siksa-gurus, incluindo homens, mulheres e crianças. Observando agora a categoria 2): Havia um punhado de devotos com excessiva confiança em si mesmos, ansiosos para iniciar a seus próprios discípulos na presença de Srila Prabhupada, aos quais Srila Prabhupada escreveu cartas. Estas cartas às vezes são usadas para apoiar o sistema M.A.S.S. Srila Prabhupada tinha uma abordagem bastante peculiar quando lidava com tais indivíduos ambiciosos. Geralmente, ele lhes dizia para que se mantivessem rigidamente em treinamento, e no futuro, após a sua partida física, eles poderiam aceitar discípulos: “A primeira coisa que eu previno, Acyutananda, não tente iniciar. Você não tem uma posição apropriada agora para iniciar ninguém. (...) Não seja tentado por Maya. Eu estou treinando vocês todos para se tornarem futuros mestres espirituais, mas não sejam apressados”. (Carta de Srila Prabhupada para Acyutananda e Jaya Govinda, 21/08/68).
“Algum tempo atrás, você pediu minha permissão para aceitar alguns discípulos. Agora a época se aproxima muito rápido quando você terá muitos discípulos pelo seu forte trabalho de pregação”. (Srila Prabhupada, carta para Acyutananda, 16/05/72).
“Eu tenho escutado que alguns devotos estão adorando você. Por suposto, é apropriado oferecer reverências a um vaisnava, porém não na presença do mestre espiritual. Depois da partida do mestre espiritual, o momento virá, porém agora espere. Senão isso irá criar facções”. (Carta de Srila Prabhupada a Hamsadutta, 1/10/74).
“Mantenha-se treinando muito rigidamente, e assim você se tornará um guru fidedigno e então poderá aceitar discípulos baseado no mesmo princípio. Porém, como uma questão de etiqueta, é o costume que durante a vida do mestre espiritual você lhe traga os candidatos a discípulos, e na sua ausência ou desaparecimento você pode aceitar discípulos sem nenhuma limitação. Esta é a lei da sucessão discipular. Quero ver meus discípulos tornarem-se mestres espirituais fidedignos e expandirem a consciência de Krishna muito amplamente, isso fará a mim e a Krishna muito felizes”. (Carta de Srila Prabhupada para Tusta Krishna, 2/12/75). É interessante notar que enquanto GII cita esta lei para apoiar a doutrina do M.A.S..S., no mesmo documento se afirma que na realidade esta não é uma lei em absoluto: “Há muitos de tais exemplos nas Escrituras, que falam de discípulos que dão iniciação na presença do seu guru, (...) nas Escrituras não há instruções específicas acerca de que o discípulo não deva dar iniciação quando o guru está presente” (GII, pg. 23). A ansiedade de aceitar adoração e seguidores é na verdade uma desqualificação para um mestre espiritual. Nós podemos apenas pasmar ao ver o poder do falso ego, pois mesmo na presença do Acarya mais poderoso que o planeta jamais vira, algumas personalidades ainda assim se sentiam muito qualificadas para iniciar a seus próprios discípulos “debaixo do nariz” de Srila Prabhupada.[2] Está aparente que, ao escrever para aqueles devotos dizendo para que eles poderiam aceitar discípulos se eles apenas esperassem um pouco, Srila Prabhupada estava simplesmente tentando mantê-los em serviço devocional. Assim fazendo pelo menos haveria a possibilidade de que com o tempo suas mentalidades ambiciosas pudessem se purificar: Devotos humildes que diligentemente executavam seu serviço em sacrifício abnegado para seu mestre espiritual jamais receberam uma carta descrevendo seu brilhante futuro como diksa-gurus. Por que Srila Prabhupada prometeu o posto de diksa seriamente apenas para aqueles que eram os mais ambiciosos, e portanto menos qualificados? No que concerne às afirmações para o efeito de que eles seriam livres para iniciar após a sua partida, isso é verdade. Assim como na Inglaterra alguém é livre de dirigir um carro uma vez que tenha 17 anos. Porém, não devemos esquecer aqueles dois pequenos requisitos. Primeiro, que ele deve ser devidamente qualificado para dirigir, e segundo, que ele deve ser autorizado para dirigir obtendo uma licença. O leitor pode fazer seus próprios paralelos. Outra carta que é citada apoiando o M.A.S.S. diz: “Pelo ano de 1975, todos aqueles que passaram nos exames mencionados serão especificamente autorizados para iniciar e aumentar o número da população da Consciência de Krishna” (Carta de Srila Prabhupada a Kirtanananda, 12/01/69). Será que esta afirmação justifica o término da ordem final sobre iniciação? Uma vez que essa é uma tentativa de terminar com o sistema Ritvik através do uso de cartas pessoais, nós evocaremos a ‘lei da sucessão discipular’ensinada por Srila Prabhupada. A primeira parte da “lei” diz que o discípulo não deve agir como acarya iniciador enquanto seu próprio guru estiver presente fisicamente. Uma vez que esta é a “lei”, claramente esta carta não poderia se referir a que os discípulos de Srila Prabhupada iniciariam em seu próprio nome, uma vez que Srila Prabhupada ainda estava no planeta no ano de 1975. Portanto, nós podemos somente concluir que desde 1969 Srila Prabhupada estava contemplando estabelecer algum tipo de sistema como o de iniciação por representantes. Pelo ano de 1975, Srila Prabhupada já havia autorizado devotos como Kirtanananda para cantar nas contas e conduzir as iniciações em seu nome. A carta acima mencionada parece então predizer o futuro uso de representantes para executar as iniciações. Posteriormente, ele chamou estes representantes “Ritviks” e formalizou as suas funções na ordem do dia 9 de julho. Novamente, seria tolice sugerir que Srila Prabhupada tenha de fato autorizado Kirtanananda a agir como acarya iniciador na sampradaya tão logo passasse em alguns exames. “Quem quer que siga a ordem do Senhor Caitanya sob a guia do Seu representante fidedigno pode tornar-se mestre espiritual, e desejo que em minha ausência todos os meus discípulos se tornem mestres espirituais fidedignos para espalhar a consciência de Krishna através do mundo todo”. (Srila Prabhupada, carta para Madhusudana, 2/11/67). Usando a citação acima, tem sido argumentado que uma vez que Srila Prabhupada já mencionara que seus discípulos devem se tornar mestres espirituais em sua ausência deve estar se referindo à diksa, pois eles já eram siksa-gurus. Contudo, Srila Prabhupada pode ter simplesmente reiterado seu encorajamento geral para que todos os seus discípulos se tornassem bons mestres espirituais siksa, e que eles deveriam continuar a se tornar bons mestres espirituais siksa também na sua ausência. Definitivamente não há menção na citação acima que seus discípulos iniciariam ou aceitariam seus próprios discípulos. A sentença “mestres espirituais fidedignos para espalhar a Consciência de Krishna através do mundo todo” é igualmente aplicável a siksa-guru. Mesmo se tais cartas fizessem alusão a algum outro tipo de sistema de gurus, ainda assim elas não poderiam ser usadas para modificar as instruções da Ordem Final do dia 9 de julho, já que as instruções não foram repetidas para o resto do Movimento. As cartas em questão não foram sequer publicadas até 1986. Ocasionalmente, se alega que algumas destas cartas pessoais foram passadas adiante para outros membros da Sociedade. Isto pode ter sido ou não o caso, porém o ponto importante a observar é que os mecanismos de tais distribuições parecem nunca terem sido estabelecidos ou aprovados por Srila Prabhupada. Não temos nenhuma evidência de que Srila Prabhupada ordenou que sua correspondência privada fosse distribuída para todo mundo. Ele somente uma vez sugeriu casualmente que suas cartas poderiam ser publicadas “se houvesse tempo”, porém nunca indicou que sem estes documentos ninguém saberia como operar de forma apropriada o M.A.S.S. depois de sua partida. Para formar um caso concernente ao que se deveria de ter sido feito em 1977, pode-se usar somente a evidência que estava prontamente disponível de uma forma autorizada naquele tempo. Se em tais cartas de fato estivesse a chave de como ele planejou as iniciações para serem conduzidas pelos próximos dez mil anos, seguramente Srila Prabhupada as teria publicado e distribuído em massa, sendo um assunto de extrema urgência. Pois haveria uma considerável possibilidade de que nem todos os líderes tivessem lido sua correspondência privada, e como resultado, obtido um entendimento claro sobre como as iniciações precisamente seriam conduzidas depois de sua partida. Nós sabemos que e isso é mais do que uma possibilidade, já que todo o GBC ainda não tinha idéia do que Srila Prabhupada estava planejando até o dia 28 de maio de 1977 (por favor veja os apêndices). Considerando o que foi dito acima, qualquer tentativa de modificar a carta do dia 9 de julho com base nestas poucas cartas somente pode ser considerada inapropriada. Se tais cartas tivessem sido apêndices vitais à ordem final de Srila Prabhupada, ele certamente teria deixado isso claro na própria ordem ou em algum documento anexado. Enfim, a única posição que foi outorgada a cada um deles no que concerne às iniciações, foi a posição de representantes do Acarya, ou seja, Ritviks. Finalmente, nós iremos observar a categoria 3): Há várias citações extraídas dos livros e palestras de Srila Prabhupada que são utilizadas para justificar o abandono do sistema Ritvik. Nós agora iremos examinar estas evidências. Nos livros de Srila Prabhupada tudo o que iremos encontrar são as qualificações de um diksa-guru, declaradas em termos gerais. Não há menção especifica de que seus próprios discípulos se tornariam diksa-gurus. Ao contrário, as citações meramente reiteram o ponto de que deve-se estar altamente qualificado e autorizado mesmo antes de tentar se tornar um diksa-guru: “Aquele que agora é discípulo será o próximo mestre espiritual. E alguém não poderá ser um mestre espiritual fidedigno e autorizado a não ser que seja estritamente obediente ao seu mestre espiritual”. (S.B. 2.9.43, comentário). A citação mencionada acima dificilmente dá carta branca para alguém iniciar apenas porque seu guru abandonou o planeta. O conceito do guru deixando o planeta nem mesmo é mencionado aqui. Somente a idéia de que eles devem ser autorizados e estritamente obedientes. Nós também sabemos que primeiro eles devem ter alcançado a plataforma de maha-bhagavata. Alguns devotos apontam a seção em Fácil Viagem a Outros Planetas que trata de “gurus monitores” como sendo uma evidência para apoiar o M.A.S.S. e o resultante desmantelamento do sistema Ritvik. Contudo, esta inteligente analogia está claramente definindo a posição de siksa, não de diksa-gurus. Nesta passagem o monitor atua em nome do seu mestre. Ele mesmo não é o mestre. Ele pode se tornar tão qualificado quanto o mestre, mas isso é um processo, e não é descrito como sendo automático na partida do mestre (quem obviamente corresponde ao diksa-guru). Um guru monitor pode apenas ter, por definição, discípulos siksa e em número limitado. Uma vez que tal monitor se torne qualificado, ou seja, alcance a plataforma de maha-bhagavata, e então seje autorizado pelo seu acarya predecessor, não faz mais sentido chamá-lo de monitor, pois ele será um mestre por seu próprio direito. Uma vez que ele é um mestre por seu próprio direito, ele poderá aceitar inúmeros discípulos. Portanto, o monitor é o siksa-guru e o mestre é o diksa-guru, e por seguir estritamente o diksa-guru, o siksa-guru poderá gradualmente elevar-se à plataforma na qual ele poderá pelo menos tornar-se qualificado para ser um diksa-guru. Além do mais, um monitor é meramente um assistente do mestre enquanto o mestre estiver presente. Novamente, isso é uma variância na “lei” da sucessão discipular que é utilizada para apoiar o M.A.S.S. Um monitor não é uma entidade que vem a substituir ou suceder o seu mestre, e sim para atuar paralelamente com o mestre.
Certamente o sistema de monitores de forma alguma apóia as suposições a)
e b) do GBC: que o sistema Ritvik deveria parar com a partida de
Srila Prabhupada, e que os Ritviks então poderiam automaticamente
se tornar diksa-gurus. “Agora, dez, onze, doze. Meu Guru Maharaja é o décimo depois de Caitanya Mahaprabhu, eu sou o décimo primeiro, vocês são os décimo-segundos. Assim, distribuam este conhecimento.” (Srila Prabhupada, palestra de chegada, 18/05/72, Los Angeles).
“Ao mesmo tempo, eu lhes pedirei a todos que se tornem mestres espirituais. Cada um de vocês deve ser o mestre espiritual seguinte” (aula no Vyasa-puja, 5/09/69, Hamburgo). A primeira citação menciona claramente que os discípulos de Srila Prabhupada já são os décimo-segundos – “... vocês são os décimos-segundos”. Portanto, isso não é nenhum tipo de autorização para que se tornem diksa-gurus no futuro, senão uma afirmação de que simplesmente estão levando a mensagem do parampara. A segunda citação é de caráter semelhante. Indubitavelmente menciona que seus discípulos são os seguintes na ordem de sucessão. Porém, como a primeira citação afirma, a sucessão já existia por força da pregação vigorosa de seus discípulos. De qualquer maneira, não há uma ordem explícita para que aceitem discípulos, mas simplesmente que preguem. Apenas pelo fato de que ele estava pedindo a seus discípulos que se tornassem mestres espirituais mais tarde, isso não significa que ele queria que se tornassem os próximos mestres espirituais iniciadores. Insistir nisso é pura especulação. De fato, nós sabemos que isso é errado, uma vez que a ordem final deixa claro que os seus discípulos deveriam apenas agir como representantes do acarya, e não dar algum tipo de iniciação ou diksa. O argumento que tais afirmações sobrepõem-se à ordem final é infundado e facilmente derrotado por outras afirmações feitas por Srila Prabhupada, especialmente em relação ao que deveria acontecer após a sua partida, o que contradiz completamente a proposição dita:
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